Essa fase nova da Laura na escola está sendo bem interessante. É uma experiência diferente pra mim, pra ela também. Desde as primeiras reuniões antes mesmo das aulas começarem, ela já conheceu algumas meninas da turma. Antes de setembro ela vivia falando em uma delas, que seria amiga dela, que chamaria pra festa de aniversário.
Aí as aulas começaram. Laura voltava pra casa todos os dias falando das amigas novas. E logo surgiu o papo de ir na casa das amigas. Ela saía combinando com as meninas quem ia pra casa de quem e quando. E eu dizendo pra ela que não era assim, que as mães das meninas tinham que combinar comigo primeiro. Eu até troquei telefones com algumas mães, mas nunca surgia a oportunidade de combinar uma visita pras meninas brincarem.
E Laura me cobrava. E chorava. Um dia veio chorando no meio da rua porque uma das amigas tinha ido na casa da outra e ela não foi, e ela queria ir. E depois essa menina não queria mais papo com a Laura. E Laura ficou triste porque não tinha mais amiga. Coisa de criança.
E eu fiquei triste por ela. E sem saber como lidar com a situação. Minha filha estava triste, estava se sentindo rejeitada. Mas a gente não tem como obrigar alguém a ser nosso amigo, né? Difícil. Eu só conversava com ela pra não ficar triste, que a Riya ia voltar a ser amiga dela.
Um dia comentei com o pai dela, numa manhã, levando Laura na escola. O pai ficou surpreso e não sabia. No dia seguinte as duas já se falavam. E voltou o papo de ir pra casa uma da outra. Só que a Riya ia viajar. Então Laura se juntou de novo com a Katelyn (que também era amiguinha da Riya).
Numa segunda eu falei com a mãe da Katelyn sobre as duas brincarem juntas e ficou meio que combinado do encontro na sexta, mas ela ia me ligar pra confirmar. E nada da mulher me ligar. E a Laura falando a cada cinco minutos que “a Katelyn vai vir na minha casa na sexta, né mãe?”.
Chegou a sexta e a mãe dela não ligou. Laura parecia conformada. Depois do almoço a moça me liga, pra trazer a menina na minha casa. Laura ficou nas nuvens!
E brincaram a tarde toda, vestiram fantasia, pintaram desenho, assistiram filme. Katelyn ficou encantada com a Alice e queria brincar com a neném o tempo todo. Laura ficou enciumada e queria mandar e desmandar na menina. Como essa minha filha é mandona!
E eu fiquei me sentindo estranha, tentando absorver essa nova experiência, a nossa nova realidade. Fiz o lanche pras meninas, mas não conseguia levar a vida “normal” da casa. Estranho. Mas divertido. Foi a primeira amiguinha que veio aqui. Estranho falar inglês dentro de casa, falar inglês com a Laura ou com a Alice. Muito estranho.
A mãe da menina veio buscá-la, e assim que a Katelyn saiu a Laura já estava falando da próxima vez. Agora, vamos esperar a Riya voltar da viagem pra marcar com ela também.








{ 14 comentários… leia abaixo ou deixe um }
Ana,
Desde o ano passado que observei o quanto as crianças aqui esperam ansiosamente pra terem o que eles chamam de “Play date”. O ano passado, mesmo morando em um espaço pequeno, a primeira vez que o fiote teve a visita de um amigo em nossa casa, ele quase morreu de tanta ansiedade nos dias que antecederam e ficou nas nuvens depois.
Agora, quase toda semana tem amigos aqui depois da aula e tambem ele vai pra casa dos amigos. Eu acho muito legal . O lance e combinar com as maes antes.
Na escola do fiote, conheço crianças que tem dias fixos de irem pra casa do amigo e o dia de receber os amigos em casa. Ai no dia marcado, a mae que vai receber e que pega a criança na escola. Isso acontece tambem com os K.
Na minha opiniao, e uma pratica legal para que as crianças possam solidificar as amizades, e os pais fazerem novas amizades tambem. Hj tenho varias maes amigas que começaram a partir dessa pratica.
A Laurinha ta certa, essa foi a primeira vez de muitas.
Bjim, neuzinha
Ah, Ana, vai dizer que a informalidade do Brasil não faz falta nessas horas? Burocracia pra criança brincar já é demais pra mim! kkkkk Imagino como Laurinha sinta, acostumada ao calor e informalidade aqui do Brasil… Vou mandar Rafa e Juju praí pra brincar com ela! rs
Oi Ana, que legal essa experiência da Laurinha. Amizade é fundamental e parece que ela já sabe da importância que é solidificar uma (ou algumas). Eh muito bom receber amigos em casa sim, principalmente quando estamos longe da família, dos primos, etc. Será a primeira de muitas mesmo, pode ter certeza!
Bjs.
Ana, a Letícia tb me cobra muito pras amiguinhas da escola virem aqui, mas ainda não “rolou”… Amiguinhas do prédio ou do prédio vizinho já vem de vez em quando… Mas como elas gostam e curtem, né? Acho que esse é só um começo, e daqui pra frente essas visitinhas vão se tornar cada vez + constantes. É a vida social das nossas pequenas… hehehe
Nossa, Ana, fiquei angustiada só de ler porque ainda não cheguei lá, mas não falta muito… Deve ser estranho mesmo. Já pensou? Ficar assistindo a toda uma vida social do filho que não foi você que criou, amigos que não foi vc que escolheu… E ver a personalidade do filho com essas pessoinhas novas: mandona, submissa, meio-termo… Deve ser espantoso mesmo. Boa sorte… Pra nós todas.
Oi Ana…
A nossa ainda está bem longe dessa fase, e já fiquei me imaginando nessa situação, deve ser algo bem “único” passar por isso… As decepções delas, as descobertas, as interações…
Muito bacana o relato !!
Até mais…
Que ótimo ver as novas amizades serem formadas. Muito legal. No começo a gente deve ficar meio perdido mesmo, mas tudo se ajeita.
E a vida segue…
Pois é, Laurinha um ser social!!! Hahaha!!
É daqui pra pior… ontem mesmo estava na casa de uns irmãos da igreja, com filhos de 20 e poucos e tb 16… Já batizados tem o rapaz de 16 e a jovem de 21, e tem mais um, de 23, se não me engano, que já tá no caminho da conversão… Mas fica todo mundo junto, nos grupos das meninas e dos meninos…
Só que é tanta amizade que o pessoal agora vive lá na casa deles, foi pro culto, passa lá depois… Ontem conversamos com alguns dos jovens para diminuir um pouco essas idas lá, porque embora os pais adorem a mocidade, queira todo mundo junto… Essa visita constante tira a liberdade né?!
Mas espero que Deus te dê luz para conduzir todas essas novidades, principalmente em relação às decepções e tristezas que a Laura vai levar pra casa de vez em quando…
Bjs, saudades!!
Olá!
Passando pra pesquisar umas coisas no seu blog. Ainda não tive tempo de olhar a fundo, mas estamos com uma dúvida matando a gente. Aparentemente as escolas elementary são entre 8:30 e 15:00 e se quisermos trabalhar, as crianças vão ter que ficar em um after school care. Como vocês estão lidando com isso?
Abraços
Pê, no kindergarten é pior ainda, são só 2 horas por dia. Na escola da Laura eu dei sorte que a turma dela é combinada com o grade 1, então ela sai ao meio dia, ao invés de sair 11:00. Pros pais que trabalham fora precisa sim colocar num after care, que é particular. Se eu precisasse pra Laura, seria 500 dólares por mês. Mas eu não estou trabalhando. Quando voltar a trabalhar vou ter que colocar no after care, não tem jeito.
Ana, lendo essa história fiquei pensando que deve ter um componente cultural nessa tua “estranheza”, tendo que falar inglês em casa e tal. Porque é uma infância diferente da tua, é uma realidade diferente. Por mais que você tenha a convicção que mudar pro Canadá e criar suas filhas aí seja o melhor pra elas, na hora em que essa realidade toma forma em coisas sobre as quais a gente não tem controle dentro deste contexto (como as amizades que sua filha faz, por exemplo) e ele é diferente do nosso a começar pelo idioma, acho que deve dar mesmo uma sensação estranha. Mexe um pouco com a identidade da gente eu acho. É você ver sua filha, que é parte de você, mesclando uma identidade brasileira com uma identidade que já é natural pra ela, mas com a qual você não cresceu. Você escolheu MORAR no Canadá, embora não haja nada na sua identidade que te ligue ao país. Mas suas filhas estão crescendo neste contexto e adquirindo naturalidade dentro dele, o que passa a ser parte da identidade delas.
Não sei se estou fazendo algum sentido… Mas enfim… Isso é algo que me passa bastante pela cabeça. com relação a criar filhos no exterior. Porque dá uma sensação estranha mesmo. Conversamos sobre isso se você está lembrada. Mas faz parte, né, Ana? No fim, o que importa é ver o sorriso na carinha dela, contente com a experiência que está vivendo.
Fez todo sentido, Patty. É isso mesmo, elas vão crescer com a realidade daqui. E eu acho que vou acabar me acostumando, porque vai passar a ser a minha realidade também – a de ser mãe de crianças que estão crescendo na cultura canadense. É uma fase nova, cheia de aprendizado tanto pra eles como pra nós, adultos.
Que coisa mais gostosa de ouvir!!! É assim mesmo, nós ficamos vendo elas crescerem e nunca sabemos exatamente como aconselhar. Agora que sou vó entendo melhor a cabecinha das crianças pois acho que estou me comportando igualzinho a elas.
Precisamos nos colocar no lugar delas e muita das vezes falar exatamente igualzinho a elas.
É marvilhoso ser mãe e muito mais ser avó!!
Pode deixar que vou me policiar para não atrapalhá-los na educação delas.
Beijos!!!
Ana,
Minha casa sempre teve muita amiguinha da Hellen, desde que ela estava na creche. Qze todo fim de semana alguma amiguinha ia lá. Nunca mais de 2 porque sempre dava confusão.
Quando Hellen entrou na escola a casa vivia mais cheia ainda porque eram duas turmas que se revezavam nas visitas: a turma da creche e a da escola. Eram dias divertidos, mas como vc citou, a minha rotina não era a mesma. Eu ficava o tempo todo tentando sondar o que estavam fazendo, pois tinha muito medo de que acontecesse alguma coisa com as crianças dentro da minha casa.
Aqui no Brasil Hellen sente falta disso, sempre cobra de mim, mas vou deixar a gente se mudar, termos nossa casinha só nossa, com amigos que vão ficar com ela por muito tempo para começar a ter a bagunça novamente.
Beijos