Carta para Alice – mês vinte

14/06/2010

in A,Cartas,Maratona

Lindinha da mamãe,

Cadê o meu bebê? Você viu ela por aí? Aquela neném rechonchuda, dependente, sabe quem é? Porque ela sumiu, a menina que está morando com a gente é grandona, sapeca demais, independente – até demais pro meu gosto.

A menininha que tem aqui em casa entende tudo do mundinho que a cerca. Tu-do. Quando eu saio pra levar a Laura na escola, essa menina já vai andando pelo corredor sozinha, desce a escada. Entra no elevador, sai do elevador e anda pela garagem direto pro nosso carro. Ela também conhece o caminho de volta, vai direto pra nossa porta. Quando entra, ela senta pra tirar o sapato e se contorce toda pra tirar o casaco.

A mesma menininha, que substitui aquela neném que um dia morou aqui, fala pelos cotovelos, como a Laurinha. E a cada dia ela fala mais coisas, em português. Ela canta também. Coloca o linguão pra fora e canta “la, la, la”, no ritmo da música, pra orgulho do papai. Diz ele que essa menina é tão afinadinha como a irmã dela. Até “nana neném” ela canta! E recentemente aprendeu a cantar a música do Boi da cara preta. Vive pra cima e pra baixo cantando “Bo, bo, boi”.

Essa menina também adora tomar banho. Principalmente se for junto com a Laura. É só falar de banho que ela sai correndo pro banheiro e começa a tirar a roupa. Mas ela não gosta de lavar o cabelo. Foge de mim dentro da banheira na hora de enxaguar o cabelinho, que está enorme, diga-se de passagem.

Ela ainda não tem muito tato pra lidar com outras crianças da mesma idade que ela. Um dia desses a levei pra um programa do governo, para crianças pré-escolares. É dentro de uma escola, tem uma salona com crianças até 5 anos e os responsáveis. E tem educadoras que fazem atividades com as crianças, tem muitos brinquedos também. A menina que está aqui em casa ficava morrendo de ciúmes dos brinquedos, não deixava ninguém chegar perto dela pra brincar. Ela está precisando de uma aulinha de boas maneiras e convívio social, eu acho.

Até bem pouco tempo, a menina não dava a mínima bola pra televisão. Até que eu coloquei o DVD do Cocoricó pra ela ver. Ela ficou vidrada na hora. Desde então, ela chora se não tem Cocoricó na telinha. “Có có có”, ela resmunga, manhosa, e aponta pra TV. Ela também gosta da Dora. Ama os pijamas que tem com a personagem estampada na blusa! Por algum motivo desconhecido ela a chama de “Abebiá”, deve ser algum dialeto local que essa menina fala, só pode. Chique ela, né? Bilíngue.

A minha bebê se foi. E a verdade é que estou adorando essa menininha na qual ela se transformou. Ela é tão divertida, impossível não rir com as gracinhas que ela faz, com o seu riso franzido, que esconde os olhinhos. Ela brinca de adoleta, faz high-five, brinca de pega-pega, de esconder. Ela chama “Mamaí” e “Papaí”. Ela come sozinha, adora carne. Ela me imita passando creme no rosto. Ela ama a Laura. Ela se encanta com o mundo ao seu redor, e eu me encanto por tabela, redescobrindo a magia de todos os singelos espetáculos que a vida nos proporciona.

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{ 11 comments }

Michelle June 14, 2010 at 15:10

Linda a cartinha da Alice! Impossível não se emocionar!! Parabéns, Ana! Beijos, Michelle Velloso.

Simone June 14, 2010 at 15:17

Ela realmente gosta da “Abebiá”. E vc esqueceu de falar que essa menininha quase troca a fralda sozinha, o dia que a troquei, ela ja foi pra cama se deitou e pegava as coisas e me entregava na ordem certa kakakakak.

Isabela June 14, 2010 at 17:56

Que lindinha, toda independende! Deve ser uma fase mto boa essa! Bjs

Cristine June 14, 2010 at 18:54

Que texto mais lindo e emocionante, a carta é para Alice que vive muito unida a Laura, duas personagens principais! O amor é sentimento que nos distingue de tudo o que existe nesse mundo…Bjs

César June 14, 2010 at 19:44

Que maravilha ver esses nossos filhotinhos se desenvolvendo, essa magia maravilhosa bem à frente de nossos olhos. Que sua princesa siga dando alegrias a todos vocês e que Deus a abençoe sempre.

E a vida segue…

fernanda June 14, 2010 at 20:52

Que linda essa experiência que vc vive, to sonhando com o dia em que tiver minha cabeludinha…SONHANDO LITERALMENTE…rsrrs…

Xris June 15, 2010 at 05:23

Pois é né?! Os bebês crescem… Rápido demais!!! Aproveita bem, tira bastante foto… Curte intensamente… Faça um bom arquivo de memórias… É o que vai restar…

Bjs, saudades…

Mônica Japiassú June 15, 2010 at 05:32

Como sempre, mais uma linda carta! Inspiradora! :)
B-jim!

Luciane June 15, 2010 at 05:43

Muito fofaaaaa!
Linda …oh coisa boa, o dia fica tão mais leve com esses pequenos!
Beijos Lu.

Geraldine June 16, 2010 at 11:46

Meu Deus, que saudades que esses bebês deixam! É tudo o que gente quer mesmo – tem até uma propaganda que tem essa frase: que eles cresçam muito e que eles não cresçam, nunca! Ela tá tão parecida contigo, Ana… Beijocas verde-amarelas!

Daniele Kuntze June 17, 2010 at 15:02

Às vezes parece maldade com as mães, mas eles precisam crescer e descobrir o mundo. Tenho vivido tudo isso com o Daví, ele é super independente e cada dia tem mostrado que gosta de ser assim. O convívio dele com outras crianças está muito difícil, se houver um grupo de crianças e um adulto, ele brinca com o adulto. O pediatra sugeriu colocarmos ele numa escola, mas acho que está cedo, ele é muito pequeno.
Eles vão crescendo, mas ficam miudinhos dentro de nós. Agora entendo, pq meu pai me trata feito criança!
Beijos prima!

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