Inglês e amizades

por Ana Paula em 11/12/2007

em Canadá, Laura

Um dia desses o Daniel me perguntou:

Como ela anda com o aprendizado do inglês? E na escola, já fez amigos, se comunica bem?
Fiquei curioso…

Acho que todo mundo fica curioso sobre essa parte da língua, né? Eu também ficava, não só curiosa, como preocupada. Os parentes, preocupados dela esquecer o português. Mas recentemente a Mirela, lá do outro lado do país, escreveu sobre a adaptação da Mariana e eu não pude concordar mais com ela! As crianças são as que se adaptam mais fácil nessa mudança toda. Não só de não sentir a carga emocional que nós, adultos, sentimos, mas na adaptação ao idioma também. A cabecinha delas está fresquinha, pronta pra absorver de tudo e mais um pouco. E com a gente, não foi diferente.

Laura entrou na creche em abril, em meio-período. Lembro das primeiras vezes que conversei com a professora sobre essa coisa do idioma – se ela ia entender, se saberia se comunicar com as professoras e as crianças. A professora disse que já tinha experiência com isso (claro, aqui só tem imigrantes!) e falou aquilo que todo mundo fala: criança aprende rápido, não se preocupe.

Em julho ela passou a ficar o dia todo (quando o André começou a trabalhar também, depois de mim). E acho que foi aí que a gente começou a perceber como ela se desenvolvia rápido com a língua. No começo ela falava palavras soltas, tipo as cores, números, objetos em geral. Era a fase também quando ela começou a falar alguma coisa que não era nem inglês, nem português, mas fazia de conta que estava falando inglês.

De lá pra cá, a coisa só deslanchou. Hoje, quase dez meses depois da gente ter chegado aqui, ela já forma frases completas, faz perguntas e está começando a misturar português com inglês em casa. Ela fala coisas como: “Mamãe, me dá meu lunch bag?” (lancheira), “Olha só, mamãe, tem um rainbow no céu!” (arco-íris). Ela está aprendendo a escrever na escola, então já sabe várias letras do alfabeto, mas em inglês. Então ela fala: “Esse aqui é o M, for Mommy”, e fala ‘em’ e não ‘eme’, como a gente. Ela já constrói frases interrogativas usando os auxiliares (do). Ela entende quando perguntam a idade dela na rua, e responde mostrando os dedinhos e falando ‘three’.

Essa parte do idioma, realmente, não tem o que se preocupar – quem está vindo pra cá com filhos pequenos. Eles aprendem rápido mesmo.

A segunda parte da pergunta do Daniel foi sobre as amizades da Laura. Ela é a menina mais sociável que eu já conheci. Ok, não com desconhecidos, mas depois que você quebra aquele gelo inicial, Laura é super tranquila de lidar. Conversa pelos cotovelos e todo mundo adora ela na escola. Ela sempre fala de duas amiguinhas da escola, a Rita e a Cintia. E é um tal de “Mamãe, a Rita falou que eu não sou grande”, ou “Eu quero chamar a Cintia pra vir brincar comigo”, que eu não sei de onde ela puxou essa personalidade, já que eu e o André somos o contrário dela – tímidos e difíceis de fazer amizade.

Um dia desses fomos visitar uns amigos, e encontramos a Rita e a mãe dela no elevador (elas moram no mesmo prédio). As duas começaram a bater um papão e rir, eu fiquei boba. Como eles se entendem, eu não sei… mas criança tem um jeito especial, né? Não precisa saber falar muito pra se relacionar e criar amizade. E é isso que tenho visto com a Laura.

Pronto, Daniel, acho que já respondi sua pergunta, né… Tem horas que eu quase não comento essas coisas porque são tão corriqueiras pra mim, tão normais, que eu nem noto a diferença. Mas é importante sim olhar pra trás e comparar, e analisar as preocupações antigas e o rumo que as coisas tomaram pra gente. E eu sou muito grata por isso. Tem sido uma experiência incrível – em todos os sentidos – morar fora do Brasil. Mas isso pode ser assunto pra outro post, porque esse aqui já ficou grande demais.

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Colorida Vida - Respostas – parte 2
17/09/2009 ás 09:11

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Daniel 11/12/2007 às 15:33

Então… o post ficou perfeito. Adorei ler. Isso é que é uma resposta.. : ) Imagino que seja realmente um assunto que deixe todo mundo curioso. Quem tem filhos sabe que diante de tanta mudança, o que mais nos preocupa são eles, e como irão reagir a essas aventuras que os pais inventam.

Fiquei imaginando a conversa das amigas no elevador… Deve ser muito bom de ver seu filhote se virando assim.

Ahh… a Gabi, todo dia vem com essa mesma reclamação de que as amigas dizem que ela não é grande. : ) Ela é adiantada no colégio, porque nasceu em julho, e nessa idade 6 meses fazem muita diferença.

Fiquei feliz de saber que está tudo perfeito com ela…

Abraços

Daniel

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Aninha Reis 11/12/2007 às 15:52

Que fofa Ana, fiquei imaginando o papo do elevador…
bjs

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Micheli 11/12/2007 às 17:01

Oi Ana!
Bom saber…nada como a experiência!
Apesar de saber que cada criança tem seu tempo para tudo,é animado e bom saber que preocupar-se com isso não está na lista.Também estávamos curiosos,estaremos aqui esperando as cenas dos próximos capítulos da série.hehehe
Bjos

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Gabi Butcher 11/12/2007 às 19:16

Que post mais LINDO!!! Amei! Mãe é mãe não importa onde e crianças são crianças em qualquer lugar do mundo!

Bjs.,

Gabi

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PatriciaUk 12/12/2007 às 02:29

Parabens Laura!Como vc falou, eles se adaptam maravilhosamente a tudo e todos… Acho que amizades nessa idade sao super importantes, nao sei se e costume ai, mas aqui a gente convida os amigos da escola para virem brinca em casa sem a mae ou seja ‘play date’ entao acho que esta na hora da Cintia vir para um play date, nao?rs Agora ate vir dormir em casa os amiguinhos estao vindo e vice e versa! Bjos xx

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Daniela 12/12/2007 às 03:29

Ah, eu acho maravilhoso quando vc fala sobre isso, pq sabe, né? Eu tb tenho o meu pequeno bilingue em casa. Parecia que eu tava lendo sobre o Lucas, até certa parte. Ele já fala as palavras soltas e fala aquela língua estranha tb, hehehehe… Achei que era só ele! Ele pega o celular de brinquedo e bate altos papos, uma comédia.
Vc nem sabe como me deixa mais tranquila quando fala da adaptação da Laura. Vários fantasmas já me abandonaram desde a nossa última conversa sobre o assunto. Obrigada mesmo!

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Mic 12/12/2007 às 03:40

Nossa, Ana, que lindo deve ser a Laurinha falando inglês! ;) E eles vivem nos surpreendendo, né? Vai ser engraçado vê-la de volta ao brasil, misturando tudo! rs

bjs

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Viviane 12/12/2007 às 04:41

as crianças realmente aprendem mais rápido e as vezes até nos dão aulas!!!

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Dani Batalha 12/12/2007 às 05:43

Oi Ana!
Que bom ter noticias da Laurinha, seus pais já chegaram aí? Tomara que vcs já estejam matando as saudades.
Beijos, beijos
Dani

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Renata 12/12/2007 às 09:26

Muito obrigada pelo post. Também me preocupo com a adaptação da minha pequena, mas pelo que vejo eles são os que dão menos trabalho.
Estou aguardando o próximo post sobre como tem sido a experiência de morar em outro país.
Obrigada!
Renata

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Aline 12/12/2007 às 10:43

Este é um assunto que me interessa muito. Pretendo um dia (só Deus sabe quando) sair do Brasil e fico pensando a mesma coisa. Como será que meus filhos irão se adaptar. Hoje, estão com 12 e 9 anos. A mais velha, talvez não sinta tanta dificuldade com a língua, apesar de não se aprofundar no inglês, mas está aprendendo francês. O mais novo, talvez, sinta mais dificuldades. Bom, mas como eles são imprevisíveis mesmo, só mesmo vivendo esta experiência, como você Ana.
Deve ser mesmo uma graça a Laura falando as duas línguas. Acredito que ela não vai “esquecer” o português, se vocês falam sempre em casa. Pode ser que fique com “sotaque”, né?
Até mais! Bjs!
Aline

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Ju De Mari 12/12/2007 às 12:37

Baita experiência pra Laurinha, hein? Só o fato de desenrolar a língua — sem ter noção do quanto pode ser difícil pra quem começa a aprender com mais idade! — já é uma maravilha. E esse papo de elevador, meu Deus? Adorei! Bjos, Ju

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Amanda & Meninas 12/12/2007 às 14:07

Nossa Ana, quase 10 meses já? como passou rápido. E fiquei aqui emocionada com seu relato do aprendizado dela. Sou uma manteiga derretida mesmo, as crianças me encantam com sua pureza e inocência. Beijos, Amanda

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José Fagundes 13/12/2007 às 04:03

Oi, minha filha, caramba, como é legal ler suas postagem neste veículo, quando nos falamos e nos vemos pelo Skipe nossa alegria é tanta, que esquecemos dessa riqueza de detalhe.

A Laurinha, desde que nasceu é especial, e aqui não tem os olhos de vô coruja, tem a percepção e observação de todo o tempo em que pudemos conviver com ela, e aprender com ela. Sua facilidade de aprendizado é acima da média, logo não surpreende ela estar se desenvolvendo como está, principalmente e acima tudo com o amor e carinho que vocês (você e o André) lhe dão, e a forma especial com que vocês se dedicam a essa anjo de Deus.

Para aqueles que estão buscando informações e preocupados de como seus filhos se adaptarão em um país de lingua diferente, recentemente foi apresentado por cientistas uma pesquisa, concluindo que uma crianças até 5 anos de idade tem capacidade para retenção do aprendizado de até 2 idiomas sem prejuízo daquela de sua origem.

Olha, estamos chegando, faltam 6 dias. bjs.

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Gabi Butcher 13/12/2007 às 10:56

Depois de ler um comentário de pai/avô deste eu tinha que vir aqui de novo e pedir… quanto é o aluguel??? Brincadeirinha…

Eu sei a emoção que vc. está nestes dias que precedem a hegada da família… vai ser maravilhoso este mês (?) que eles passarão aí!!! Curta TUDO e um pouc(ÃO)!!!

Bj.,

Gabi

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Cíntia Levita 13/12/2007 às 12:11

Meu irmão caçula estudou numa escola americana qdo pequeno. Vivia misturando tudo e se irritava qdo as empregadas não entendiam que ele pedia water! hahaha
Eles se viram fácil fácil…e isso é ótimo!
Beijos!

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Tereza Fagundes 13/12/2007 às 14:44

Estou muito feliz pois está chegando o dia que vamos finalmente nos abraças e chorar juntos. Vai ser maravilhoso o nosso reencontro.Não vejo a hora de entrar naquele avião.
Eu não estudei profundamente outro idioma mas tive uma pequena noção de como é difícil fazê-lo com mais idade. Sempre falei para voce e sua irmã que a cabeça de uma criança é como uma fita virgem, tudo que se ouve e vê grava-se com perfeição.Sempre tive muito receio ao educá-las, tive muito medo de ensinar errado e depois ter que corrigir meus erros.Hoje contemplo voces e sinto muita paz no meu coração. Agora chega esta menina dos cachinhos dourados e arrebenta a boca do balão. Meu coração está festejando a vitória de voces. Obrigada por terem deixado a Laurinha comigo quando estavam morando no Brasil.Com a Laurinha eu aprendi que ainda tenho muito para aprender e ensinar também.Hoje eu sou outra pessoa.Laurinha veio para nos tirar da rotina.
Parabens minha professorinha. A vovó já está chegando. Vamos brincar muuuuuuuitooooooooooooo!!!!
Beijos!

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Gabi Butcher 13/12/2007 às 14:49

Gente… Ana oq. é isto… que família maravilhosa!!! Fiquei com os olhos cheios d’água lendo o texto de sua mãe…

Boa noite.

Gabi

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Harumi 14/12/2007 às 13:15

Ana,
Você tem toda razão, as crianças são mesmo as que se adaptam mais rápido e fácil. E tb apredem rápido. A Laura tá lidinha demais falando assim misturando os 2 idiomas.
Beijos.

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Déborah Kelly 31/07/2008 às 04:18

preciso de mais assutos de ingles!!!

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