Alicinha,
Primeiro quero retirar tudo que disse na carta anterior. Estávamos indo bem às noites, não mais. Desde que a doida da sua mãe te deu manga antes de você dormir e você acordou vomitando no dia seguinte, você nunca mais quis comer como antes, e muito menos dormir. Tá, deve ser o dente novo também… o fato é que o “padrão” desse último mês foi você acordar mais de 5 vezes toda noite. Sério. Cinco vezes. Sabe quando você tá começando a cair num sono profundo, gostoso? Pois é justamente nessa hora que você me acorda. A noite toda. Como a gente não tem relógio no quarto e eu tenho preguiça de procurar as horas em outra parte da casa em plena penumbra da madrugada, não sei ao certo quanto tempo você fica dormindo. Duas horas, talvez? Deve ser… Só sei que estou com sono. E já que você volta a dormir rapidinho mamando, é isso mesmo que eu faço. TUDO pra você voltar pro berço o quanto antes e eu poder ter o meu soninho de volta. Eu sei que vou me arrepender depois, que já deveria ter tirado o peito de noite, mas tudo bem. Um dia de cada vez, e hoje eu me dou por satisfeita de você dormir imediatamente após abocanhar meu seio. Pronto, chega de falar de sono (eu disse que seria um tema recorrente!).

O grande destaque do mês é que você venceu a lei da inércia. Não pára mais quieta um segundo. Aprendeu a engatinhar de vez, como sua irmã nunca engatinhou (ela andou direto, aos 11 meses). No início era tão engraçado, você sentava, inclinava no chão e se jogava pra frente. Aos poucos foi entendendo que era pra alternar pernas e braços e em duas semanas talvez aprendeu a técnica direitinho. Eu nem mais estendo a mantinha no chão da sala, porque você não fica nela mesmo. Agora tenho que fazer uma barricada de almofadas no móvel da televisão e pra esconder os fios. Se estão à vista, é pra lá mesmo que você vai. Você gosta de bater na lareira também.
Agora que você descobriu a força que tem nas pernas, já se agarra em tudo que vê pela frente que te dê o mínimo de apoio e já ajoelha. Não só ajoelha, como já tenta ficar de pé. No berço você já sabe se levantar sozinha.

Agora que o tempo está esquentando, temos passeado bastante. Pique-niques nos parques, viagens. Tudo pra curtir o sol. Eu te lambuzo de protetor solar (a maioria das vezes), porque você é tão branquela que tenho medo desse sol todo. Entretanto estou é feliz que o sol finalmente apareceu por aqui. Vitamina D direto da fonte, essencial para bebês.
Então, nesses passeios você tem provado coisas novas. Mãe de segunda viagem é bem menos encanada mesmo (e um tico mais maluca, quem sabe?), pois já te dei churrasco e sorvete. E você adorou! Principalmente o sorvete, claro.
Em maio você começou na natação para bebês. Como você se diverte na água! Papai perguntava se era mesmo necessário, já que bebês não vão sair por aí nadando sozinhos. Mas estamos nós duas em casa sozinhas, o dia todo, eu queria alguma atividade (pra mim também!) que nos fizesse sair um pouco, aproveitar o dia. Essa aula caiu como uma luva! A gente vai e volta caminhando e eu já até perdi peso! Ei, acho que me desviei da carta… Então, você ama a água. Ver a sua carinha de satisfação diante da piscina já paga o programa. E isso basta.

Além do seu desenvolvimento motor, você também já aprendeu a bater palmas e está começando a balbuciar seus primeiros monossílabos. Ba-ba, da-da, ga-ga… fala com entonação de quem conversa, e tem horas que até briga com a gente. Eu morro de rir!
A cada dia você fica mais agarrada comigo. Você é meu chicletinho. Você até brinca com o papai, com a Laura, mas na hora que você precisa de qualquer coisa, é a mamãe que você quer. De noite, então, nem se fala. Já até desisti de pedir pro teu pai te pegar, porque você só se esgoela, se empurra do colo dele e vira a cabeça pra todo lado tentando me encontrar. Só serve a mamãe. Eu adoro, mas tem horas que cansa, sinceramente. Mais uma vez, eu tento relevar o cansaço e me focar na parte gostosa que é você juntinho de mim. Fico feliz em saber que em mim você se conforta, que o toque da mamãe é o suficiente pra acalmar qualquer dos seus problemas.

Lembro que dizia que a minha mãe tinha mãos milagrosas. Na Serra das Araras, nas subidas e descidas que faziam meu estômago embrulhar quando criança, o colo da minha mãe era o meu Plasil. Ela me abraçava com sua mão segurando a minha barriga e me acalmava, dizendo que ia passar. E passava. Ela tinha (ainda tem!) mesmo mãos milagrosas. De repente toda mãe tem. E viver o outro lado agora me faz feliz. Porque eu não me acho tão boa mãe assim, mas sei que você e a Laura acham. A sua carinha de felicidade ao me ver é a prova disso. É, de repente eu estou cumprindo meu papel direitinho.

Beijinhos,
Mamãe