Estou lendo: O amor nos tempos do cólera, de Gabriel García Márquez

18/01/2011

in Entretenimento, Livros

Para ele, ela era tão linda, tão sedutora, tão diferente das pessoas ordinárias, que ele não podia entender como ninguém estava tão perturbado como ele com o clicar dos seus saltos nos paralelepípedos, porque nenhum outro coração se endoidecia com a brisa remexida pelos suspiros dos seus véus, porque ninguém se derretia com o movimento da sua trança, o vôo das suas mãos, o dourado do seu sorriso. Ele não perdia um só gesto seu, nenhuma das indicações da sua personalidade, mas ele não ousava aproximar-se dela com medo de quebrar seu encanto. Entretanto, quando ela adentrou a Arcada dos Escribas, ele percebeu que poderia perder o momento pelo qual desejou durante muitos anos.

Essa foi minha tentativa de traduzir uma das passagens mais lindas que eu li deste livro até agora. Estou lendo O amor nos tempos do cólera em inglês. Meu primeiro García Márquez.

Eu já comecei 3 vezes o Cem anos de solidão. Só agora que consegui engatar na leitura de um livro do escritor colombiano. Confesso que quase desisti deste também, mas depois do primeiro capítulo foi que o livro me prendeu, lá pela página 50.

Estou me deliciando com o estilo de Gabriel García Márquez. Com a proeza que ele consegue costurar histórias paralelas, o vai-e-vem de passado e futuro, as descrições tão realistas, palpáveis até. Como é que alguém consegue criar histórias tão ricas, tão cheias de detalhes?

O tema do livro é uma história de amor que sobrevive mais de meio século. Fermiza Daza e Florencio Ariza se apaixonam ainda adolescentes, mas a vida toma rumos diferentes para os dois. Só quando Fermina fica viúva, com seus 60 e poucos anos é que eles voltam a se encontrar. Ainda estou na metade do livro, mais doida pra ver como é que os dois personagens principais terminam.

Falando em livro, estou lendo também A teia de Charlotte (Charlotte’s Web), de E. B. White. Sabem aquela história do porquinho que era amigo de uma aranha? Esse livro. Estou lendo para o Desafio Literário 2011. O tema de janeiro são livros infanto-juvenis. Ainda não escolhi todos os livros que quero ler pro desafio, mas assim que terminar a lista, eu publico aqui.

Ainda falta também publicar o último capítulo do Meme literário de um mês (!).

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Flavia Ruiz Perez January 18, 2011 at 17:42

Eu ainda não li nada do Garcia Marquez, mas vc me deixou com vontade. E que coincidência vc estar lendo Charlotte’s Web! Eu não li (ainda), mas vi o filme ontem e fiquei encantada. Eu já tinha visto um desenho animado da história, quando eu era garota, e agora vi o filme. Já era muito fã da garotinha (Dakota Fanning) e fiquei mais ainda. A voz da Julia Roberts na aranha Charlotte tb ficou tudo de bom. Se ainda não viu, alugue hoje! Bj.

Mi Müller January 18, 2011 at 18:41

Ah Ana essa passagem é mesmo linda demais! Eu adoro Gabriel Garcia Marquez, li Cem anos de solidão quando tinha 13 anos e me apaixonei perdidamente por ele. O amor nos tempos do cólera é uma obra belíssima, já estou ansiosa para ver o que tu vais achar depois que terminar a leitura :)
estrelinhas coloridas…

Michelle Luisa January 18, 2011 at 20:25

Ola,
Gostei do Blog e ja estou seguindo.
Beijos
Mi

Liane Giesel January 19, 2011 at 03:53

Ana.
Nunca consegui terminar de ler Cem anos de solidão. Na verdade não consigo chegar na metade. Minha mãe tentou por 4 vezes a na última vez foi até o fim. Depois disso já o releu 3 vezes. Ela diz que é um dos melhores livros que ela já leu.
Deste autor só li Memória de minhas putas tristes. E eu gostei bastante!

Um beijo pra você e pras meninas.

Elaine January 19, 2011 at 06:56

Ana,
Eu tambem tentei muitas vezes ler Cem Anos de Solidao, ate que sem opcao alguma, qdo estava morando na Asia eu consegui, mesmo assim demorei quase 3 meses, e uma leitura dificil ate +- a metade. Eu tinha que voltar alguns capitulos pra saber quem e quem ou o porque disto ou daquilo… mas ate hoje (mais de 15 anos!) eu lembro de detalhes, com certeza um dois livros mais bonitos que ja li. O Amor Nos Tempos do Colera eu li qdo estava aprendendo espanhol, em espanhol claro! Acho que perdi um pouco da historia, esta na fila pra ler novamente.
Bjs,
Elaine

cida January 19, 2011 at 11:50

Ei Ana,
Eu vi o filme que é baseado neste livro e gostei bastante.
bj

Aline January 19, 2011 at 15:03

Ler, ler, ler…. Nem todos conhecem essa terapia.

Cesar January 19, 2011 at 15:13

Gabriel Garcia e muito bom. Ta na hora de bota-lo no meu Kindle. Leitura obrigatoria.

E a vida segue…

Gleydson January 19, 2011 at 16:15

Olha… Eu li “Cem Anos de Solidão” ano passado. Sensacional! Recomendo muito. O “problema” do GGM é que ele não para. Rerererere… Vai emendando uma coisa na outra e na outra e na outra e na outra… Eu gostei também.

Abraços!

Dani Alencar January 19, 2011 at 19:19

Sério que você não conseguiu ler 100 anos de solidão? Me lembro de ler na adolescência, porra… gostei muito. Mas confesso que sim, era difícil de ler. às vezes era obrigada a retomar e ler de novo vários trechos, quando não páginas, principalmente porque os personagens têm nomes iguais e tals… mas realmente adorei essa coisa de ele intercalar histórias e tempos. Nunca li mais nada do autor. Boa Leitura!

Livi January 20, 2011 at 05:08

Eu tentei ler O amor nos tempos do cólera quando era adolescente mas desisti. Meu marido leu e gostou, aliás ele é fan do escritor. Quem sabe um dia eu tento novamente ler esse e os outros dele que tem aqui em casa.

Vitoria January 21, 2011 at 16:14

Tente ler de novo Cem Anos de Solidao!!! O livro é maravilhoso!! Eu amo o Garcia Marquez!!

Fernanda Fatio January 23, 2011 at 09:42

Eu AMO todos os livros dele. Cem anos de solidão, acho que li no 1. colegial, pra escola. Já reli trocentas vezes.
Amor em tempos de cólera foi um dos primeiros que eu tive… será que ainda tenho? Vou checar depois!

Marta January 24, 2011 at 02:19

Eu AMEI esse livro!!! Aliás, o Gabriel Garcia Marquez é um dos meus autores favoritos!

Amanda & Meninas January 25, 2011 at 15:24

Ai Ana, queria seguir teu exemplo e ler mais…adoro ler, mas o tempo q me resta sempre acabo fazendo outra coisa, ou lendo uma revista mesmo, q adoro. Eu adoro o GGM…adorei esse livro, Cem anos de solidão e o De amor e outros demônios…gosto muito dos escritores latinos…adoro a Isabel Allende tb, essas histórias cheias de detalhes e descrições…bom, vou tentar começar a ler algo pra ver se pego gosto…bjs

Gabriela January 25, 2011 at 18:22

Aninha, esse livro do Gabo (olha só a intimidade!) é sensacional! Eu sempre digo que se um dia tiver que viver um romance de livro, é “Amor nos Tempos do Cólera” na cabeça!!!!! Cem Anos de Solidão também é ótimo, mas recomendo ler também Candida Erêndira e outras histórias e Do Amor e de outros demônios, também muito bons!

bjos!!!!

Luis Narval May 30, 2011 at 15:47

Uma das características do grande autor são suas descrições precisas, alusivas, e por isso mesmo, econômicas. Deixo aqui como ilustração um pequeno trecho de Guerra e Paz, do imenso, insuperável Tolstói. Espero que apreciem, e se puderem, leiam o romance.

“A princesa Helena sorriu: levantou-se, conservando nos lábios esse sorriso imutável de mulher impecavelmente bela com que entrara no salão. No ligeiro roçagar do seu vestido de baile todo branco, guarnecido de hera e musgo, no esplendor das suas brancas espáduas, no brilho da sua cabeleira e no cintilar dos seus brilhantes, avançou por entre uma ala de cavalheiros, e, empertigada, sem fitar ninguém em especial, embora sorrindo a todos, como se assim fosse dando a cada um o direito de admirar a beleza da sua cintura, dos seus ombros cheios, do seu decote muito pronunciado, conforme a moda da época, levando após si, na sua esteira, todo o esplendor da reunião, aproximou-se de Ana Pavlovna.

“Helena era tão bela que não traía a mais pequena sombra de coquetterie; pelo contrário, parecia ter vergonha da sua incontestável, da sua por de mais poderosa e por de mais triunfante beleza. Dir-se-ia ser seu desejo, sem o conseguir, amortecer-lhe o próprio esplendor.

“- Que bela mulher! – eis a frase que vinha aos lábios de toda a gente quando ela passava. Como ao peso de uma estranha impressão, o visconde curvou-se um pouco e baixou os olhos no momento em que ela se instalava diante dele e o iluminava, a ele também, com o seu imutável sorriso.”

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