Um dos assuntos mais polêmicos quando se fala na diferença do Brasil e do Canadá é sobre o sistema de saúde. Claro que a discussão se dá em torno da classe média brasileira, comparando o sistema privado do Brasil com o sistema público daqui. Quem não tem plano de saúde no Brasil, e tem que viver à mercê do SUS, acho que estaria muito melhor servido com um sistema público como o daqui - em geral, porque claro que há exemplos bons no sistema público do Brasil.
Então, como é aqui no Canadá?
Até onde eu sei, não existe plano de saúde aqui. Tem o que eles chamam de extensão da cobertura normal, que são “planos” particulares que você tem mais direitos, por exemplo, num quarto privado em vez de enfermaria num hospital. Eu não sei como funciona essa cobertura extra na prática. Sei que tem empresas que oferecem isso para funcionários, e cobre por exemplo atendimento odontológico. Não é o meu caso.
Aqui em British Columbia você paga pela saúde. Não sei como é nas outras províncias. Eu vejo isso como os impostos que você paga no Brasil que é para o SUS, por exemplo. Então é a mesma coisa. Você paga e tem atendimento. Você recebe uma carteirinha e deve apresentá-la toda vez que for numa consulta ou fazer um exame.
Nós pagamos do próprio bolso até setembro, quando eu comecei a ter cobertura pela empresa. Pagávamos a cada três meses uma quantia para a família toda, que não era tão alto assim.
E as consultas?
Aqui todo mundo tem o tal médico de família. É um clínico geral que é sempre o seu primeiro ponto de contato no caso de uma necessidade médica. Se você tem um problema de pele, não vai pro dermatologista direto. Tem que consultar no médico de família e se ele ver necessidade, encaminha para um especialista. Vale pra tudo: ortopedia, gastro, pediatra, etc.
Pro brasileiro que está acostumado a pegar um nome do especialista no livrinho do plano, ligar e marcar consulta, essa diferença é um baque só. Pra gente, ainda não tivemos problema com esse esquema. Graças a Deus não precisamos ir no médico nesse ano, com algumas exceções que aconteceram com a Laura.
Eu não sei se esse é o melhor sistema. Só sei que é assim que funciona aqui. Da mesma forma, ninguém faz exame só por fazer. Como o sistema é público, eles otimizam os recursos e só pedem exame em casos de necessidade MESMO.
Atendimento de emergência
Existem os hospitais que atendem emergências e algumas clínicas “walk-in” (que não precisa de consulta marcada), onde você pode ir se precisar de atendimento médico imediato.
Como falei, já precisamos levar a Laura algumas vezes na clínica. Dessas vezes eu não marquei consulta com médico de família, fui direto na clínica. Uma vez ela teve infecção urinária. Fez exame, recebeu medicação e ficou boa. Na outra, estava bem resfriada, mas voltamos pra casa com a recomendação que “daqui a dois dias fica boa”, sem passar um xaropinho ou pedir um exame.
Nesse dia eu fiquei muito irritada! Foi aí que percebi a diferença dos sistemas! Eu também estava com dor de garganta, e a médica não passou exame nenhum! Só olhou minha garganta, colheu material e me deu prescrição para um antibiótico se meu exame da garganta desse alguma coisa (bactéria). Se fosse só vírus, não adiantava dar anti-biótico. Acabou que eu fiquei boa mesmo depois e não precisei de anti-biótico.
Consultas de rotina
No sábado passado levei a Laura na médica pra uma consulta de rotina. Não é pediatra, mas pesou, mediu, examinou e viu que está tudo bem com ela. Levei a carteira de vacinação do Brasil e ela tomou mais 2 vacinas lá mesmo, com a médica. E me orientou sobre as próximas vacinas de acordo com o calendário daqui.
Remédio só com prescrição
Existem os remédios que você encontra nas prateleiras, como analgésicos e anti-térmicos. Mas tem remédio que só compra com prescrição mesmo. Eu sei que no Brasil é assim também.
Tenho uma amiga farmacêutica. Ela me disse que todas as farmácias têm um sistema integrado. Ou seja, se você compra um remédio numa farmácia e tenta comprar de novo na outra, eles vão saber que você já comprou esse remédio. Tudo controlado.
Então, o sistema daqui é bom ou ruim?
Até aqui, pra gente, não temos do que reclamar. Eu já ouvi muitos casos de coisas ruins que acontecem por aqui, erros médicos, etc. Mas como disse antes, nenhum lugar é perfeito. Nenhum sistema de saúde é perfeito. Mas pra um sistema público, igual pra todos os cidadãos, eu acho que é um sistema bem justo, e até aqui tem nos atendido bem.
Mas não é à toa que a imigração pede uma bateria de exames antes de você vir pra cá. Eles não querem ninguém que tenha necessidade médica constante, ou alguma doença grave, etc. Mas isso é achismo, tá? Não li em lugar nenhum!
Com certeza meus amigos que moram aqui há mais tempo podem falar mais sobre o sistema daqui. Ou o pessoal lá do outro lado do país, pode falar das diferenças entre as províncias. Isso aqui foi só a minha opinião sobre o assunto tão polêmico.
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Ana,
Achei interessante ter um médico da família. No meu ponto de vista é bom, pois uma pessoa só acompanha tudo que acontece com toda a família, e dessa forma pode entender melhor as coisas que acontecem. Tipo aqui no Brasil com pediatra, se vc tem um pediatra que já acompanha seu filho desde que nasceu, ele já sabe tudo dele, já até prevê como ele vai se reagir a determinada doença, gripe… Imagina isso pra família toda… Acho que deve ser bom…
Bjo grande.
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