Eu quase não escrevo mais sobre a minha primogênita. É verdade que as mudanças na vida de um bebê são muito mais numerosas do que o desenvolvimento de uma criança maior. E eu já escrevi MUITO sobre a Laura. Tenho que escrever sobre Alice também, né?
Todavia, não posso deixar de registrar como a Laura está mudando. Essa fase dos 5 anos está tão interessante. E, diferente do bebê, eu não percebo tão nitidamente as mudanças da Laura. Quando vejo por mim ela já é diferente. Digo é pois a mudança, certamente, não é temporária. E, sinceramente, às vezes me assusto com elas. O tempo é cruel e não para mesmo, então só me resta curtir muito cada momento, cada fase. Agora.
Laura cismou que quer aprender a jogar vôlei. A vontade veio de um passeio que fizemos com amigos da igreja. Eles têm 2 filhas já adolescentes e quando saímos juntos, Laura é a única criança. Semana passada saímos junto e mais 2 jovens estudantes. Eles foram jogar bola e a Laura foi atrás. É um barato porque as meninas adoram a Laurinha e dão a maior atenção. Mas, você já foi adolescente e sabe que tem hora que cansa ficar dando papo pra criança. Normal. Mas eu vi ela lá no meio da garotada, tentando brincar com a bola. Depois, veio pra mim chorando, dizendo que eles não queriam mais brincar com ela. Tadinha. Me partiu o coração. Dias depois, em casa, ela pediu pra eu ensiná-la a jogar vôlei. “Porque eu quero brincar com as meninas grandes”. Olha só, a minha menina já se enfiando no mundo das “meninas grandes”! E rebatia a bola diversas vezes e chorava quando eu dizia que não ia mais brincar. “Você tem que me ensinar, mãe!” Então, ontem fomos lá no parque, onde tem mais espaço pros saques errantes da minha pequena atleta.
Tem horas que a rebeldia bate aqui na porta. Quando contrariada, às vezes, sai em disparada pro quarto, bate porta e tudo. Faz um drama homérico, choraminga aquele choro seco, manhoso. E eu me divido entre confortá-la e manter a pose de “onça” (né, mãe?), porque pai e mãe têm que educar, estabelecer limites. As crianças esperam isso da gente e ela tem que aprender desde cedo que nem tudo é como ela quer.
Ela já está super independente. Adora dizer que sabe fazer tudo sozinha. Já põe o cinto de segurança sozinha. Escova dente. Toma banho. Tem horas que bate o momento bebê e quer que eu ajude. Acho que essa dualidade entre novo demais pra uma coisa e velho demais pra outra ainda vai existir por muitos anos. Acho não, tenho certeza, porque eu ainda me lembro quando eu mesma ainda não sabia ao certo meu lugar no mundo.
Laura adora falar inglês. E agora estou começando a sentir na pele a dureza que é manter a língua mãe em casa. Todo mundo já tinha me alertado e o trabalho está apenas começando, eu creio. Quando perto de outras crianças, mesmo brasileiras ou filhos de brasileiros, ela só fala inglês. Em casa, vira e mexe, fala em inglês comigo e com o pai. Ou então mistura, numa frase ela coloca uma ou duas palavras em inglês. Eu brigo, insisto, finjo que não entendo, forço-a a falar em português (foi o que me sugeriram fazer). Tem horas que ela não lembra a palavra em português, como ontem. “Eu não quero ver mais o Treehouse (canal de TV de criança) porque é boring”. E o que é boring, Laura? “Boring é… que eu não quero ver”. Não, Laura, boring é chato. O Treehouse é chato, né?
Um parêntesis. Novamente a questão do novo versus velho. O Treehouse só passa desenhos e ela SEMPRE assistiu. Mas agora cismou que quer ver o Knowledge, que é tipo um canal educativo e passa programas infantis e de adulto. Até os programas de adulto desse canal ela quer assistir. Bem, minutos depois ela voltou pro Treehouse!
Voltando ao debate do idioma, é engraçado porque ela também constrói frases em português com a estrutura de inglês. “Vou pegar aquele pequeno caminhão” (little truck). Ela não fala caminhãozinho, que é o certo. “Não ainda” (not yet). Quando a gente conversa com ela e insiste pra ela falar português, tem horas que ela para e pensa e quase gagueja. A gente vê que a cabecinha dela está tentando traduzir pra português o que ela quer falar em inglês. É interessante, mas ao mesmo tempo meio assustador. Eu não quero que ela perca o português.
Voltando pra televisão. Ela está viciada. Se chega da escola já liga a TV. Acorda já vendo desenho. Eu estou estabelecendo um tempo de tarde pra TV e depois desligamos e digo que só vamos ligar de novo quando o pai chegar do trabalho. Ela fica ansiosa, perguntando se já pode ligar o aparelho. Eu sei que via muita TV também, mas também brincava. Como Alice ainda não a acompanha nas brincadeiras, ela fica meio sem opção. Eu não quero que ela fique sentada o dia inteiro no sofá vendo TV. Ela diz que não gosta de brincar sozinha. Tento brincar um pouco todos os dias, mas também não consigo só dar atenção pra ela. E ela tem me cobrado! Pede o tempo todo pra brincarmos juntas… mas não dá, né? Um pouquinho, tudo bem, mas tenho outras coisas pra fazer na casa e nem sempre dá pra largar tudo pra sentar no chão e brincar. Difícil, viu!
Apesar dos desafios, essa fase está super divertida. É tão gostoso ver o filho da gente crescer, ver que eles estão começando a andar com as próprias pernas. É fascinante. Eu me pego rindo às vezes das coisas que ela fala, me surpreendo com o seu raciocínio, a sua lógica, o seu senso de justiça. É cansativo, mas é tão gostoso!
E vocês aí que têm filhos maiores? Sentem saudades dessa fase? O que me espera pela frente?









{ 21 comentários… leia abaixo ou deixe um }
Puxa eles crescem mesmo, mas é difente..quando nos damos conta já estão mais independentes, falando coisas que nem sei onde aprenderam!
A Laura tá linda, as fotos estão demais!
Oi Ana!
Puxa nem me fale, desde que a Isadora nasceu(10meses) eu notei que o Arthur(5anos) está cada dia mais independente. Acho, que como não temos mais tanto tempo para eles, acabamos delegando mais coisas para eles fazerem e nisso de certa forma eles ganham.
Mas, do outro lado ficamos espantados de como eles cresceram rápido e de como eles estão virando nossos companheiros cheios de personalidade e desejos próprios.
Aqui em casa também percebo muito o novoXvelho, não é nada fácil, mas é muito gostoso…esses filhos são tudo o que há de mais lindo em nossa vida!
Ah! As fotos estão lindas…Laurinha uma figurinha muito fofa!…Beijos…Lu.
eu tb sinto saudades da minha menina bebê, pois considera a Ana minha menina mocinha, como sempre digo a ela. ana está quase com 6 anos, querendo muito crescer e se tornar adulta. Escrevi sobre isso tempos atrás no blog….mas sem dúvida ela me dá bem menos trabalho do que quando era bebezinha…se dá saudade? Dá sim mas acho muito legal acompanhar todas as fases dela, curto na medida do possivel toda sua atual independencia, seu cuidado (de mãe) com a caçula, seu jeito quase adulto de conversar comigo, expor seus problemas suas alegrias…bom demais!
que delicia de fase né?! A minha primogenita está com 03 e meio e tb é cheia de vontade de ser independente!!! linda a Laura!!! bjksss
Enquanto eu ia lendo ia pensando: Meu Deus, é igualzinho com o Miguel. Nossa, essa fase é dificil. Eles querem mandar, querem nos driblar! E ao mesmo tempo querem atenção também, ainda mais com um bebê em casa, né? Acho que isso, de virar o irmão mais velho da casa evoluiu muito ele, ele percebeu que nada do que ele faz são coisas de bebê. Então pensa que ja é grande, rsss…
As fotos tão lindas!!!! A Laura é uma fofa!
Bjs
Delícia de post. Encontro muitas semelhanças entre as nossas mocinhas, não só por terem a mesma idade, mas por estarem passando pela mesma situação–acabaram de ganhar um irmãozinho, vivem n’outro país, etc. Quer marcar um playdate?
Não fosse a distância… heheh
O dualismo novo x velho é constante aqui em casa e aumentou depois que o bebê chegou. A TV também rola muito por aqui, e, apesar de eu não me importar, tento limitar o seu uso desligando-a sempre que a Estela está fazendo outra coisa até porque chega uma hora que o barulho irrita. Quanto a questão do idioma, não sigo nenhuma metodologia. Em casa só falamos o português e deixamos ela livre para se expressar da maneira que deseja. E olha que ela tem falado bastante a língua minoritária.
O que eu pretendo fazer devagar é introduzir o português de maneira formal, com o auxílio de livros didáticos e outros materiais. Sei que não vai ser fácil, santo de casa não faz milagre, mas vou tentar, procurar estabelecer metas realistas. A ver…
As fotos são lindas e a filhota, uma simpatia!
Ana cada crianca é um caso e apesar de nós temos uma arma que as outras familia biligues nao tem, o português dentro de casa, com a Laura pode precisar de mais alguns incentivos. Que tal no lugar da Tv normal uns DVD em português?
Na minha opiniao vc deve insistir mesmo e lembrar que quando a Alice vai precisar também, pois o português de vcs com a Laura será um referencial para ela também!
Essa coisa de gramatica destruida está acontecendo aqui também, mas tenho certeza que isso também é fase e vai passar é só praticar.
Ana eu acredito de verdade que todas essas dificuldades agora sao totalmente superáveis se a gente tiver muita paciencia e firmeza pois no final a gente só terá a ganhar com uma crianca bilingue de berco!
Reconheci a Manu em alguns pontos – tirando a questão da língua. Gostei da sugestão da Ciça em disponibilizar pra Laura alguns dvds em português. Se quiser, posso te ajudar, te enviando. Enquanto isso, a Manu fica direto pedindo pra assistir HSM em inglês. Vai entender! Esse lance de brincar sozinha e da tv é meio complicado, tenho passado com a Manu, já que Chiquinho ainda tá pequeno coisa e tal. Mas jogos de tabuleiro ajudam um pouco, porque trabalham a concentração da criança e você pode ficar sentada com Alice por perto e dando atenção às duas. Ufa! Bjs
Paula, a Laura é como foi você… Irmã mais velha, que queria crescer, e sofria com o “ser velho demais para umas coisas e novo demais para outras…”
Mas vc tá aí, grande… Conseguiu… Ela vai chegar lá tb!!!
Bjs, saudades!!
Uma fofa!!!
Apesar das diferenças muitas coisas são iguais… tenho notado as diferenças quando vejo Rebeca com as amiguinhas… e as semelhanças… ela estava falando de uma maneira estranho… meio assumindo uma ‘persona’ e outro dia passando tempo com várias crianças da classe descobri que é fase… todas falam igual.
O gênio aqui anda bem difícil… vejo muitos bicos todos os dias…
E você tem TODA razão… eles querem limites/rotina/diretrizes, é muito importante. Adorei a expressão ‘pose de onça’!!!
Laurinha está linda e as fotos tb!!!
Ana, como esta criançada se desenvolve rapidinho, né ? fico olhando com muita saudade as fotos de Giovanna qdo bebê, suas roupinhas e brinquedos… bate uma nostalgia, já toma banho só, escova os dentes, faz seus penteados e solta cada uma de vez em qdo (rsrsrsr). Os filhos não deveriam crescer tão rápido.
Ana,apdD.
Muitas vezes me pego lembrando de quando tínhamos bebes em casa.O tempo voa.
Vou te dar um pequeno conselho,aproveita tudinho que vc esta vivendo.
É uma fase maravilhosa e especial acompanhar o crescimento da nossa cria.
Tenho duas meninas,Debora de 9 e Isabel 8 anos.
Bjnhos para vcs.
Com carinho.
Faz tempo que nao comento aqui, mas tenho pensado muito em vc…alias deveorei seu blog esses dias relendo seu relato de parto…..heheheh
O meu esta chegando…..aiaiiaiai…….depois te conto como foi…..
As meninas estao lindas e me diverti com esse post…..coisas de mamae….
beijos e fiquem com Deus
Barbrinha & Bebejinho
Ana, essa fase dos 5 anos é mesmo uma fase diferente.
A minha Laura já vai fazer 5 e a vi no seu post.
Ama uma tv e se deixar fica o dia todo.
Se fica irritada com algo corre para o quarto e bate a porta! Vc vai ver quando a Alice estiver do tamanho do Antonio…além disso, ela vai querer entrar no quarto da Laura, bagunçar e a Laura vai ficar brava, brigar. Não é facil.
Mas deixa saudades, certeza.
Bj querida!
Não dá nem pra dizer o que te espera quando elas ficarem grandes de verdade!!
Tem horas alegres de grande emoção, mas também tem muito choro e aflição.
Curta bastante as duas igualmente. Divida-se em mil pedaços, esforça-te e tenha bom ânimo pois mais é feita de um material divino.
Deus é perfeito!!
No final tudo dá certo!!
Beijos!!
Ana, suas fotos estão cada dia mais lindas. Gostaria tanto de saber fotografar tão bem assim…
Beijos.
COmo a Laura tá mocinha. Uma graça. Essas princesas estão cada dia mais maduras. bjs
É tão gostoso ter essas duas fases distintas em casa né? uma descobrindo o mundo e a outra ficando mocinha. Aqui então, Luiza quer ser igual a Bellinha, q já vai fazer 7, então não se conforma de não ler, escrever e se força a aprender, quer dizer, nos força (eu e o pai) a ensiná-la a montar as palavras. E rola uma competição enorme em tudo. Mas é tão divertido. Do idioma, não acredito que ela perca o português. Minha madrinha é italiana e até hoje só fala italiano com os dois filhos que já tem mais de 35 anos (e os dois nasceram no Brasil). As fotos estão lindas, a Laura é um encanto, um olhar tão doce….beijo grande
Ela tá LINDA! e o tempo passa muito rápido
Oi Ana!
O tempo voa e a saudade fica mesmo, né? Não tem jeito…
Meu sobrinho mais velho está com 4 anos e meio, também é viciado em Tv e às vezes quer uma atenção que a gente não pode ou não tem paciência de dar por muito tempo, justamente porque não quer qualquer atenção! Não basta fingir que está brincando, ele quer envolvimento total! As vezes cansa, mas é muito gratificante e empolgante ver a transformação dele!
A Laura está linda! Ele tem um sorriso tão gostoso!!!
Beijocas
Oi Ana…
Esse seu post me fez pensar muito… Agora que já demos entrada no processo, mais ainda…
Nossa filha, chegará no canadá com 3 anos mais ou menos, ou seja, ainda aprendendo a falar !!! Já fico imaginando o quao dificil será manter o português, será muito mais natural para ela aprender o inglês e o francês… É bem complicado, por mais que queremos manter as raizes, fica cada vez mais distante mesmo…
Abçs.