Eu já li tantos relatos de quem vem para o Brasil pela primeira vez depois de imigrar. E agora é a minha vez de vivenciar isso.
É uma sensação muito, mas muito estranha mesmo de chegar como turista no lugar onde você nasceu e viveu praticamente a vida toda. As comparações são inevitáveis, e por muitas vezes nos seguramos pra não ficar falando de lá o tempo todo. Isso pode incomodar as pessoas, já tínhamos sido alertados deste “perigo”. Mas o fato é que não tem como NÃO comparar.
Confesso que no primeiro dia QUASE me deu vontade de voltar. Apesar de todos os problemas da cidade, esta é a minha cidade. Eu tenho muitas memórias boas daqui e nada do mundo pode me tirar isso. E é por causa dessas memórias que talvez meu coração tenha cambaleado nos primeiros dias. Mas, infelizmente, relembrei os motivos que nos fizeram sair daqui e realmente não dá. Infelizmente não é no Rio que eu quero criar minhas filhas.
*PAUSA*
Gente, me dói muito escrever tudo isso. Mas eu acho válido relatar meus sentimentos aqui. Eu mesma adorava esse tipo de relato, pra saber como é que se sente a pessoa que sai e depois volta. Mesmo correndo o risco de me acharem metida ou esnobe, não me importo. Eu sei que não é nada disso. Quem já passou por isso me entende. E só Deus sabe como me dói que eu não ache que a minha cidade, ou até mesmo o meu país, é o lugar certo pra viver com a minha família. O preço que se paga pela opção de buscar uma vida melhor é muito alto.
*DESPAUSA*
(Bárbara Lu, você tem que patentear isso, mulher!)*
Pra não dizer que eu só falo de coisa ruim, deixa eu falar o que me deixou feliz da vida de estar aqui! Primeiro, claro, a família. Como é bom estar perto dos pais e irmãos.
Por incrível que pareça, até o calor estou curtindo. Eu NUNCA pensei que diria isso, detesto aquele calorão insuportável! Mas o solzinho tem feito bem pra gente. Só tenho dó da minha baixinha, que parece que é fotofóbica, mal abre os olhos diante daquele céu tão claro. Mas falando do calor, é bom não precisar ficar com a casa toda trancada e a pele esturricada de secura por causa de aquecimento. André viu na internet que por esses dias vai fazer -12 graus em Vancouver! Fala sério, né, ninguém merece!
Já matei saudade do pastel com caldo de cana também! Apesar da quantidade de chineses que tem por lá, eu nunca vi pastel. Caldo de cana nem se fala! Ai, que delícia!
Andar na rua e ouvir todo mundo falando português também é uma delícia. Saber que você faz parte daquela cultura, daquele povo, isso é maravilhoso. Por mais que a gente se adapte, eu acho que sempre vou me sentir um peixe fora d’água lá. Talvez todos se sintam assim, já que o Canadá é um país de imigrantes. Talvez eu leve mais alguns anos pra me “sentir em casa”.
A sensação que tivemos logo que chegamos é que o tempo congelou. É como se estivéssemos num coma profundo e acordamos e tudo está como antes. Ou então, como se esses quase 2 anos não tivessem passado de um sonho.
Nessa semana eu já fiz muita coisa. Já aluguei o vestido do casamento da minha prima. Já cortei o cabelo e a minha cabeça ficou 10 quilos mais leve! Ontem fomos no centro da cidade pra fazer o requerimento da transcrição do nascimento da Alice (eu vou escrever mais sobre isso depois), e também fomos no dentista, nós três, que Alice ainda não tem dente pra tratar.
Sábado tem festa de aniversário da minha vó e aí vejo a família toda da parte do pai. No outro sábado é o casamento, e aí vejo a família por parte de mãe. Tenho mais encontros marcados pra ver os amigos da faculdade e do trabalho. O planejamento dos dias está indo super bem.
André só tem uma semana de férias. Já trabalha semana que vem. Ah, as maravilhas do mundo moderno e da conexão remota!
Pena que ele não vai poder aproveitar tanto quanto eu. Mas alguém tem que trabalhar nessa casa, né?
Antes de eu terminar, deixa eu só dizer que estou felicíssima que Alice tem dormido a noite inteirinha desde que chegou aqui. Eu não tô nem acreditando!!! Mas é sério! A média tem sido 7 horas de sono ininterrupto, pra meu deleite total! Tomara que não seja uma coisa temporária por conta da agitação da viagem…
Depois eu conto mais das meninas. O tempo é curto, pra variar.
* A Eliana me corrigiu a autoria da expressão Pausa/Despausa. Sei lá porque cargas d’água eu achava que era da Lu Brasil, apesar de também ler o blog da Barbrinha. Desculpa, viu Bárbara!
** E depois a Bárbara me esclareceu que a autoria da expressão era da Lu Brasil mesmo! Foi mal, Lu!





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{ 14 comentários… leia abaixo ou deixe um }
A sensação de o tempo ter parado é a mais pura verdade. Desde que saí da casa de meus pais e da minha cidade me sinto assim sempre que os visito. Mas é que minha vida mudou tanto desde então e a vida de quem ficou mudou muito pouco ou nada. Mas é isso mesmo, e essa quase vontade de voltar correndo, é natural, eu pelo menos sempre passo por isso, quero mais é minha casa. Boas Férias!!!!
E’ Ana, deve ser estranho voltar pra o Brasil mesmo.
Ontem comecou a nevar aqui em Vancouver, eu estava na Metrotower e a vista estava muito bonita.
Tem feito -3 a -5 aqui em Burnaby. Entao curta o calor o maximo possivel.
David from Vancouver
Oi Ana,
Moro no Canada e acompanho seu blog por indicacao de amigas em comum. Muito legal.
Mas como vc, tbem senti isto de ter congelado no tempo so que com o Canada e nao com o Brasil;.
Cheguei a ficar 2 anos no Brasil entre um intervalo e outro (longa estoria) e ao chegar no Canada, cheia de novidades e impressoes novas e mais fashion, rsrs sim no Brasil somos mais produzidas, Encontrei os mesmos vizinhos, as mesmas coisinhas de familia, os mesmos canadians com as mesmas impressoes que tive ao chegar em 2000. Nada mudou, tudo igual…A prima que falava um Hi baixinho , igual. As criancas que dao um pulo para tras se vc ameaca, abraca-las, iguais so que teenagers!! hehe A sogra querendo aproveitar as ultimas novidades em presentes, do mesmo jeito…e o tempo tinha congelado. A vida aqui eh muito interiorana e bem repetitiva.Eu e filha voltamos diferentes. Animadas e a menina mais educada. No bRasil era uma novidade atras da outra e muitas festas, o clima que curou as alergias de minha filha e eu tbem pegando carona. Aqui fico branca igual parede no inverno e voltei corada para espanto de todos. E do marido, rsrs Eu falava que no Brasil tudo era caro e ele respondia: “mas vcs estao bonitas e alegres demais, o que tem la de tao caro ???? rsrs
Ja estou aqui ha 4 anos. Nao desgosto , mas tbem nao morro de amores pelo Canada, pareco que fico evasiva igual eles aqui. mas enfim…temos que aproveitar as outras coisas que o Canada nos oferece…e ai…{pausa} existem muitas.
bjos e aproveite. pque aqui o frio esta de congelar nariz…nevou ontem..
Marilia
Oi Ana,
Sabe que você descreveu exatamente como eu me senti em 2005? Estava fora do Brasil há 2,5 anos e voltar, na época, foi muito difícil. Ainda mais sabendo que não tinha prazo pra retornar pro Canadá, por causa do processo de imigração.
Já na saída do aeroporto, senti como EU mudei em relação ao que achava aceitável para S.Paulo. O que antes era meu “normal” (congestionamento, andar de vidros fechados e porta trancada, olhar 10x antes de atravessar a rua ou sair à noite, a dificuldade de achar um emprego, de locomoção, etc) passou a ser insuportável. Depois que a gente vê que a vida não precisa ser aquele stress, é difícil a re-adaptação….
Claro, sobrevivi, mesmo porque foi em SPaulo que eu nasci, cresci, sempre morei. Não dá pra simplesmente esquecer tudo e recomeçar, né?
Mas indo como turista a sensação é esquisita, ainda que um pouco diferente da 1a. vez que eu voltei. Pelo menos, fui pra relaxar, ver amigos, família, matar saudade da comida, da música. Isso é que faz as 14 horas de vôo valerem a pena!
PS: tá MUITO frio por aqui! E Valentina chega esta semana….!
bjs..
Poxa, que pena não estarei pelo Rio esses dias, senão ia te dar um abraço bem apertado e um cheiro nessas bonecas!!!
Turista na cidade natal é a expressão mais correta pra esses casos… Concordo com você quando afirma que não dá pra não comparar as duas cidades.. A gente faz isso quando viaja pra passar um feriado fora, imagine num caso de morar no exterior… Com culturas, climas, línguas e pessoas tão diferentes.. Aproveite o quanto puder e não se culpe por achar isso ou aquilo.. Afinal de contas, só nós sabemos o que vale realmente a pena..
Fiquem bem..
Ana, eu imagino a diferença e a inevitável comparação. Eu moro em outro estado há 5 anos e sinto isso.Então o q/ vc tá sentindo é natural.
Bjos nas bonecas!
Ola Ana,
Entao voce nao eh a unica, tenho a mesma sensacao quando volto ao Brasil….mas eh nossa Terra neh?
Quando a gente fala isso muitos nao entendem, mas eu te entendo completamente….
O Pausa/Despausa eh da Lu Brasil……no comeco quando usava, colocava que era dela, agora ja uso na carona…..kkkkkkkk
Ah tenho uma novidade, soh que nao esta no blog……ainda eh em off….se vc pensar numa coisa bem boa….eh essa….kkkkkk
Semana que vem eh minha vez de chegar ai…..Se Deus quiser
Beijos e fiquem com Deus
Barbrinha
Afe, tá vendo! Eu sabia que era da Lu mesmo! Foi mal, viu, Lu!! Depois eu conserto os créditos! hahhahaha
Oi Ana !
Essa sua sensação deve ter sido bem estranha mesmo ! por vezes no sentimos como peixes fora da água ! eheheh.
Agora a sensação minha e da minha esposa foi o inverso, achamos que tempo passou dobrado em Brasília. Digo isto porque moramos e trabalhamos por 4 anos em São Luis – MA e quando chegamos no DF as coisas estavam muito mudadas. Quando retornamos ao Maranhão, aí é que percebemos o tempo totalmente parado…
Incrível esta percepção e as comparações são realmente inevitáveis.
Aproveitem bastante estas férias, são merecidas.
Um dia nos encontramos.
Abracos.
Marcelo e Luciana
Anaaa! Vai vir aqui em João Pessoa pra gente conhecer vocês né?
Estamos esperaando todo mundo aqui! Beeijoooo grande!
Ana,
Vim aqui te desejar um feliz Natal, com muita luz, muita paz e saude. Que Papai Noel traga todos os seus presentes, pois esse ano voce foi uma menina boazinha…kkkkk
Um Ano Novo cheio de amor, paz, saude, esperanca e feh.
Que Deus a abencoe cada vez mais!!!!
Vou aparecer mais vezes esse ano ainda, mas eh pra garantir ja, ok?…kkk
Beijos e fiquem com Deus
Barbrinha
Vim aqui te desejar um feliz Natal, com muita luz, muita paz e saude. Que Papai Noel traga todos os seus presentes, pois esse ano voce foi uma menina boazinha…kkkkk
Um Ano Novo cheio de amor, paz, saude, esperanca e feh.
Que Deus a abencoe cada vez mais!!!!
Vou aparecer mais vezes esse ano ainda, mas eh pra garantir ja, ok?…kkk
Beijos e fiquem com Deus
Barbrinha
hehehe
leio muito blog de brasileiras no exterior e vejo que a comparação Terra Atual versus Terra Natal sempre gera polêmica. acho isso engraçado porque tem gente que quer chegar em um consenso onde nem sempre dá pra existir um, né?
pra mim foram 4 meses de experiencias muito ricas aqui nas terras geladas, mas conclui que não é a minha, mas essa é uma opiniao pessoal e intransferivel, logico.
acho que a única “regra” é aquela velha frase “tudo na vida tem seu lado bom e ruim”, né?
abs!