Garimpando a rede #10

Title

Bacana o gráfico acima, né? Você pode criar um também, gratuitamente, no Canva. (via Loma)

Aliás, o blog da Loma, o Sernaiotto, é um blog super bacana! Ela tem uma série de posts com dicas de como melhorar o seu blog.

Se só o pensamento de viajar de avião com crianças te deixa arrepiado, não deixe de ler as dicas da Sut-Mie.

Você quer vir mesmo morar no Canadá? Tem certeza? Então é bom saber que nem tudo são flores.

Tem algo que você nunca fez? Duas amigas registraram uma coisa inédita de suas vidas por 365 dias.

Adoro ler, sempre: dicas para escritores.

Vamos simplificar a vida e nos cobrar de menos, vamos? (via Deleite da vida)

Mais um blog de decoração cheio de lindezas.

Animais de estimação: ter ou não ter?

5243964146_af3c93ede8_b

Eu nunca tive bicho de estimação.

Não se você não contar aqueles peixes ou pintinhos de feira de animais. Daquelas feiras que se instalam em estacionamento de shoppings, cheia de cercadinhos de grade com tudo quanto é espécie de cachorro, cada um mais fofo que o outro, principalmente os filhotes. Daqueles que dá vontade de você trazer pra casa. Mas não os gatos. Gato é bicho independente, sempre achei que tinham personalidade meio traiçoeira, aqueles olhos dissimulados, um dengo falso no miado meloso. Mas os cães eu amava.

Eu sempre pedia pra minha mãe me levar na feira de animais quando eles anunciavam na televisão. Devo ter ido em umas quatro ou cinco. E era sempre a mesma coisa: eu enchia o saco da mãe pra comprar o bicho. “Claro que não, menina, onde é que vamos botar cachorro morando em apartamento?” era sempre a resposta ao meu pedido. Mas eu conhecia vários que moravam em apartamento. Eu queria um pra mim. Sempre quis.

Meu consolo depois do passeio na feira de animais era o saquinho plástico amarrado na boca, cheio de água e um peixinho lá dentro. A “lembrancinha” do evento, totalmente grátis. Matei todos. Duravam coisa de quatro, cinco dias. Uma semana, talvez. E eu nem tinha aquário. Colocava o peixe dentro de uma jarra de vidro que minha mãe usava para servir suco na mesa. Nunca devo ter trocado a água dos peixes, coitados. Tampouco lembro de ter colocado comida na água. Simplesmente ficavam ali, naquela água parada, nadando pra lá e pra cá, enquanto eu ficava vidrada do lado de fora da jarra, observando as pequenas escamas e o abrir e fechar de suas boquinhas fazendo um “O”. Dias depois, amanheciam deitados, boiando na superfície da água suja. Como é que eu poderia cuidar de cachorro se não sabia tratar do peixe?

Da outra vez foi o pinto. Trouxemos dois pra casa, um pra mim, outro pra minha irmã. Tão pequenos e frágeis, aquelas bolinhas de pena amarelinha, com piado baixo e agudo. Os pintinhos duraram mais que os peixes, se a memória não me falha. A mãe arranjou uma caixa de papelão, maior que uma caixa de sapato, e deixou lá na área de serviço, forrada de jornal. Deixamos os pintos lá. Alimentamos os pintos e passávamos um tempão ali, acariciando suas cabeças usando só o indicador, bem de leve. (Não podia fazer muito carinho senão o bicho sufocava, dizia a mãe). Até que eles foram crescendo e passaram a pular pra fora da caixa. Trocamos a caixa, eu acho. E logo depois morreram. Não lembro quanto duraram. Mais que os peixes, certamente.

Mas eu queria mesmo era o cachorro. Lá pelos 8 ou 9 anos, eu colecionei um álbum de figurinhas, Cães. Não lembro se cheguei a completá-lo, se não foi tudo, foi quase tudo. Eu sabia o nome de todas as raças. Tinha selecionado aqueles que eu mais gostava. Os filhotes eram os mais adoráveis, claro. Achava lindo o Husky Siberiano, com aqueles olhos azuis, a maior cara de gringo (eu tinha certa fascinação por tudo que fosse gringo, era tudo muito exótico pra mim, na época). Mas o meu preferido mesmo era o Cocker Spaniel, daqueles com pelo liso, caramelo e as orelhas grandonas, caídas no lado da cabeça. Nunca gostei de Poodle, tinha cara de cachorro metido a rico, sei lá. E buldogues eram muito feios, antipáticos pro meu gosto.

8145488170_3e98ed7f3e_k

Eu cresci e a vontade de ter bicho sumiu. Ou adormeceu, sei lá. Acho que criança que tem mais isso de querer ter animal de estimação. Minha filha me pede sempre. Lá no fundo eu acho que também gostaria de ter um cachorro. Mas o lado racional da cabeça de adulto fala mais alto: bicho dá muito trabalho. Quem é que vai sair pra passear com ele? Nesse lugar frio e chuvoso? Ele vai entrar em casa todo molhado e vai emporcalhar a casa inteira. A casa vai ficar com cheiro ruim. Os móveis serão destruídos. Imagina só estragar o meu sofá novinho? De jeito nenhum! E quando a gente viajar? Onde deixa? E quando não tiver ninguém em casa durante o dia? Ele fica sozinho como? Os empecilhos são inumeráveis a meu ver. Não vale a pena.

Já perguntei pra amigos que têm cachorro como é. Alguns confirmam minha suspeita de que é trabalho demais. Outro disse que nunca vai ter outro depois que o dele morreu. Se apegou tanto ao cão que foi muito sofrida a sua partida. E muitos outros amam de paixão, como eu imaginava que seria.

Eu continuo achando lindo. Deve sim ser muito bacana ter cachorro em casa. Se ao menos eu me convencesse de que pra tudo tem jeito, de que as coisas devem acabar se ajeitando, e as soluções aparecem. Talvez eu me animasse. Criasse coragem. Mas sinto que ainda não é tempo. Talvez o tempo nunca chegue pra minha filha, como não chegou na minha infância, apesar da minha vontade. Por hora, os contras ainda pesam mais que as vantagens. Minha mãe tinha alguma razão pra me negar um animal de estimação, hoje eu entendo.

Porém, continuo com a dúvida. E tomo a liberdade para adaptar o poema de Vinícius:

Cães… Cães?
Melhor não tê-los!
Mas se não os temos
Como sabê-lo?

Imagens: daqui e daqui, sob licença Creative Commons.

Mais itens riscados da minha lista de 101 coisas

A minha lista de 101 coisas continua firme e forte, mas acho que ainda não vai ser dessa vez que vou realizar tudo. Falta pouco mais de 1 ano para terminar o prazo, e só risquei 26 metas até agora, 1/4 da lista em mais de 2/3 do tempo. Ainda tenho tempo e estou sempre revisando a lista para tentar cumprir o máximo de itens.

De fevereiro pra cá, já consegui riscar mais algumas metas da lista:

7. Enviar os mimos para a brincadeira do pay-it-forward para cinco pessoas

Alguém colocou essa brincadeira no Facebook e eu achei tão bacana. A ideia era enviar alguma coisa por correio para as 5 primeiras pessoas que comentassem que queriam participar. Só poderia participar quem oferecesse a mesma coisa para seus amigos, criando uma corrente para distribuir sorrisos pelo mundo. O prazo da brincadeira era um ano. Eu furei o prazo, mas cumpri o que prometi finalmente, um ano e meio depois. Fiz presentes artesanais para as cinco pessoas da minha lista. Como duas delas ainda não receberam, não vou colocar aqui.

12. Plantar uma árvore

abacateabacate2

Sou super orgulhosa do meu abacate! Esse eu plantei desde o caroço. E ele já tem um ano e meio. Recentemente o transferi de vaso, e parece que ele não gostou muito da mudança não, está meio estacionado. Mas espero que seja temporário. É muito bacana acompanhar o crescimento de uma planta! Eu virei aquelas donas malucas que conversam com as plantas, sabe? :)

37. Escrever um haiku por dia por uma semana, refletindo sobre o dia

45. Ler 5 livros da minha estante (comprados e não lidos ainda)

livros-estante

  • O pequeno príncipe (graphic novel), de Joan Sfarr
  • Feed, de M. T. Anderson (não entrou na foto porque já passei pra frente)
  • Inside out and back again, de Thanhha Lai
  • O jardim secreto, de Frances Hodgson Burnett
  • Razão e sensibilidade, de Jane Austen

Ainda tenho tantos outros livros comprados e não lidos! Mania minha de continuar comprando e pegando na biblioteca sem terminar os livros que já tenho na minha estante!

69. Imprimir 80 layouts de scrapbooking pro meu álbum

scrapbooking-album

Quem me conhece há mais tempo, sabe que eu fazia scrapbooking digital. Foram uns 3 ou 4 anos que eu me dediquei a esse hobby, e as páginas estavam somente guardadas no computador. Até que me propus a ir imprimindo aos poucos tudo que fiz. Ainda faltam alguns para completar o álbum, mas já estou satisfeita de ter tantos layouts impressos no álbum. Adoro folhear o álbum e rever os registros que fiz das meninas.

75. Visitar a biblioteca pública de Seattle

seattle-public-library

Realizado em maio. Ainda quero fazer um post só sobre essa biblioteca linda!

80. Completar um diário de viagem

Catei tudo quanto era papelzinho na viagem da Alemanha e comprei um Moleskine para escrever sobre os dias. Já colei tudo no caderno, mas não coloquei fotos, porque ainda não revelei nada. Queria também fazer uma capa caprichada, com colagem, mas ainda não rolou. Pelo menos escrevi sobre as cidades por onde passamos e colei tudo que trouxe (mapas, bilhetes de passeios, etc).

Algumas metas que estão em andamento e quase completas:

34. Escrever todos os dias por 15 minutos pelo menos por um mês

Comecei no mês passado e fui super bem por 10 dias até furar no domingo passado. :( Recomecei novamente na segunda.

41. Ler 3 clássicos da literatura mundial

Li Razão e sensibilidade, da Jane Austen, e O jardim secreto, de Frances Hodgson Burnett. Falta só um.

44. Pegar sugestão de um livro com 10 pessoas e ler todos os 10 livros

Já li 8 de 10.

  • Anna e o beijo francês, de Stephanie Perkins (indicado pela Giu Fernandes)
  • Feed, de M. T. Anderson (indicado pela professora de literatura infantil)
  • Diário da queda, de Michel Laub (indicado pela Socorro Acioli)
  • Um dia, de David Nicholls (indicado pela Tati)
  • Slammed, de Colleen Hoover (indicado pela Janine)
  • A felicidade, desesperadamente, de André Comte-Sponville (indicado pela Ju)
  • Koko be good, de Jen Wang (indicado pela Nafiza)
  • Tenho o teu número, de Sophie Kinsella (indicado pela Ana Amorim)

46. Costurar uma bolsa de pano pra mim

Já está cortada, só falta montar e costurar.

55. Fazer cinco itens do meu mural de crafts, costura ou DIY no Pinterest

capa-kindle

63. Fazer 10 receitas que marquei no Pinterest

As últimas que eu fiz foram o muffin de blueberry, o bolo de banana com nozes, e a sopa de lentilha com arroz.

76. Três cidades que ainda não conheço, em viagens diferentes

Só na viagem de março já teria completado este item. Eu acabei acrescentando “em viagens diferentes” justamente pra não matar o item todo de uma vez só.

E vocês? Também têm lista de metas para cumprir?

52 objetos, número 14

52-objetos-imagemO quê: Piranha de cabelo
Onde: No cabelo, na bolsa, na caixa de acessórios do banheiro, perdido em algum lugar
Origem: Peguei da minha irmã

52objetos-14

Eu vivo de cabelo preso. Tenho uma agonia absurda de deixar cabelo solto. Eu até acho lindo cabelo solto, e o meu cabelo é bem grande, mas não sei o que tenho que não consigo sentir cabelo no meu rosto. Nem no rosto, nem em parte nenhuma do corpo. Eu consigo sentir um único fio de cabelo me roçando na parte de trás do braço, ou na perna, e não sossego enquanto não acho o tal fio. A minha neura com cabelo solto é tão grande que nem minhas filhas escapam. Assim que descem para o café, a primeira coisa que eu peço é para prender o cabelo. A pequena ainda tem uma franjona grande e vive com o cabelo cobrindo os olhos. Eu fico agoniadíssima com isso!

Essa piranha em particular, é minha preferida. Roubei da minha irmã quando ela veio passar um tempo comigo. Ela tinha duas, então não foi tão cruel assim. Já perdi a piranha várias vezes! Eu sou mestra em largar coisas na bolsa, depois esquecer onde coloquei. E nesse troca-troca de bolsa, eu nunca sei onde nada está. Meu prendedor de estimação já ficou perdido numa dessas. Aliás, agora mesmo, eu não sei onde enfiei ele! Eu tenho outras piranhas, mas essa tem a pressão perfeita, e dá conta direitinho do volume do meu cabelo, nem mais, nem menos.

O que é o projeto 52 objetos?

Em muitos anos no futuro alguém encontra uma caixa cheia de coisas que você possuiu e tenta descobrir que tipo de pessoa você era. Talvez essa caixa tenha fotografias, livros, documentos pessoais, roupas, talheres, bilhetes de shows ou até um pacote de chiclete. O que esses objetos diriam sobre você? Eles mostrariam um retrato fiel da sua vida? Qual história eles diriam?

A ideia original veio daqui.

Por que eu apaguei a página do blog no Facebook?

5683562879_824738a903_b

Foi de supetão, em abril, durante uma das minhas crises de blogueira, que eu resolvi dar cabo à página do Colorida Vida no Facebook. Eu tinha mais de 2 mil curtidores por lá, o que eu achava que era até muito, até ver outros blogs por aí que já alcançaram 5 ou 6 dígitos de seguidores (!).

É óbvio que eu achava bacana as pessoas curtindo a página, mas percebi que esse número de pessoas que crescia a cada dia no Facebook não necessariamente curtia o blog de verdade. O número de visitas no blog não acompanhou esse crescimento, nem o número de comentários aumentou por causa da página no Facebook. E a intenção da página era justamente essa: para aqueles que não usam mais o leitor de feeds, que a página fosse um lembrete de quando tivesse post novo no blog.

Acontece que o seu Zuckerman cresceu os olhos pro potencial comercial que a sua ferramenta tem e passou a cobrar para que todos os curtidores de uma página realmente vissem a atualização feita. Ou seja, sem pagar, dos 2 mil curtidores da página, pouco mais de 200 recebiam a atualização da página. Isso mesmo! Você aí que curtiu 58 páginas, provavelmente não está visualizando tudo que essas páginas publicam só porque o dono da página não pagou pro seu Zuckerman deixar você ver.

Aí eu pensei, pra quê continuar com isso então? É trabalho extra pra um retorno que não existe. Eu não quero ficar colecionando curtidores no Facebook só pra mostrar um número gigantesco aqui no blog. Como disse, aqueles não eram leitores do blog de qualquer forma. Prefiro contar com meus 800 e poucos assinantes de feed (obrigada, gente!) do que com os 2 mil lá no Facebook. Quero manter um relacionamento de blogueiro/leitor com quem realmente lê o blog, e interage de alguma forma.

Então é isso. Se você tinha curtido o blog no Facebook, não estou mais lá. Obrigada pela visita de sempre e se quiser ficar sabendo das novidades do blog, não esqueça de assinar o feed. Você pode usar um leitor de feed (como o Feedly ou o Bloglovin) ou assinar por e-mail (coloque seu e-mail no campo na lateral do blog).

Eu, Ana Paula, ainda estou no Facebook com meu perfil pessoal. Quando criei a página do blog, foi também para permitir que os leitores tivessem esse canal extra de comunicação comigo sem que eu os adicionasse no meu perfil pessoal. Eu tento deixar meu perfil super enxuto, só com familiares e amigos bem próximos mesmo. Além disso, estou ficando é cansada do Facebook pra falar a verdade, e nem tenho usado tanto ultimamente. Espero que vocês entendam e não se chateiem se eu negar o pedido de amizade pelo perfil pessoal lá no Facebook, ok?

Imagem sob licença Creative Commons.

Alemanha: Castelo de Neuschwanstein e Oberammergau

neuschwanstein2

Continuando a série sobre a viagem da Alemanha, este foi o segundo dia.

Há muitas cidadezinhas charmosas nos arredores de Munique, na Alemanha. A região sul do país é onde fica o estado da Baviera (Bayern), que é a parte mais típica tradicional alemã, a meu ver. Quando pensamos em Alemanha, naquelas roupinhas típicas de vestidos com aventais e meias levantadas até o joelho, nas canecas gigantescas esculpidas em cerâmica, tudo isso é tradicional desta região da Alemanha.

Ficamos quatro noites em Munique, mas visitamos a cidade em apenas um dia. Os dois outros dias cheios (um foi pra gente chegar de Frankfurt até lá) fizemos passeios em cidades mais afastadas de Munique, a uma hora e meia no máximo de lá.

oberammergau7

Um dos passeios imperdíveis é visitar o castelo de Neuschwanstein (pronuncia-se “Nóishvanstain”), o famoso castelo que inspirou Walt Disney a criar o castelo da Bela Adormecida. A estrada de Munique até a cidade de Hohenschwangau é magnífica! Aquelas paisagens idílicas, pastoris, com muito verde e montanhas majestosas cobertas de neve no topo. Só o passeio de carro até lá já vale a pena! Dá pra ir de trem também, e o Ricardo Freire, do Viagem na Viagem, explicou como fazer isso neste post. Aliás, pegamos muitas dicas dos arredores de Munique no blog dele.

neuschwanstein4 neuschwanstein5

Chegamos na cidade lá pelas 11 da manhã. O castelo fica num lugar bem afastado e não tem muita civilização por perto, a gente até fica se perguntando se a estrada vai dar mesmo em algum lugar. No pé da montanha tem o lugar onde compra o ingresso do castelo, que marca o horário da visita. Eles geralmente colocam o horário da visita pelo menos uma hora depois da compra, que é pra dar tempo de subir a montanha. Você pode subir a pé (o mapa dizia que durava uns 40 minutos a caminhada), de ônibus, ou de charrete. Como a minha mãe não aguenta andar muito, pegamos o ônibus mesmo. O legal do ônibus é que ele te deixa em alguns metros acima do castelo, perto da ponte Maria (Marienbrucke), de onde temos aquela vista privilegiada do castelo e do vale.

neuschwanstein3

A moda dos cadeados de amor está rodando o mundo inteiro!

As crianças ficaram encantadas que estávamos visitando um castelo de verdade! Ele foi construído pelo rei Ludwig II (Luis II), que era um cara meio ecêntrico, digamos assim. A decoração do castelo, construído no século 19, foi toda inspirada na obra do compositor Richard Wagner, que era amigo do rei.

O tour dentro do castelo é super organizado, você fica com o seu grupo o tempo inteiro. Todos recebem um aparelho para ouvir a narração da história dentro dos cômodos e tem até opção de ouvir em português (de Portugal). Não é permitido filmar ou fotografar dentro do castelo. Passamos por diversas salas, quartos, e mais salas, decorados ao extremo, com paredes e tetos pintados, muita tapeçaria e muito dourado por todos os lados. É tudo muito grandioso, exagerado! A vista não dura mais que meia hora ou quarenta minutos, é rápida. No final você sai em uma lojinha, como é de praxe em qualquer atração turística.

neuschwanstein1 neuschwanstein6 neuschwanstein7

Pegamos o ônibus de volta para descer o morro. Já era hora do almoço e todos morríamos de fome. Como a cidade é muito pequena e o movimento todo gira somente em torno do castelo, não encontramos muitas opções de restaurante no pé da montanha. Tinham uns dois, mas eram super caros. Acabamos comendo um cachorro quente desses turbinados de tão grande que era a linguiça (especialidade dos alemães!) numa barraquinha de lanche.

De lá, visitamos outra cidade próxima, também dica do Ricardo: Oberammergau. Essa parecia uma cidade de boneca! Ruas de ladrilho, muros pintados como obras de arte, arquitetura típica da região com telhados como a gente desenha quando é criança, tudo muito colorido, muita madeira exposta. Além do charme da pequena cidade, não há muito o que fazer por lá. Demos uma caminhada por duas ruas principais, olhando as lojas de souvenirs e artesanato. Sentamos para tomar um sorvete. (Fazia frio, mas a gente que mora no Canadá toma sorvete o ano inteiro!).

oberammergau2oberammergau3oberammergau4oberammergau5oberammergau1oberammergau6 Eu queria ter podido visitar uma das montanhas dos alpes bávaros, mas as meninas e minha mãe já queriam voltar, não teríamos muito tempo para curtir a paisagem do topo da montanha. Mas já tínhamos curtido bastante o dia, não tinha do que reclamar. E no dia seguinte tinha mais: Innsbruck, na Áustria.

Meus podcasts preferidos

podcasts

Tem uns dois anos que eu comecei a ouvir podcasts. Aprendi a mexer no aplicativo do iphone e baixava alguns episódios para ouvir no ônibus, quando eu não queria ler. Desde então, já descobri muitos programas bacanas e acompanho alguns regularmente. Eu escuto também quando estou fazendo tarefas em que não preciso pensar muito, como lavar louça, passar ou dobrar roupa.

Pra quem está aprendendo inglês, ouvir podcast é um ótimo exercício para praticar o ouvido. Não só inglês, mas qualquer língua. Eu andei escutando uns podcasts da Deutche Welle quando estava estudando alemão mais ativamente. Opção é o que não falta.

Estes são os que ouço mais frequentemente:

Literáriocast

literariocastPra quem curte livros, o Literáriocast é um programa muito bacana! Foi o primeiro podcast brasileiro sobre livros que comecei a escutar no ano passado. A edição do Rafael Franças é praticamente profissional de tão boa! São três integrantes principais da equipe e às vezes eles recebem convidados para falar de temas específicos. Adoro o segmento Dicas da vez, no final de cada programa, onde os participantes indicam livros, sites, ou séries legais. Eles lançam novos episódios a cada 10 dias.

Cabulosocast

cabulosoDepois de ouvir tudo do Literáriocast, comecei a procurar outros podcasts sobre livros feitos no Brasil e passei também a acompanhar o Cabulosocast, um programa super divertido no comando do Lucien. O podcast é semanal, e muito bem editado também. O Lucien é muito divertido e muito empolgado, eu sempre dou risadas ouvindo os programas. Eles fazem programas sobre livros específicos e também sobre temas gerais do universo dos leitores (gêneros literários, tendências, comportamento dos leitores, livros preferidos, livros que viram filmes, etc.). As análises são sempre muito relevantes e originais. E discutir sobre livros é sempre tudo de bom, né?

Fala freela

falafreelaEsse eu descobri tem pouco tempo e curti muito a estrutura dos programas. É um podcast para profissionais freelancers, focando principalmente na área de web e design. Eu não trabalho mais nesta área, mas curto muito ouvir a equipe do podcast falando sobre o seu dia-a-dia. Eles dão muitas dicas bacanas para empreendedores também, sobre como gerenciar o relacionamento com clientes, como melhorar a produtividade, e outros assuntos mais genéricos, mas super interessantes. Curto muito o papo desses profissionais inteligentes!

I should be writing

i-should-be-writingFoi o primeiro podcast que comecei a ouvir, há uns dois anos talvez. A Mur Lafferty apenas sonhava em ser escritora quando começou a compartilhar sua jornada com os ouvintes. Ela falava sobre seu processo criativo e sobre cada fase da sua carreira como escritora. Hoje ela já tem dois livros publicados e continua dando dicas para potenciais escritores. O mais bacana disso é perceber que todo escritor tem as mesmas dúvidas e os mesmos problemas de autoestima. Ela sempre faz entrevistas com outros escritores e profissionais do mundo editorial.

The art of simple

artofsimplesquare-280x280O podcast do antigo blog Simple Mom. A autora mudou o nome do site há um tempo atrás para The art of simple. O blog foca em vida simples e como viver intencionalmente. Os podcasts são sempre conversas com outras amigas dela, também blogueiras, sobre assuntos do dia-a-dia. Fica parecendo que estamos ouvindo conversa de comadres, sabe? De vez em quando rolam dicas de coisas que elas curtem, seja música, livros, séries ou serviços. Em setembro deste ano, a Tsh vai rodar o mundo com sua família (ela tem três filhos) por um ano. Gente assim me inspira.

The bright side

bright-sideEsse podcast é na verdade um programa de rádio de uma estação da Califórnia. São episódios curtos, de no máximo 20 minutos, sobre desenvolvimento pessoal. A convidada é uma coach pessoal, que não chega a ser uma psicóloga, mas é alguém que te ajuda a repensar os seus objetivos de vida e como você pode alcançá-los. Ela fala de temas como: equilíbrio entre a vida pessoal e a profissional, como abraçar o fracasso, como fazer boas escolhas, como parar de se preocupar. São sempre dicas de como encarar a vida mais positivamente e não deixar que os obstáculos nos impeçam de realizar nossos sonhos. Muito inspirador.

E você? Costuma ouvir algum podcast? Compartilhe nos comentários.

Imagem sob licença Creative Commons.

Nossos 10 destinos de viagem mais desejados

Eu vi a blogagem coletiva dos top 5 destinos de viagem no blog da Lúcia e não poderia ficar de fora. A iniciativa da blogagem coletiva foi do blog Quatro cantos do mundo. Como a Lu, em vez de só cinco, eu selecionei 10 destinos: cinco meus e cinco que os outros membros da minha família já expressaram desejo em visitar.

Agora, vamos combinar, que tarefinha difícil escolher só cinco destinos de viagem dos sonhos? Eu quero é visitar o mundo inteiro! Alguém aí já viu anúncio de trabalho para viajante profissional? Eu topo, hein? ;)

Aí vai a minha lista:

1. Newfoundland e Labrador, Canadá

Sim, no topo da minha lista está uma outra província aqui mesmo no Canadá! Eu vejo propagandas de Newfoundland e Labrador e fico ba-ban-do de tão lindo! A província fica no outro extremo do país, lá no oceano Atlântico. A mistura do mar com o relevo acidentado cheio de penhascos me deixa de boca aberta! Sem contar essas edificações todas coloridinhas na capital, St. Johns. Imagina as fotos que você pode tirar aqui!

5617046294_a6d4bc8f87_b 6153078538_ecce062a31_b 7659715962_843bb86b64_k 8003206558_de5628bcde_k

Imagens: 1234

2. Islândia

Eu tenho atração por lugares que não são lá tão populares ou previsíveis. Temos amigos que foram pra Islândia há algum tempo e fiquei fascinada! Uma grande vantagem é poder ver a aurora boreal (aqui no Canadá também dá, mais para o norte). E tem esse lago lindo, azul, um spa com água quente. Imagine só entrar na água quente e do lado de fora a temperatura estar negativa. Deve ser uma experiência incrível!

3028326881_c20a51c839_b 4036107839_0908c18501_b 5259928999_f952aa9c15_b 7336454476_61c55a9963_k 8083387830_8afb2d4c6a_h

Imagens: 56789

3. Suécia

Depois de começar a acompanhar o blog da Vânia, fiquei morrendo de vontade de conhecer a Suécia. Tenho uma prima que mora em Gallivare, no norte do país, e fico apaixonada pelas fotos que ela compartilha também. A Escandinávia certamente está nos meus planos de viagem no futuro!

6174946916_24143ab1c8_b 6979842484_21a95baef1_o 8416575164_20506c7dbe_k 13632852415_758b672105_k

Imagens: 10111213

4. Punta Cana, República Dominicana

Morro de vontade de fazer uma viagem para algum resort desses na América Central e escolhi Punta Cana para representar a região. Mas poderia ser no México, na Jamaica ou nas ilhas das Bahamas. O foco aqui é areia branca fina, mar turquesa e céu azul. Muita sombra e água fresca. Uma redinha também não caia mal não, hein?

1281457439_c9a3883ff7_b 5166655107_e35d0639af_b 8873003693_490f197b14_k 9693095725_d506311286_k

Imagens: 14151617

5. Tailândia

Outro destino que eu adoraria conhecer seria a região do sudeste asiático, países como Taiwan, Tailândia, Malásia, Indonésia ou Vietnã. Deve ser tudo tão diferente do que estamos acostumados aqui no ocidente! Tudo que vejo de lá é super exótico e a gente enriquece muito como pessoa quando conhecemos culturas tão diferentes da nossa. Só não sei se me adaptaria com a comida. Já provei comida tailandesa aqui em Vancouver e não curti muito…

368122234_30c9ddf6ae_b 4952952749_8e256259f9_b 10954813686_91f24cfb6a_k 11465412016_5da36b9e8d_k 11880982443_8d43335ed5_k

Imagens: 1819202122

Agora o top 5 da galera aqui de casa, não necessariamente na ordem de prioridade: [Leia mais...]

Leituras de abril

O projeto Rosie, de Graeme Simsion
rosie-projectDon Tillman é um solteirão de quase 40 anos, professor de genética numa universidade na Austrália. Ele desenvolve um questionário enorme para recrutar possíveis esposas perfeitas. Até que ele conhece Rosie, uma garota que trabalha num bar, cheia de defeitos segundo os critérios de Don e, portanto, totalmente incompatível para se relacionar com ele. Ele se interessa, entretanto, em ajudar Rosie a descobrir seu pai biológico.

Don é aquele tipo de pessoa, super nerd, que não tem habilidade social nenhuma. Sua vida é regrada e calculada a cada minuto. Quando Rosie entra em sua vida, ela bagunça seus horários e compromissos como Don jamais permitiria que acontecesse. O livro é narrado pelo ponto de vista do professor, o que faz a narrativa muito mais divertida.

A culpa é das estrelas, de John Green
Acho que nem preciso dizer muito sobre este livro, né? A maioria de vocês já deve ter lido, ou, se não leram, já sabem do que se trata. É a história da menina Hazel, de 16 anos, que tem câncer no pulmão. Ela se envolve com o Gus, que teve sua perna amputada uns anos antes de se conhecerem, mas que agora está bem.

Todo mundo que lê o livro, se debulha em lágrimas, mas não aconteceu comigo. Como havia um burburinho muito grande em torno dessa obra, eu evitei ao máximo ler opiniões de leitores. Eu confesso que fui pega de surpresa com o desfecho da história, pra mim ia ser diferente (não vou falar detalhes, mas quem leu sabe do que estou falando). Eu queria muito ter amado esse livro como a maioria, mas não rolou pra mim. Nem o texto achei tão primoroso assim, e todo mundo fala tão bem da escrita do Green. Achei bacana, mas nada que justificasse tamanho frisson, no meu ponto de vista.

A felicidade, desesperadamente, de André Comte-Sponville
Esse foi indicação de uma amiga, no Facebook. É um livro de filosofia contemporânea, sobre a definição de felicidade. Eu adorei! Adoro livros que me fazem pensar, e curto muito filosofia. É um livro pequeno – tanto em número de páginas quanto em tamanho (cabe na palma da mão!).

A felicidade, para Comte-Sponville, é desesperada porque quando você espera agora, quer dizer que você quer, você deseja alguma coisa. A gente só pode querer o que a gente ainda não tem. Quando desesperamos, temos tudo que precisamos e, portanto, somos felizes. Filosofia é, em parte, um jogo de palavras, de sofismos. Mas achei que faz muito sentido e, em alguns momentos, pude observar um paralelo bem interessante com as religiões, apesar do pensador se considerar ateu.

Como esperar é desejar sem saber, sem poder, sem gozar, o sábio não espera nada. Não que ele saiba tudo (ninguém sabe tudo), nem que possa tudo (ele não é Deus), nem mesmo que ele seja só prazer (o sábio, como qualquer um, pode ter uma dor de dente), mas porque ele cessou de desejar outra coisa além do que sabe, ou do que pode, ou do que goza. Ele não deseja mais que o real, de que faz parte, e esse desejo, sempre satisfeito – já que o real, por definição, nunca falta: o real nunca está ausente -, esse desejo pois, sempre satisfeito, é então uma alegria plena, que não carece de nada. É que se chama felicidade. É também o que se chama amor.

(p. 75-76)

A crooked kind of perfect, de Linda Urban
crooked-kind-of-perfectOuvi em áudio, emprestado da biblioteca. Livro fofo para crianças entre 8 e 12 anos. Conta a história de Zoe, que tem 10 anos, e tem a obsessão de ser uma grande pianista concertista e se apresentar no Carnegie Hall. Só que ela não tem piano em casa e não sabe nada de música. Seu pai resolve dar de presente para ela um órgão muito velho, e a menina passa a ter aulas com uma professora rabugenta, aprendendo músicas de seriados antigos de televisão em vez dos grandes compositores clássicos como ela queria.

Os personagens do livro são muito peculiares. O pai tem fobia social, não sai de casa por nada, e só coleciona certificados de cursos à distância. A mãe é o arrimo da família, e trabalha o tempo todo. Quando Zoe se inscreve no concurso anual de órgão, ela percebe que a vida pode ser imperfeitamente perfeita.

Stop pretending: What happened when my big sister went crazy, de Sonya Sones
stop-pretendingAmo romances escritos em verso! Mas não gostei muito deste. É sobre uma menina que tem uma irmã mais velha que foi internada em hospital psiquiátrico. Fala sobre doenças mentais e como a família do doente sofre. Narrado em primeira pessoa, a protagonista sente-se desprezada pela família em detrimento da irmã doente. Mostra sentimentos muito íntimos e profundos. Achei a execução pobre, apesar do tema forte. Desfechos muito repentinos, e alguns pontos ficaram sem ligação na narrativa.


Cadê você, Bernadette?, de Maria Semple
bernadetteBernadette já foi o suprasumo da Coca-cola quando era arquiteta recém-formada, cheia de ideias originais, com alma de artista. Hoje, casada com um diretor top da Microsoft e mãe da pequena Bee, ela é uma mulher no mínimo estranha. Detesta a cidade onde mora, Seattle. Vive dentro de casa e evita ao máximo o contato com vizinhos. Aos poucos, o leitor vai conhecendo os eventos que levaram Bernadette a se transformar no que é hoje, e o motivo do seu sumiço quase no fim do livro.

A história é contada, em partes, do ponto de vista da menina Bee, e através de cartas, e-mails, e diários da protagonista. Eu ouvi o livro em áudio e demorou um pouco para eu me acostumar com a frequente mudança de ponto de vista. Uma coisa que eu amei foi a sátira sobre os moradores de Seattle, que ela até compara com os “canadenses”. Como eu vou pro estado de Washington com frequência, pude me identificar com o estereótipo do americano largadão e “de boa” que Bernadette, que sempre viveu em cidade grande, cosmopolita, tanto critica. O livro é bem leve, e muito divertido.

What I talk about when I talk about running, de Haruki Murakami
talk-about-runningMais um audiolivro pra minha lista. Eu tinha curiosidade de conhecer a obra do Murakami e este audiolivro estava disponível no acervo digital da biblioteca durante uma pesquisa que eu fazia. Eu simplesmente AMEI Murakami! Essa obra é um livro de memórias, autobiográfico, não é ficção. Ele fala sobre como desenvolveu o hábito de correr e como a corrida sempre esteve ligada a sua vida como escritor. Ele praticamente começou a correr na mesma época em que começou a escrever. Achei sua história muito inspiradora, e até me deu vontade de correr também (aliás, o que tem de amigos meus correndo, não está no gibi!). Fiquei principalmente encantada com o paralelo que ele fez entre a corrida e a atividade de escrever. Não é livro de autoajuda, mas fiquei super motivada depois que terminei de ouvir este livro.

The arrival, de Shaun Tan
the-arrivalEu li vários outros livros infantis em abril, mas resolvi comentar apenas sobre esse. Você já viu livro sem texto? Esse aqui é como se fosse um filme. Perfeitamente desenhado, em vários quadros diferentes na mesma página. Conta a história de um imigrante: a estranheza que ele sentiu quando chegou na nova terra, a confusão de não entender a língua falada, as dificuldades de encontrar um emprego e se sustentar, a saudade da família que ficou longe.

As ilustrações são fantásticas! A nova terra onde o homem se encontra parece, a princípio, um outro planeta literalmente. Os animais são muito estranhos, tipo cachorros com rabos de lagartos, com chifres e escamas. A arquitetura dos prédios lembra ilustrações de livros de ficção científica, uma coisa quase meio Jetsons. A comida não parece comida. Só depois de um tempo que eu me dei conta de que a sensação da imigração é justamente essa, porque parece mesmo que você está em outro planeta, onde tudo é diferente do que você tem como padrão. E Tan conseguiu transmitir este sentimento da estranheza com maestria através de suas ilustrações deste mundo absurdo.

Jake and Lily, de Jerry Spinelli
jake-lilyJake e Lily são irmãos gêmeos que têm uma conexão especial. A gente sempre se pergunta se é verdade aquela história que irmãos gêmeos conseguem ler o pensamento um do outro, ou que sentem o que o outro sente, né? Jake e Lily são a prova de que isso é real. Até que Jake, aos 11 anos, faz amizade com outros meninos do bairro e se afasta um pouco de sua irmã, que morre de ciúmes do irmão e faz de tudo para o ter de volta.

A narrativa é contada alternadamente, por Jake e Lily, em primeira pessoa. Achei esse livro muito fofo! Explora bem os sentimentos dos dois irmãos, e como eles, na pré-adolescência, passam naturalmente a ter outros interesses além da ligação especial que ambos compartilham entre si. O livro fala de amizade, de bullying, e do amadurecimento que acontece na pré-adolescência. Tem a dose certa de aventura e traquinagem típicas dessa idade. Pra mim foi bacana recordar dessa época teimosa da nossa vida, quando achamos que sabemos tudo e que a mudança é algo que devemos evitar a todo custo.

Page by Paige, de Laura Lee Gulledge
page-by-paigeO melhor romance gráfico que eu li este ano! Ponto final.

Paige tem 16 anos, acabou de se mudar para Nova Iorque com a mãe e está totalmente deslocada na nova escola. O seu dom especial é desenhar. No seu caderno, ela desenha o que sente. Nós leitores acompanhamos tanto a vida de Paige, como seus próprios desenhos no seu caderno. Eu simplesmente me arrepiava ao ver os pensamentos de Paige em ilustrações. Todas suas angústias, dúvidas e medos metaforicamente elaborados em desenho. Simplesmente genial! E pude perceber que, lá no fundo, eu ainda devo ter 16 anos. (Será que a gente nunca “cresce” de verdade?). Aos poucos, Paige faz novas amizades e é encorajada a mostrar sua arte para o mundo.

E você? O que tem lido de bom recentemente? Compartilhe nos comentários!

Se você está no Goodreads, me adicione. Adoro descobrir livros bacanas que outras pessoas lêem.

Nota: Os links dos livro vão pro Book Depository. Se você comprar pelo link, eu ganho uma pequena comissão. O Book Depository envia para o mundo inteiro com frete grátis.

Blog virtual, vida real: a ilusão de privacidade na internet

4263193267_b803e4c545_o

Tem horas que eu me pego pensando sobre como os blogs mudaram de dez anos pra cá. Eu comecei a blogar em 2003, quando fiquei grávida da minha filha mais velha. Eu conheci vários outros blogs e fazia comentários nesses blogs, e assim fui ampliando a minha rede de amigos blogueiros, e a lista de blogs na coluna lateral do meu blog consequentemente. Naquela época, a grande maioria dos blogs funcionava como um diário virtual. E, como a internet ainda não era o que é hoje (muito antes do Google indexar todo e qualquer documento publicado na rede, quando você ainda precisava cadastrar um site para ele aparecer nas ferramentas de busca), tínhamos a impressão de que nossos blogs eram cantinhos escondidos, secretos, como os diários da adolescência.

Era uma época quando ainda distinguíamos as pessoas “virtuais” das “reais”, como se quem estivesse na internet na verdade não existisse no plano real. Ainda era possível ser anônimo na rede. Não precisávamos validar nossa identidade, registrar números de telefone para participar de qualquer serviço que fosse, não era preciso ter endereço físico pra nada. Eu não conhecia ninguém do meu círculo de relacionamento (quando isso era muito mais do que os círculos do Google Plus) que tivesse blog, ou que lesse blogs.

Eu me sentia mais à vontade escrevendo no meu blog por esse motivo, por mais doido que seja. Porque eu sabia que tinha gente que lia, mas eu não conhecia essas pessoas pessoalmente, e ainda assim eu não me importava. Tinha algo de reconfortante de receber comentários desses desconhecidos, que se identificavam com as minhas questões. Eu considerava a comunidade que eu criei em torno da atividade de blogar e ler blogs mais um círculo de relacionamento da minha vida, assim como temos os amigos de trabalho, os amigos de escola, a família. A gente tende a manter esses círculos de amizades separados, sem interseção. Não que eu escondesse meu blog das pessoas “reais” da minha vida, eu só não comentava sobre ele, não via necessidade de falar do meu blog na vida real. Pra mim, não era compatível. E assim foi por muitos anos, até a internet se tornar uma extensão da nossa vida real.

Até que veio a mudança para o Canadá e meu outro blog sobre a imigração canadense recebia muitos comentários. Eu também conheci tanta gente bacana aqui em Vancouver através dos seus blogs, muitos que até deixaram de ser amigos virtuais e se tornaram presentes nas nossas vidas. Foi aí que eu percebi que meu blog começou a se misturar com minha vida real. Algumas pessoas da família passaram a acompanhar para ter notícias nossas, algumas amigas de faculdade começaram a ler meu blog, e eu passei a ser mais seletiva naquilo que eu decidia publicar. O blog não era mais meu diário secreto na internet (como se algo pudesse ser secreto na internet!).

Estou relendo os arquivos do blog, lá de 2005, 2006, e eu não escrevia sobre nenhum segredo secretíssimo assim. A maioria dos posts eram no estilo diarinho mesmo, contando sobre a minha rotina como mãe de primeira viagem. De vez em quando que eu fazia posts como este, tentando colocar pra fora sentimentos mais íntimos, mas sem explicitar detalhes. Eram realmente poucos os posts quando eu abria o coração. Como eram raras as vezes em que eu comentava sobre política. Mas na minha cabeça, o blog e a vida real não deviam se misturar. Vai entender.

O fato é que misturou. E eu passei a encontrar pessoas pessoalmente que me conheciam só pelo blog. Essa sensação é estranha, porque algumas dessas pessoas sabiam tanto da minha vida e eu não sabia nada da delas. Em três ocasiões, fui reconhecida na rua aqui em Vancouver, por brasileiros à passeio ou estudantes. A primeira vez foi no Aquário de Vancouver. A moça era de Recife e até pediu pra tirar foto comigo. Foi bizarro! Outra vez foi no elevador do meu trabalho. E outra vez no Staples, uma loja de material de escritório, no centro da cidade. A moça que trabalhava lá era brasileira e me reconheceu (ela até tinha me mandado e-mail e eu não tinha conseguido responder!). Eu espero que essas pessoas tenham tido uma boa impressão minha pessoalmente, porque eu sou muito tímida na verdade. Não é incomum eu conhecer novas famílias brasileiras aqui e eles me perguntarem se eu não sou a Ana do blog. E, eu não sei porquê, mas eu sinto certo desconforto toda vez que isso acontece, sabe?

Por isso eu passei a filtrar ainda mais o que eu coloco aqui. Principalmente sobre minha família, e minhas filhas. Ainda escrevo bastante sobre o que vivemos, mas hoje em dia bem menos do que foi há alguns anos. Já teve ocasião de conhecer alguém pessoalmente e a pessoa se dirigir à minha filha comentando sobre algo que tinha acontecido com ela recentemente. Ela não entendia como aquela pessoa poderia saber daquilo, claro. Hoje ela sabe que eu tenho blog, mas quando era menor não entendia isso. No mestrado li muito sobre a questão da criança na internet, sobre privacidade, sobre identidade. Percebi que eu não estava protegendo a privacidade das minhas filhas, que eu estava já construindo a identidade virtual delas com meus relatos e publicando as fotos. Então, reduzi drasticamente as publicações sobre elas. Até parei com as cartas, que todo mundo gostava tanto. Ainda sinto vontade de escrever sobre elas, sobre o desenvolvimento delas, mas toda vez eu penso mil vezes e me pergunto: elas vão se importar no futuro com o que eu estou publicando sobre elas agora?

Da mesma forma, evito escrever detalhes sobre minha família no Brasil. Meu pai, por exemplo, não participa de redes sociais e usa a internet somente para trabalhar. Evito publicar fotografias onde estão outras pessoas, sejam amigos ou familiares, principalmente se forem crianças. Eu canso de ver gente publicando foto no Facebook ou abertamente na internet, mostrando os filhos na escola, com outras crianças. Gente! Todo mundo tem direito de preservar sua imagem! Se a gente não tem autorização para publicar a imagem daquela pessoa, não devemos fazê-lo.

Eu tenho tentado fazer as pazes com a ideia de que meu blog e minha vida real agora são um só. Tenho me questionado sobre esse meu estranhamento, esse desconforto que eu sinto quando alguém comenta sobre meu blog comigo pessoalmente. Acho que escrever sobre isso aqui já ajuda, é algo que eu não tinha exposto anteriormente.

Você que tem blog, se sente assim também?

Imagem de anonymous collective, sob licença Creative Commons.