A área de desenvolvimento web aqui no Canadá é relativamente boa. A julgar pelos anúncios de emprego em sites como Monster e Workopolis, acredita-se que seja bem fácil entrar no mercado de trabalho. Foi exatamente o que eu pensava quando cheguei, apesar de tudo que tinha lido sobre como é difícil conseguir o primeiro emprego. Eu lia os anúncios e minha experiência batia com muitos deles. Achava que não demoraria muito pra conseguir meu primeiro emprego aqui.
Ledo engano. Foram muitos currículos enviados, entrevistas e muitos nãos. Não é fácil mesmo. Os empregadores pedem a tal “experiência canadense”, referências de empregadores locais.
Trabalho voluntário
Paralelo à minha procura por trabalho, fiz um trabalho voluntário numa associação de bairro. Eles queriam um webmaster pra reformular o site deles e lá fui eu. O site que eu fiz ainda está no ar. Bem basiquinho, mas infinitamente melhor do que o que eles tinham antes: uma casinha como fundo do site, aviãozinho passando com banner no céu, fundo que mudava de cor de acordo com a hora do dia (de noite, o fundo ficava escuro, de dia ficava claro), muitos gifs animados. Esse trabalho entrou no meu currículo, era a primeira referência canadense.
O primeiro emprego
Depois de três meses eu consegui meu primeiro emprego. Olhando pra trás, não foi muito tempo. Conheço imigrantes que levam muito mais tempo pra entrar na primeira porta de trabalho. André, por exemplo, levou mais um mês. Eu já tinha mandado currículo pra essa empresa três vezes antes de eles me chamarem pra uma entrevista, o chefe até mencionou isso na entrevista, a minha insistência.
Se você digitar “Web Design Vancouver” no Google, a empresa aparece logo na primeira página. Os caras são bons mesmo! Eu entrei como Account Coordinator, coordenadora de contas. O trabalho era basicamente ser uma ponte entre o cliente e a empresa no desenvolvimento de novos sites e fazer manutenção de sites de clientes já antigos.
Cada macaco no seu galho
Lá tem uma equipe enorme de designers, programadores, representantes de vendas e os gerentes de projeto, o meu setor. O coordenador não faz o visual do site, quem faz é o designer. E por isso eu disse que lá descobri que não sou webdesigner. Designer é SÓ designer. Eles fazem os logos, escolhem cores, fontes, layout. E tudo tem um motivo por trás, não é aleatório, tipo, só porque o cliente gosta de verde o site vai ser verde. Os designers também fazem material gráfico pros clientes – brochuras, planfletos, cartões de visita.
Os programadores são SÓ programadores. E só tem gente cascuda lá. A empresa faz sites de comércio eletrônico, bancos de dados super complexos, sites com segurança, integração de ferramentas já prontas com o design, etc. Os programadores pegam o design e transformam em código. Eles fazem os templates das páginas pros coordenadores inserirem o conteúdo.
E os coordenadores/gerentes de projeto ficam cobrando dos designers e programadores quando o projeto vai ficar pronto. Resolvem pepinos dos clientes, respondem emails, ligam cobrando pendências, fazem orçamentos de serviços simples de manutenção, como inserir uma galeria de fotos no site, por exemplo. São eles que acompanham o cronograma do projeto, o orçamento, pra garantir que tudo vai ser realizado dentro do prazo e orçamento definidos no contrato.
Eu tinha dezenas de contas. Uma agência dessas tem muitos clientes. A minha tinha clientes super importantes, grandes empresas de Vancouver. Foi uma experiência super bacana pra mim, que antes fazia parte de uma organização só e agora lidava com diferentes projetos ao mesmo tempo.
Facilidades da era moderna
Acabou a minha licença em outubro do ano passado e em dezembro voltei a trabalhar com eles, mas de casa. Não sou funcionária deles, é como se fosse prestadora de serviços, freelancer. Com o tempo curto não tenho como gerenciar projetos, mas ajudo na manutenção de sites. Ah, a maravilha do acesso remoto!
Foi um presente dos céus este emprego, com certeza. Todo mundo lá gosta muito de mim e querem que eu volte pro escritório. E eu acho que este dia não está muito longe.
Realização profissional
Eu gosto da internet. Como usuária mais que como profissional, pra ser sincera. Eu faço o que faço porque é o que sei fazer, é o que aprendi a fazer e é o que, modéstia a parte, faço bem.
De forma alguma foi a carreira que eu escolhi trilhar. E por isso não sei dizer se sou realizada profissionalmente. Acho que ainda não. Não é o tipo de coisa que quero fazer até me aposentar, por exemplo. Além disso, é uma área que requer atualização constante por parte do profissional, já que a web muda a cada segundo, todo dia tem novidade. É cansativo.
Acho que nunca é tarde pra mudar o rumo da vida. Agora com esse curso eu vejo isso e percebo uma janela muito grande de oportunidade na minha frente. Vai requerer muito esforço, mas eu preciso tentar. Se não der certo, paciência, eu ainda sei mexer com web. Mas não quero simplesmente deixar passar e me acomodar no que já conquistei até aqui.
São novos capítulos da minha vida que começam a ser escritos.
***
PS: Estou tentando responder os comentários no próprio blog, viu! Já respondi alguns dos últimos dias.











{ 7 comments }
Ana, concordo com vc, nunca é tarde para recomeçar. Atualmente isso está mais presente do que nunca na sociedade.
Tb tenho lá meus rolos: formada em pedagogia, trabalho no setor financeiro de uma empresa, não contente estou fazendo um curso para atualizar meu inglês pois é com isso que quero trabalhar.
Só o tempo dirá onde vamos chegar! Beijos
Nossa, Ana. Este seu post foi uma baita inspiração para mim. Eu trabalho com finanças, em uma empresa automobilística. Um trabalho de sonhos para muitos, mas não para mim.
Quero muito fazer algo que me de satisfação. Eu até gosto (e faço bem o meu trabalho), mas é aquela coisa…
Não é o meu sonho.
Eu torço para que dê certo para nós duas.
Um grande beijo, Andrea.
Oi Ana,
Realmente, a luta pelo primeiro emprego não está sendo fácil, mas imagino que seja apenas o primeiro passo rumo a nova vida que escolhemos.
Obrigado pelas dicas!
Bjs,
Flávia
oi Ana,
Eu também estou em processo de redirecionamento de carreira… “processo” pq eu ainda nao sei no que nisso finalmente vai dar, entao vou deixando as aguas rolarem… Sou dentista no Brasil mas aqui em Montreal estou estudando enfermagem. Eita, só o tempo mesmo vai mostrar os melhores caminhos. Abraço
Raquel
Acho que devemor abrir a mente para as coisas novas e experimentar o que for possível, só temos essa vida para conquistar nossos sonhos, então, temos que ir até o final buscando…
Bjs, saudades…
Legal Ana! a vida sempre nos possibilita mudanças de rumo, nos mostra caminhos que podem ser trilhados nos trazendo muita felicidade, vc está investindo nestas oportunidades e vai encontrar satisfação naquilo que procura. O mais importante : vc é nova e tem pelo menos uma década inteira pra se encontrar nesse caminho e se aperfeiçoar. O tempo pode ser um aliado.
Entendi que o Lucas é um desses “cascudos”, ele tbém diz que não é pra vida inteira e que tudo muda todo dia, tem dias em que ele “frita o cérebro” com algum projeto novo, fica mentalmente tão exausto que não quer nem dirigir, chega em casa e fica no joguinho dele (no computador é claro!) mexendo no personagem que ele ‘cria’ lá no mundo dele. Já sei que ele tá cansado, nem pra comer ele se anima…
Eu não entendo nada do que ele me mostra que tá fazendo, só sei executar o que ele comanda lá no meu blog, ainda assim sou só uma executora teleguiada, kkkkkkk! Ele sempre repete: é fácil mãe presta atenção, olha aqui, mas eu não vejo o que ele vê!!! kkkkkkkk!
bjs Tine
Bjs
Tine
Ana,
Voce esta pegando trabalhos? Tem uma conhecida minha (conhecida pela internet) procurando um web-designer e eu lembrei de vc. Se tiver interesse me avisa pra eu passar pra ela o teu contato.
Beijo,
Lu
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