
Hoje faz seis anos que eu dei o primeiro passo que mudaria minha vida completamente. Não entendo nada de poesia, métrica, rimas, nada disso, mas me dei o luxo de criar uma “poesia” do meu jeito, tentando traduzir em palavras a minha jornada de imigrante.
Uma vida inteira em seis malas
Raízes cortadas, uma página virada
A chance de recomeçar, de mudar
Incertezas, frio na barriga
Uma garra sobrenatural
Nos impulsiona para o desconhecido
Loucura, coragem, sonhos
É melhor não olhar para trás.
Nó na garganta, estranhamento
Onde estou? Quem sou eu?
Identidade perdida, solidão
Bebê aprendendo a andar
Tropeça, cai
Levanta de novo
Dá mais um passo
De encontro a braços abertos.
Braços acolhedores, aconchegantes
Braços fortes, encorajadores
Braços de quem também (re)aprendeu
a andar
A comida já não entala na garganta
O frio é doce, suave
A língua faz acrobacias
Músico que toca com os olhos fechados.
Lembranças de um passado distante
Perfuram o coração
Cidadão de dois mundos
Dividido, incompleto
Novas raízes crescem, profundas
Barco cortando águas calmas
Seguro, firme
Levado pelo vento.
Escalada árdua, longa,
Exaustiva, vagarosa,
Adiante é a única opção
Não olho para trás
Do topo da montanha
A vista é mais bonita
Mergulho na realização
Valeu a pena.


Ama livros. Brinca de Barbie. Gosta de apertar o botão do elevador. Às vezes cria caso pra sentar na cadeirinha do carro, e quer usar a cadeira da irmã. Gosta de brincar no iPad. Gosta do Toopy e Binoo. Ama dançar e colocar a saia de “baralina”. Tem medo de cachorro. Tem medo de inseto. Largou a mamadeira do café da manhã há uns dois meses e agora usa caneca de menina grande. Adora ver a lua no céu.

Não vivo sem ler e escrever. As palavras são o meu ar. Mãe de duas, vivendo desde 2007 em Vancouver, no Canadá.
















