Carta para Alice – mês doze

20/10/2009

in A,Cartas

Filhota,

A carta de um ano chegou atrasada. Mas foi por um bom motivo. Seus avós chegaram um dia antes do seu primeiro aniversário. Foi o maior presente que eles puderam te dar: a sua presença. No aeroporto você estranhou um pouco, não quis ir no colo do vovô. Mas nada que meia hora não resolvesse e você logo se derreteu com o chamego da vovó e do vovô.

Mas deixa eu falar um pouco do que aconteceu antes deles chegarem…

Eu pensei que você estaria andando já com um aninho. Você até ensaiou uns passinhos pouco depois de completar 11 meses, mas foram só aqueles dois e nunca mais. Você ainda não se sentia segura pra ficar de pé e só queria engatinhar. É a lei do menor esforço.

Porém, durante a visita dos vovôs, você andou. :) Ainda mais engatinha do que anda, mas já arrisca uma distância maior e fica toda alegre com a nova façanha. Agora só quer ficar de pé, agarrando nas coisas pra poder andar.

Você é uma matraquinha. Fala o tempo todo. O seu vasto vocabulário inclui dada, baba, bata, táta, e várias outras coisas ininteligíveis. A sua expressão ao falar é hilária. Parece que conversa mesmo, até aponta o dedo, levanta sobrancelha e fala com entonação. Conversa mesmo. Um barato!

A Laura ganhou um novo nome. Antes era Áu-a, mas agora virou Táta. E como você ama a Táta! Ao acordar, faz a maior festa quando ela vem brincar com você. Quando vamos buscá-la na escola, você grita, seu olhinhos brilham e você estende o braço dentro do carrinho pra pegar a mão da sua irmã.

A sua nova fixação é com cabelo. Adora puxar o próprio cabelo e o dos outros também. Já sabe usar a escova pra escovar as lisas madeixas, apesar de às vezes usar o lado errado da escova. Pra dormir, você puxa o seu cabelo, parece que vai arrancar. E se eu não estou com o cabelo preso, você entrelaça os dedinhos entre meus fios soltos. Presilhas, fitas e gorros não param na sua cabeça, você logo tira.

No mês passado você aprendeu a dar a língua. Põe pra fora e pega, babando tudo. Já apontaram mais dois dentinhos também, embaixo.

Foi de repente que eu descobri que você sabe subir escadas. Foi no hotel perto de Seattle que você subiu seus primeiros degraus. Ajoelhada, perna após perna, direitinho. Adorou a brincadeira. Depois queria descer, mas eu não deixei. Dias depois repetiu a dose no pátio de casa, só que a nossa escada é de cimento. Mas você não se intimidou com o chão frio e subiu degrau por degrau.

subindo-escada

Eu tento registrar cada momento, cada etapa do seu desenvolvimento, sabendo que este tempo não vai voltar. A minha memória já está fraquejando, tento me agarrar a toda memória que crio da sua infância. Sua irmã já é grande e tem tanta coisa de que já não me lembro mais. Digo a mim mesma para curtir tudo, todos os dias. Na correria do dia-a-dia às vezes deixo passar, ignoro observar o milagre que é o seu crescimento. Como se fosse viver neste momento a vida toda, mas a vida passa, o tempo passa, as crianças crescem. Não há repetição, a chance é uma só.

O seu primeiro ano passou. Que venha o segundo!

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