Como funciona o sistema de saúde do Canadá?

Um dos assuntos mais polêmicos quando se fala na diferença do Brasil e do Canadá é sobre o sistema de saúde. Claro que a discussão se dá em torno da classe média brasileira, comparando o sistema privado do Brasil com o sistema público daqui. Quem não tem plano de saúde no Brasil, e tem que viver à mercê do SUS, acho que estaria muito melhor servido com um sistema público como o daqui – em geral, porque claro que há exemplos bons no sistema público do Brasil.

Então, como é aqui no Canadá?

Até onde eu sei, não existe plano de saúde aqui. Tem o que eles chamam de extensão da cobertura normal, que são “planos” particulares que você tem mais direitos, por exemplo, num quarto privado em vez de enfermaria num hospital. Eu não sei como funciona essa cobertura extra na prática. Sei que tem empresas que oferecem isso para funcionários, e cobre por exemplo atendimento odontológico. Não é o meu caso.

Aqui em British Columbia você paga pela saúde. Não sei como é nas outras províncias. Eu vejo isso como os impostos que você paga no Brasil que é para o SUS, por exemplo. Então é a mesma coisa. Você paga e tem atendimento. Você recebe uma carteirinha e deve apresentá-la toda vez que for numa consulta ou fazer um exame.

Nós pagamos do próprio bolso até setembro, quando eu comecei a ter cobertura pela empresa. Pagávamos a cada três meses uma quantia para a família toda, que não era tão alto assim.

E as consultas?

Aqui todo mundo tem o tal médico de família. É um clínico geral que é sempre o seu primeiro ponto de contato no caso de uma necessidade médica. Se você tem um problema de pele, não vai pro dermatologista direto. Tem que consultar no médico de família e se ele ver necessidade, encaminha para um especialista. Vale pra tudo: ortopedia, gastro, pediatra, etc.

Pro brasileiro que está acostumado a pegar um nome do especialista no livrinho do plano, ligar e marcar consulta, essa diferença é um baque só. Pra gente, ainda não tivemos problema com esse esquema. Graças a Deus não precisamos ir no médico nesse ano, com algumas exceções que aconteceram com a Laura.

Eu não sei se esse é o melhor sistema. Só sei que é assim que funciona aqui. Da mesma forma, ninguém faz exame só por fazer. Como o sistema é público, eles otimizam os recursos e só pedem exame em casos de necessidade MESMO.

Atendimento de emergência

Existem os hospitais que atendem emergências e algumas clínicas “walk-in” (que não precisa de consulta marcada), onde você pode ir se precisar de atendimento médico imediato.

Como falei, já precisamos levar a Laura algumas vezes na clínica. Dessas vezes eu não marquei consulta com médico de família, fui direto na clínica. Uma vez ela teve infecção urinária. Fez exame, recebeu medicação e ficou boa. Na outra, estava bem resfriada, mas voltamos pra casa com a recomendação que “daqui a dois dias fica boa”, sem passar um xaropinho ou pedir um exame.

Nesse dia eu fiquei muito irritada! Foi aí que percebi a diferença dos sistemas! Eu também estava com dor de garganta, e a médica não passou exame nenhum! Só olhou minha garganta, colheu material e me deu prescrição para um antibiótico se meu exame da garganta desse alguma coisa (bactéria). Se fosse só vírus, não adiantava dar anti-biótico. Acabou que eu fiquei boa mesmo depois e não precisei de anti-biótico.

Consultas de rotina

No sábado passado levei a Laura na médica pra uma consulta de rotina. Não é pediatra, mas pesou, mediu, examinou e viu que está tudo bem com ela. Levei a carteira de vacinação do Brasil e ela tomou mais 2 vacinas lá mesmo, com a médica. E me orientou sobre as próximas vacinas de acordo com o calendário daqui.

Remédio só com prescrição

Existem os remédios que você encontra nas prateleiras, como analgésicos e anti-térmicos. Mas tem remédio que só compra com prescrição mesmo. Eu sei que no Brasil é assim também.

Tenho uma amiga farmacêutica. Ela me disse que todas as farmácias têm um sistema integrado. Ou seja, se você compra um remédio numa farmácia e tenta comprar de novo na outra, eles vão saber que você já comprou esse remédio. Tudo controlado.

Então, o sistema daqui é bom ou ruim?

Até aqui, pra gente, não temos do que reclamar. Eu já ouvi muitos casos de coisas ruins que acontecem por aqui, erros médicos, etc. Mas como disse antes, nenhum lugar é perfeito. Nenhum sistema de saúde é perfeito. Mas pra um sistema público, igual pra todos os cidadãos, eu acho que é um sistema bem justo, e até aqui tem nos atendido bem.

Mas não é à toa que a imigração pede uma bateria de exames antes de você vir pra cá. Eles não querem ninguém que tenha necessidade médica constante, ou alguma doença grave, etc. Mas isso é achismo, tá? Não li em lugar nenhum!

Com certeza meus amigos que moram aqui há mais tempo podem falar mais sobre o sistema daqui. Ou o pessoal lá do outro lado do país, pode falar das diferenças entre as províncias. Isso aqui foi só a minha opinião sobre o assunto tão polêmico.

[tags]canadá, sistema de saúde do canadá, saúde pública[/tags]

Comentários

  1. Ana,
    Achei interessante ter um médico da família. No meu ponto de vista é bom, pois uma pessoa só acompanha tudo que acontece com toda a família, e dessa forma pode entender melhor as coisas que acontecem. Tipo aqui no Brasil com pediatra, se vc tem um pediatra que já acompanha seu filho desde que nasceu, ele já sabe tudo dele, já até prevê como ele vai se reagir a determinada doença, gripe… Imagina isso pra família toda… Acho que deve ser bom…
    Bjo grande.

    • João Carmo disse:

      Caros amigos,

      Muitas pessoas não percebem, mas a metodologia de ação do SUS é semelhante à do Canadá. As famílias são cadastradas junto a uma unidade da ESF(Estratégia Saúde da Família), onde um médico acompanha toda a família e sua comunidade.
      O médico da ESF só envia a pessoa a um especialista quando há necessidade. Além disso a equipe da ESF é responsável por programas de promoção de saúde e prevenção, estimulando hábitos de vida saudável, boa alimentação, menor consumo de gorduras e açúcar, a prática de exercícios físicos e campanhas contra hábitos perniciosos, como o tabagismo e o alcoolismo.
      As ESFs estão gradualmente sendo implantadas em todo o Brasil, e o SUS remunera as equipes de acordo com as metas cumpridas.

      abraços

      João Carmo

  2. Nossa, um ano já????
    Que coisa!
    E quantas novidade em um ano, heim?
    :O)
    bjs

  3. Li todos os posts q perdi, adorei acompanhar o que aí tem de diferente e melhor que aqui, vou tentar acompanhar tudo!

    Ana eu acho legal esse negócio de médico de família, e ele sendo um clínico geral ele se prepara pra saber de tudo um pouquinho q seja, aqui a gente tendo q escolher um especialista, sabe aqui a impressão que eu tenho é q um médico empurra o pepino qdo ta “grosso” pra outro pra se livrar sabe, sempre comento isso com meu marido hoje pra encontrar um profissional bom e que não seja movido só por dinheiro tá ficando cada vez mais raro, não tô generalizando, mas assim eu vejo pelos pediatras que eu passei, até encontrar o que atende hoje o Henrique, foram cinco pediatras um pior q o outro.
    Adoraria ter um médico de família em qua pudesse confiar cegamente!

    BEijos e bom fim de semana!

  4. é, é diferente mesmo.. mAs eu prefiro o sistema de lá, por causa da “qualidade” dos hospitais.

    bjs….

  5. Ana querida, vou te falar da minha experiencia. Nossa medica de familia é uma pediatra brasileira, o que ajuda bastante, pois nao preciso pensar em ingels e procurar termos medicos no dicionario..hahaha ela é bem atenciosa e te digo que nao tive problemas com ela. O que estranhei é o antigo habito de chegar no medico com uma lisitnha de coisas para a revisao e na mesma consulta ver tudo, depois so volta patra acompanhamento,etec. Aqui, é deiferente. Cada assunto uma consulta. Revisao ginecologica num dia (papanicolau: resultado daqui 3 meses), exames de rotina outra consulta… eassim vai.
    Nossa pior experiencia foi quando chegamos por aqui dez/06 e em fev a Nicole queimou as maos na lareira. Claro que neste caso nao é a medica de familia que nos atende, fomos direto para a emergencia Childrens Hospital. (ela queimou a noite, colocamos as maos na agua gelada para parar de queimar e demos tylenol para dor.) aos poucos ela foi se acalmando e dormiu. ao acordar tinha bolhas enormes na mao e fomos ao hospital. O atendimento foi bom, mas nos encaminharam direto para clinica de queimados, onde fomos MARAVILHOSAMENTE atendidos.
    Tivemos a consulta/atendimento e todo tratamento pago pelo convenio ( SUS daqui), apenas apresentando a carteirinha.
    Tivemos aocmpanhamento muito bom, amedica nos comentou de varios casos como o dela, orientou sobre a protecao da lareira,,etc. Perguntou s epodia forografar a maozinha dela para ajudar no trabalho que ela vinha fazendo com as empresas de lareiras,etc. Ela foi muito bacana. Saimos de lá bem mais tranquilos e em 15 dias ela ja tirou os curativos e a maozinho voltou ao normal sem sequelas.
    A Rafaela ha duas semanas atras torceu o pe na aula de Gym e foi encaminhada para o Hospital da UBC onde nada paguei e atendimento foi bom. Nada a reclamar. Ela ficara mais 2 semanas de muletas, sem caminhar….
    Claro que sinto falta ( e muito) do pediatra das criancas, pois ele foi meu pediatra e hoje cuidava das minhas filhas. No inicio trocavamos e-mails com ele, agora aos pocuos ja vamos “soltando o cordao umbilical”hahaha

    Bem, querida esta foram minhas experiencias por aqui.
    Beijos
    Andrea

    • Judy Kennedy disse:

      Gostaria q me indicassem o nome de um médico brasileiro em Toronto, especialista em gastroenterologia.
      A Andreia comentou sobre uma pediatra brasileira, será q vcs podem me atender?

  6. Oi Ana Paula!
    Mais um exelente post!O anterior tb foi ma-ra-vi-lho-so!As comparações são inevitáveis,e agora acho que vc está bem mais a vontade para fazê-las.Tudo é mesmo uma questão de adaptação,e o TEMPO é mesmo o senhor do destino.Tempo que para nós que esperamos parece uma eternidade!
    Um abençoado fds para vcs!Bjos

  7. Se é bom ou se é ruim nao importa… é o que temos e tem de se adaptar a ele. Aqui tb é assim, porém a historia do médico de família é mais flexivel. Se eu quiser ir direto no ortopedista, por ex, sem passar pl medico de família, basta que encontre um que me aceite sem o encaminhamento. “tem jeito pra tudo”, menos a morte

  8. Eu soh queria adicionar uma informacao pequena sobre o assunto, como vc mesma salientou que em outras provincias eh diferente. No Canada, cada provincia “gerencia” seu sistema de saude. Eu moro na provincia de Ontario, e a gente nao paga pela assistencia medica. Dentistas nao estao incluidos, e recentemente consultas oftalmologicas deixaram de ser incluidas tambem (a nao ser que vc seja menor de 18 ou mais de 65 – nesse caso vc esta coberto com uma consulta/ano). Exames e estadia em hospital tambem estao incluidos na assistencia de saude provincial de Ontario. Eu fiquei em hospital duas vezes desde que estou morando aqui (dois filhos meus nasceram aqui), e nunca vi necessidade de ter “quarto privado”. Tenho um filho que nasceu no Brasil e na epoca fiquei em quarto privado.

    Meu marido tem “benefits” atraves da uniao do trabalho dele. Entao temos cobertura dental e de remedios tambem (100% – na verdade a cobertura dental eh um pouquinho abaixo dos 100%, pelo fato de dentistas e beneficios usarem uma lista de precos diferentes, mas a diferenca nao eh grande coisa – essa diferenca a gente paga).

  9. Muuuuuito parecido com o daqui Ana :)

  10. Ana, como você mesma ressaltou o atendimento público é igual para todos aí. Quem pode ter um plano privado aqui no Brasil, ao ler seu post, não percebe muitas diferenças. Mas, o brasileiro que precisa de atendimento do SUS, aí é um “deus-nos-acuda”.
    Quanto aos casos de erro médico, em qualquer lugar do mundo haverá, com certeza, afinal o médico é tão humano quanto nós.
    Aqui, a situação está ficando cada vez mais caótica quando o assunto é sistema de saúde público para a maioria da população, infelizmente.

  11. Oi Ana,
    Eu tb só tive boas experiências por aqui. Realmente não tenho do que reclamar. Sempre que precisei fui bem atendida. Já tive Débora com corte na cabeça, Dani com febrão na noite de Natal hehe, eu quebrei o cotovelo, e o parto da Clara. A minha médica é muito boa, gosto muito dela, e ela sempre que vê algo mais indica para o especialista. Mas como vc mesma disse tem muita gente aqui que teve péssimas experiências, mas eu acho que isso acontece em qq lugar do mundo, com sistema público ou privado, não é mesmo? Quem é que não conhece um caso ruim do sistema privado no Brasil? Bjs
    Eva

  12. UAU.. quanta diferença mesmo…

  13. Oi Ana,
    Passando aqui para dizer que estou na sua terra…
    Vim conhecer Vancouver e fico aqui ateh quarta de manha :0).
    Sua cidade eh LINDA!!!
    bjs

  14. Ana! Estou adorando este seu “comparativo”!
    Gostaria que, se puder, você comentasse sobre as “shopping bags” que estão chegando agora no Brasil.
    Vocês têm este hábito aí?
    Eu escrevi um pouquinho sobre isso no meu blog pessoal: http://meuladoetecetera.blogspot.com/2008/02/shopping-bag.html

  15. Ana, eu tô louca atrás de um médico de família, e já não se fazem mais muitos desses aqui no Brasil… Eu acho essencial ter uma pessoa em quem confiar na hora do aperto. Uma pessoa que conheça o histórico da família, que conheça a pessoa.

    Esse negócio de sempre correr pro especialista é uma faca de dois gumes, né? Bom, eu acho.

  16. Oi Ana,

    Tem um desafio para ti lá no meu blog! ;-)

    Beijos

  17. Eu moro nos Estados Unidos e o sistema é muito parecido. Eu não gosto de como funciona aqui.
    Os médicos tem um atendimento muito impessoal, parece produção de fábrica e se você não perguntar nada, de nada você saberá. Isso me impressiona e irrita.
    Uma vez no pediatra do meu filho, eu estava muito chateada pois eu achava que ele era alérgico a alguma coisa e o pediatra segurando ele (não encaminhava de jeito nenhuma ao especialista), aí tive um chilique. Primeiro pedi para ele se sentar que eu não aguentava mais conversar com ele de pé como se tivesse pressa de ir embora (todos fazem isso aqui), depois fui muito taxativa dizendo que ele teria que me encaminhar para um especialista pois meu filho não ficaria mais tomando antibiótico a cada vez que tivesse uma crise, já que isso não era saudável.
    Ele me olhou assustado e me deu o encaminhamento na hora e surpresa! meu filho é alérgico a dust e dust mite, não falei, depois disso (mais de 1 ano) ele só veio tomar antibiótico agora por causa de uma infecção bacteriana na garganta.
    Outro caso foi que no dia 1 de fevereiro eu cai e me machuquei muito, fui direto a emergencia e depois de 5 horas lá dentro constataram que eu havia quebrado o pulso esquerdo. Só me passaram um analgésico (que aliás eu nem consegui ficar em pé) e me encaminharam para um especialista que só tinha vaga para dali a 3 meses. Eu fiquei com uma imobilização temporária que me deu uma micose entre os dedos. Eu então consegui um outro ortopedista que mudou a minha imobilização, passou um remédio para o fungo nos dedos e só aí (1 semana depois) eu comecei a tomar um antiinflamatório que era exatamente o que eu precisava. Na emergência eles só constatam o problema.
    Realmente sinto muita falta do sistema do Brasil, já que lá você resolve o problema na primeira vez que vai ao médico. Mas como o que não tem remédio remediado está, a gente tem que se acostumar.
    Que bom que vocês já se adaptaram ao sistema Canadense.
    Abraços

  18. Oi Ana! Te mandei um email….ai, ai, ai. Me diz se recebeu.
    Bjs!

  19. Tereza Fagundes disse:

    Minha querida, não tenho do que me queixar quanto ao atendimento médico no Brasil.
    Seu pai trabalha numa Empresa de Saúde.
    A população de baixa renda é que sofre muito quando adoece.
    Sempre fui muito abençoada nesta parte. Nasci numa cidadezinha chamada Governador Portela, fica no interior do Est.do Rio. Pois bem!!
    Lá onde nasci tem médico de família.
    Quando nasci, já tinha tres irmãos e eles estavam doentes.
    Minha mãe conta que fiquei doente também e que o médico de família ia todos os dias me visitar e dizia : ” Desta noite ela não passa!! ”
    Pois bem! Eu passei e estou aqui com 54 anos e te vendo contar como é o sistema de saúde num país desenvolvido.
    Fico feliz de saber que aí também tem médico de família.
    Dr.Heitor já morreu mas com certeza deve de ter ficado muito feliz ao ver que seu diagnóstico estava errado.
    A vida e a morte está nas mãos de Deus.
    Te amo muito.
    Beijos!

  20. Ana,

    Como eu trabalho no sistema de saúde aqui, vejo um outro lado da moeda que talvez os leigos não vejam. A fila para prótese de quadril é de 2 anos, mesmo que você tenha trabalhado a vida inteira e pago seus impostos em dia. A lista de espera para um ginecologista é de 3 meses, mais longa ainda se você fizer questão de uma ginecologista do sexo feminino.

    Como eu tenho plano adicional do trabalho, o tratamento dentário é gratuito, assim como fisioterapia e 8 massagens por ano.

    A questão de ficar em quarto privativo não depende do plano de saúde, depende de ter vaga no hospital. Coisa raríssima para quem não tem uma doença contagiosa e necessita de isolamento.

    Como paciente, eu prefiro o sistema privado brasileiro, em todos os aspectos (tecnológico e de controle de infecção hospitalar, principalmente). Como enfermeira, não tenho o que me queixar do trabalho aqui.

    No fundo, certa é a Ciça: não importa o que é melhor, a gente tem é que se acostumar com o que tem.

    Beijinho,
    Flávia.

  21. Gostei muito do sistema de saude do canada! Até que era uma boa se o Sus no Brasil implementa-se o medico da familhia, mais aos poucos isso ira acontecer

  22. Olá! Bom, sei que estou muito atrasada com esse post (1 ano!) mas é que conheci o blog hj hehhe Sou enfermeira, e após ouvir vários comentários do Sistema de Saúde Canadense – modelo de saúde da família – resolvi buscar mais informações sobre ele. ^^ Trabalho aqui no Brasil em PSF e embora conhecendo as dificuldades do SUS, sou uma grande defensora dele. O que poucas pessoas sabem é que o modelo de saúde brasileiro, o SUS que poucos conhecem, como está nas leis de sua criação e de reestruturação (Lei 8.080/90, Lei 8.142/90 e Portaria 648/2006) é baseado em grande parte no modelo de saúde canadense. Sim, isso pode parecer estranho, já que aí me parece que as coisas funcionam. Mas se fizermos uma comparação grosseira, sabemos que no Brasil ainda coexistem doenças infecto-contagiosas e parasitárias (tuberculose, hanseníase, dengue, malária, verminoses…etc) e doenças do “primeiro mundo”, as doenças crônicas (depressão, hipertensão, diabetes, câncer…). Diferentemente do Canadá, que sabemos tratar-se de um país de realidade totalmente diferente. Ainda assim, os modelos de saúde se parecem. E muito, até. O SUS é regido por 3 princípios: 1- Universalidade – TODOS têm direito à saúde. 2- Integralidade – A saúde deve ser entendida em seu aspecto total (saúde, educação, meio ambiente, prevenção, recuperação, cura e reabilitação. 3- Equidade – Todos devem ter igualdade de oportunidade de usar o sistema. No Brasil, o programa de saúde da família preconiza uma equipe de saúde composta por 1 médico, 1 enfermeira, 1 Técnico ou Auxiliar de enfermagem, 1 dentista, 1 téc de higiene dental e 6 ACS (equipe mínima) que atuam por microáreas de abrangência próximas à unidade de saúde, atendendo as famílias. Além disso, preconiza também que os profissionais que compõem a equipe de saúde façam visitas domiciliares äs famílias de sua área de abrangência. A porta de entrada da sáude deve ser a “saúde da família”. É a atenção básica, o postinho de saúde, o que chamamos de baixa complexidade, baseada em sáude “dentro da família”. Caso seja detectado algum problema mais sério que a família necessite de maior suporte (p.ex: uma prótese ortopédica para um homem de 35 que teve a perna amputada devido acidente automobilístico ou uma cirurgia cardíaca ou uma radioterapia), que não podem ser resolvidos na atenção básica, é encaminhada ao serviço de média e alta complexidade (os hospitais). Isso é só um pouquinho do SUS ^^ E essa é a parte boa. A ruim, as ruins, é que: 1- O brasileiro não conhece o próprio Brasil, quanto mais o sistema de saúde dele. 2- Profissionais desvalorizados e alguns descompromissados. 3- Governantes que passam a mão no dinheiro público 4- O povo mal acostumado que não sabe escolher os representantes 5- O velho jeitinho brasileiro de empurrar as coisas com a barriga 6- A atenção básica não dá ibope para a mídia e voto nas eleições. Hospital e grandes equipamentos dá. 7- 80% dos brasileiros não usam os livrinhos para ligarem pra especialistas pq não têm dinheiro pra pagar 8- Antibióticos são pra bactérias mesmo. É que a gente se acostuma ao “se não passar exame e remédio não presta”. E tanto os pacientes quanto médicos daqui estão acostumados com isso. 9- Se a atenção básica funcionasse grande parte dos gastos exagerados em saúde seriam reduzidos. 10- Para saber mais podem acessar o site do ministério da saúde http://www.saude.gov.br =)
    Quanto aos EUA, Deeeuusss me livre de um dia precisar de atendimento lá! Os todos-poderosos do mundo tem um dos piores sistemas de saúde. Quem quiser saber, procure um documentário chamado “Sicko-SOS Health”, do cineasta norte-americano Micheal Moore.
    Eu sou uma defensora do SUS – acredite, é um dos Sistemas de Saúde mais bem reconhecidos internacionalmente pela sua idealização de saúde para todos. Meu grande sonho é que ele saia das “idéias”e vire realidade. Se eu como profissional de saúde não acreditar nisso, então que tipo de saúde eu quero?
    Ufa!! Chega né?! hauahua

    Ah, parabéns pelo blog! Riquíssimo em informações!!
    Bjos! XD

  23. Gostaria de falar com alguem que more no canada.
    Estou no EUA, e o sistema de saude aqui eh pessimo e caro.
    se alguem puder enviar um e-mail com telefone eu ligo, preciso esclarecer algumas duvidas que no blog nao eh possivel.

    Obrigada.

  24. Bom dia Ana Paula ! Tudo bom?
    Estou fazendo um trabalho de pós graduação relacionado ao sistema de saúde do Canadá, poderia por favor me explicar com mais detalhes como funciona?

    Muito obrigada !

  25. Marion Wiedemann disse:

    Oi, Ana! Sou estudante de medicina em Porto Alegre/BR e preciso realizar um trabalho no qual eu destaque as falhas no sistema de saúde canadense. Já procurei muitos artigos e a maioria apenas contém elogios sobre o sistema de sáude aí. Fazendo buscas em alguns sites encontrei seu blog. Poderia me ajudar dizendo o que você considera que seja defeituoso no sistema de saúde canadense? Seria de muita utilidade, já que você está morando aí e seria uma visão mais realista. Desde já, obrigada.

  26. Alessandro disse:

    Pessoal,
    Não se iludam achando que o sistema de saúde do Canadá é uma maravilha, pois apesar de ser gratuito e igual para todos e dos hospitais serem moderninhos, o tempo de atendimento na emergência é de 6h a 8h, mas em alguns dias o tempo de espera pode ser muito maior…acreditem ou não.
    Vc só vai ser atendimento rápido se estiver com um bebê ou chegar gritando de dor, caso contrário, vai passar o dia (ou a noite) na emergência.
    Para se marcar uma consulta com um especialista, é necessário algumas semanas de antecedência e para se fazer um exame como ressonância, vc pode ter que esperar até 6 meses.
    No Brasil vc paga, mas funciona e é rápido.
    Eu prefiro o sistema privado de saúde do Brasil, inclusive, já soube de vários brasileiros que voltaram ao Brasil para se tratar porque aqui no Canadá o sistema de saúde é gratuito, mas a fila de espera para qualquer consulta, exame ou cirurgia é imensa…
    Se vc precisar utilizar o sistema de saúde aqui no Canadá vai ter que ter muita paciência…

    • Alessandro, você falou tudo. Realmente o sistema daqui não é perfeito não. Tem muita gente que estranha, e muito, o modo como eles lidam com a medicina aqui. Mas comparando sistemas públicos, aqui é bem melhor que o SUS. Se quem não tem como ter um plano particular no Brasil tivesse um sistema público como o daqui já estava bem melhor do que está hoje.

Trackbacks

  1. [...] o que outros blogueiros disseram: – Como funciona o sistema de saúde do Canadá? (Ana do Colorido Vida) – Family Doctor (Jeanne do Invasões Barbaras) – Medico de Familia (Mirela [...]

  2. [...] obs. o blog Colorida Vida já respondeu essa pergunta de modo bem completo aqui. [...]

  3. [...] Você não paga as consultas do médico aqui. Nem do hospital, se precisar. Tudo é coberto pelo “plano de saúde” do governo. Esse sim você tem que pagar, se não tem o benefício oferecido pelo seu trabalho. Pra uma família de 3 ou mais pessoas paga-se 120 dólares por mês. Eu já escrevi sobre como funciona o sistema de saúde aqui no Canadá. [...]

Comente

*