Antipoesia de uma imigrante

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Hoje faz seis anos que eu dei o primeiro passo que mudaria minha vida completamente. Não entendo nada de poesia, métrica, rimas, nada disso, mas me dei o luxo de criar uma “poesia” do meu jeito, tentando traduzir em palavras a minha jornada de imigrante. :)

Uma vida inteira em seis malas
Raízes cortadas, uma página virada
A chance de recomeçar, de mudar
Incertezas, frio na barriga
Uma garra sobrenatural
Nos impulsiona para o desconhecido
Loucura, coragem, sonhos
É melhor não olhar para trás.

Nó na garganta, estranhamento
Onde estou? Quem sou eu?
Identidade perdida, solidão
Bebê aprendendo a andar
Tropeça, cai
Levanta de novo
Dá mais um passo
De encontro a braços abertos.

Braços acolhedores, aconchegantes
Braços fortes, encorajadores
Braços de quem também (re)aprendeu
a andar
A comida já não entala na garganta
O frio é doce, suave
A língua faz acrobacias
Músico que toca com os olhos fechados.

Lembranças de um passado distante
Perfuram o coração
Cidadão de dois mundos
Dividido, incompleto
Novas raízes crescem, profundas
Barco cortando águas calmas
Seguro, firme
Levado pelo vento.

Escalada árdua, longa,
Exaustiva, vagarosa,
Adiante é a única opção
Não olho para trás
Do topo da montanha
A vista é mais bonita
Mergulho na realização
Valeu a pena.

Mais um motivo para procrastinação e Feliz Ano Novo!

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Férias é sempre assim.

Você se promete que quando estiver de férias vai terminar aquele projeto inacabado. Vai encontrar todos os amigos com quem você mal consegue falar durante o ano. Vai ler todos os livros que pegou na biblioteca. Vai dormir durante a tarde. Vai sair com as crianças. Vai fazer aquela geral na casa e deixar tudo em ordem. Vai fazer tudo aquilo que você sempre quer fazer mas nunca tem tempo.

E aí, o que acontece? [Leia mais...]

#aos4

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Hoje é um dia especial aqui em casa. É o aniversário da Alice!

Aos “quatros” anos, Alice é uma menina faceira, alegre, sapeca demais. Faladeira que só, como a irmã na mesma idade. Mais alta que a irmã na mesma idade. Sabe todas as letras. Escreve o próprio nome. Gosta de tudo que a irmã gosta, quer brincar com o que quer que esteja na mão da irmã. Sempre. Choraminga e fica chatíssima quando tem sono. É teimosa. Só gosta de usar vestido pra ir pra escola. Põe os sapatos trocados na maioria das vezes. Não pronuncia o A em muitas palavras que começam com A, como abelha (ela fala “belha”), amarelo (“marelo”), almofada (“mofada”). Quer fazer tudo sozinha. Veste-se sozinha. Escova dentes sozinha. Quer deixar o cabelo grande igual o meu. Não gosta de tomate, nem de queijo. Come sushi de pepino, mas tira o pepino de dentro do rolinho.

Ama livros. Brinca de Barbie. Gosta de apertar o botão do elevador. Às vezes cria caso pra sentar na cadeirinha do carro, e quer usar a cadeira da irmã. Gosta de brincar no iPad. Gosta do Toopy e Binoo. Ama dançar e colocar a saia de “baralina”. Tem medo de cachorro. Tem medo de inseto. Largou a mamadeira do café da manhã há uns dois meses e agora usa caneca de menina grande. Adora ver a lua no céu.

Minha menina grande faz quatro anos hoje, no dia seguinte ao dia de ação de graças. Eu só tenho de agradecer a Deus por ter nos presenteado com essa menina que faz nossos dias mais felizes e divertidos.

Dez anos de paciência, oração e amor

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Você lembra de algum cumprimento que recebeu de algum convidado na festa do seu casamento? Eu lembro de dois.

O primeiro foi da mãe da minha melhor amiga de escola, a tia Deise, mãe da Flávia. Ela me disse: “Quando a gente casa, ouvimos muita coisa de muita gente. Do meu casamento há muitos anos, eu só lembro de um conselho que me deram: Paciência, paciência, paciência.”

O segundo conselho que ficou gravado na minha memória e no meu coração foi dado pela minha primeira professora de música, a querida Sônia. Ela me disse: “Orem juntos sempre.”

E foi a paciência, a oração, e claro, não podia faltar o amor, que nos conduziram nesses dez anos que hoje eu completo ao lado do meu marido, André.

Dez anos! Não dá nem pra acreditar.

E que venham os próximos dez, e mais dez, e mais dez…

Feliz dia dos pais!

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As meninas estão tomadas banho. O pai coloca um CD de música clássica no aparelho, escolhe uma faixa e a música começa a tocar. As meninas deitam na cama, junto com o pai, e então ele começa a contar uma história da sua cabeça. A história sempre tem uma princesa, numa floresta ou num castelo. Ele inventa a história de acordo da música e muda a ação de acordo com o sentimento da música. Elas escutam atentamente a história e, no final, pedem bis.

Amanhã é dia dos pais aqui no Canadá. Pro meu amor, André, e para todos os papais brasileiros que moram aqui (e em todos os países onde o dia dos pais é celebrado no terceiro domingo de junho), um feliz dia dos pais!

Dia das mães, aqui e lá

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Aqui no Canadá, o dia das mães é hoje também. Pra mim foi mais uma semana das mães do que só um dia, já que, desde quarta as meninas trouxeram presentinhos pra mim. A Laura me deu um vaso de cerâmica pintado por ela, e vários cartões e desenhos, um em cada dia. Na quinta, Alice trouxe uma tela com a mão e o pé impressos, na sexta foi a festinha do dia das mães na creche e ganhei uma velhinha dentro de um potinho que ela decorou e outra tela pintada por ela. Já estão todos em cima da minha lareira, enfeitando a minha casa e colocando um sorriso no meu rosto toda vez que eu os vejo.

O mais legal é a ansiedade delas em dar o presente pra mim. As duas, assim que eu pisava em casa, vinham correndo com os embrulhos nas mãos, todas orgulhosas e doidas pra eu abrir logo.

Ontem Alice me deu um abraço bem apertado e disse I love you. Com todas as letras. :)

Hoje foi o meu dia de dar parabéns pra minha mãe. Desde sexta eu fiquei confabulando com a minha irmã pra gente preparar um vídeo pra ela. Ela estava na casa da minha tia, e de lá ligaram pra gente, pelo Skype. Foi uma choradeira só.

Manhê! Te amo muito! A gente está longe, mas não esquecemos de você um minuto, viu?

Feliz dia das mães pra todas vocês, mães, que sempre passam aqui no blog!

Uma festa de sete cores para uma menina de sete anos

Todo ano eu digo que não vou inventar moda, que as festinhas das meninas vão ser simples, mas em cima da hora eu sempre invento alguma coisa. Sempre, não tem jeito. Dá trabalho? Dá. Mas é tão legal, né? Esse ano então eu quase não consigo lugar pra fazer a festa da Laura! Com os preparativos da viagem, fui deixando de lado e só fui procurar pra reservar um espaço no dia de viajar, acreditem se quiser. Eu doida ligando pros centros comunitários e todos já tinham a data reservada. Meio dia, as malas ainda por fechar, e eu procurando lugar pra festa da Laura. Ainda bem que no final deu certo.

Sabe aqueles blogs de decoração? Ou de idéias e inspirações para festas? Eu a-do-ro! Na semana da festa eu dei uma olhada em alguns desses blogs e me inspirei pra fazer a festa do arco-íris.

Os palitinhos de doce eram parte da lembrancinha. Peguei a idéia aqui. A criançada adorou! [Leia mais...]

Carta para Laura – abril de 2011

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Minha linda Laura,

Hoje é o dia do seu aniversário! Eba, sete anos! Se eu bem te conheço, amanhã mesmo vai estar me perguntando quantos dias faltam pra você fazer oito. Eita menina ansiosa você. Filha de peixe mesmo.

Não vou nem começar com o meu eterno lamúrio sobre como o tempo passou tão rápido. Eu lembro daquela madrugada de segunda-feira, em 2004, quando você resolveu vir ao mundo. Faz tanto tempo e, ao mesmo tempo, parece que foi ontem. Como é que pode, num piscar de olhos, aquele bebezinho tão pequeno dar lugar a essa menina grande e inteligente que eu tenho em casa? Tempo cruel esse, viu? [Leia mais...]