Minha filhota,
Estamos no outono. Aqui as estações são o contrário de onde vivíamos antes. Lá no Brasil agora é primavera. O outono é a estação da mudança: as folhas das árvores, de verde, ficam amarelas, vermelhas, marrom. É uma mudança gradual, porém rápida. É como se, do dia para a noite, todas as árvores mudassem de cor e depois suas folhas caem.
Você tem sido como o outono, Laura. É notável como você é uma criança diferente de quando chegamos aqui. Tudo tem mudado tão rápido e quando dou por mim, quase não a reconheço. Lembro com saudade dos seus dias de bebê, e agora você já é uma menina grande.
É fascinante testemunhar o seu crescimento e desenvolvimento. Ultimamente parece que você tem tido obsessão pelo seu crescimento também. Faz questão de reafirmar que não é um bebê, que é uma menina grande, que já cresceu. Semana passada você ficou toda feliz porque alcançou o interruptor de luz do banheiro.
Você também está cada vez mais independente. Já come sozinha, vai no banheiro sozinha - mas ainda precisa de ajuda pra se limpar. Até tomar banho você gosta de tomar “sozinha”. Você até briga com a gente se queremos ajudá-la.
Eu não me canso de dizer que sempre me surpreendo com você. Literalmente fico de queixo caído. Principalmente quanto ao seu aprendizado na escoilinha. As professoras dizem que seu vocabulário em inglês cresceu bastante e você já forma frases pequenas. Em casa, quando brinca com suas bonecas, você “conversam” em inglês. Nem tudo ainda é claro, mas cada vez mais você fala melhor. Você já emprega os do’s e dont’s direitinho, a ordem dos verbos ao fazer perguntas, até o one sem ser numeral você já sabe. Coisas que eu só aprendi depois de alguns anos no curso de inglês, você já sabe direitinho. Você sabe o significado das palavras e sabe fazer a tradução pro português e vice-versa. Novamente, meu queixo vai lá no chão.
No fim-de-semana eu estava lendo um livro, estava quase acabando e doida pra devorar as páginas finais. Enquanto isso, você pulava de lá pra cá em cima de mim, me fazia cócegas. EU te repreendi, mas você não parava. Até que eu falei bem sério com você que parasse porque eu estava lendo naquela hora. Você começou a chorar, sentida. Pus o livro de lado e te peguei no colo. “O que foi? Vem cá. Ficou triste porque a mamãe brigou com você?” E você prendia o choro, triste, soluçante. “Eu quero que você brinque comigo”, você respondeu, entre lágrimas.
Foi o suficiente pra eu perceber o que realmente importava. O livro eu podia ler depois (como realmente o fiz). Brincar com você era prioridade. Obrigada, Laura, por me lembrar que nada no mundo é mais importante que você. Minha filha. Desculpe-me se às vezes não te dou a atenção que você me pede, e que merece.
Um dia você vai ser mulher, mãe e vai ter uma carreira. Você vai ver como é difícil se dividir em mil e um pedaços. Ainda assim, eu preciso melhorar como mãe. E você tem me ensinado dia a dia a ser uma mãe melhor. Uma pessoa melhor. Obrigada.
Beijos,
Mamãe






















Lindo!!!
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