Tem coisa melhor que começar a trabalhar já entrando de férias?

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Uma das coisas mais bacanas aqui no Canadá é que as empresas respeitam os compromissos previamente marcados dos novos funcionários. :) Amanhã estamos indo pra costa leste do país, viagem que já estava marcada desde fevereiro deste ano. Ninguém torceu o nariz no meu trabalho quando eu disse que estaria ausente por 10 dias em agosto. São vários os casos que já ouvimos de gente que começou trabalho novo e logo viajou, antes de completar o primeiro ano de trabalho. No meu caso, meu trabalho é on-call, ou seja, é só para cobrir faltas e férias dos funcionários regulares, então já é flexível mesmo. Mas essa flexibilidade também acontece em casos de trabalho em expediente normal.

Falando de trabalho, ainda estou em treinamento. Estou adorando todas as novidades, apesar de estar ainda bem perdida. É tanta informação, tanto detalhe, que ainda não me situei direito. Acho que só quando começar a trabalhar pra valer, atendendo o público, é que vou ver o que é ser bibliotecária de fato. Mas sou imensamente grata pela porta aberta na minha vida. E ainda mais por ser tão flexível. Vou trabalhar pouco, é verdade (e, consequentemente, ganhar pouco), mas era isso que buscava pra mim neste momento, quando as meninas ainda estão pequenas e precisam de mim por perto. Sem falar que ainda vou ter tempo de trabalhar nos meus projetos pessoais. Não tenho do que reclamar das bênçãos que temos recebido de Deus ultimamente! :)

Enfim, deixa eu ir lá fazer as malas. O leste do Canadá nos espera!

Até a volta!

Imagem sob licença Creative Commons.

30 dias escrevendo

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Hoje (8 de agosto) é o trigésimo dia em que escrevo diariamente por pelo menos 15 minutos. Faltam só 15 minutos para eu riscar mais um item da minha lista de 101 coisas!

Eu me impus esta meta para tentar criar o hábito de escrever todos os dias. Afinal, um escritor tem que escrever. E eu nunca tinha levado a atividade muito a sério, por mais que soubesse que se não praticasse mais, nunca melhoraria. Não que eu esteja escrevendo melhor, não é isso. Mas pelo menos estou escrevendo todos os dias.

Quinze minutos é pouco tempo. Qualquer um pode separar quinze minutos do seu dia para fazer algo que realmente quer fazer. Em quinze minutos eu consigo escrever entre 400 palavras. Pode não parecer muito – e realmente não é -, mas todo mundo sabe como a galinha enche o papo. Durante os últimos 30 dias, eu me foquei na tarefa e não furei nenhum dia. Aprendi muito sobre meu hábito de escrita:

1) De manhã é a melhor hora

Eu consigo me dedicar muito mais à escrita logo pela manhã, assim que acordo. Em muitos dias, eu levantava logo que meu marido saía para o trabalho e antes das meninas acordarem. Abria o Evernote (onde faço grande parte dos meus rascunhos) ou o Word antes mesmo de abrir o email. Aliás, fazia o esforço consciente de não checar nada de redes sociais ou emails antes de escrever meus 15 minutos. Acionava o timer e desembestava a escrever. Só parava quando o alarme soava. Às vezes até continuei por mais tempo.

Tiveram dias em que eu não pude escrever logo ao acordar. Umas quatro ou cinco vezes eu deixei pra fazer já de noite, antes de dormir. Foram meus piores textos. A cabeça já estava cansada, a inspiração já tinha ido pras cucuias faz tempo, assim como minha energia. Mas eu me obrigava a escrever só pra não furar a meta dos 30 dias consecutivos escrevendo. (Eu tinha começado no dia 23 de junho, e tive que recomeçar do zero porque furei no décimo dia da primeira tentativa).

2) Inspiração é lenda

Estou aprendendo que essa coisa de estar inspirado pra escrever é conto da carochinha. Claro, que é ótimo (e, preferível, no meu caso) escrever quando a gente sente aquela vontade e está cheio de ideias. Mas, muitas vezes eu sentava na frente do computador e não fazia a mínima ideia do que ia escrever. Fuçava minha lista de pautas para o blog, escolhia uma, e começava a rascunhar qualquer coisa que fosse. A maioria das vezes saía algo que prestava. Mas alguns dos textos foram feitos puramente como exercício, e provavelmente serão deletados muito em breve.

3) É preciso praticar a escrita

Para se escrever bem, deve-se praticar como qualquer outra atividade. E vicia, como qualquer outra atividade. Quanto mais você faz, mais você quer fazer. Mais, e melhor.

4) Explorar projetos novos

Esta foi uma ótima oportunidade para eu começar um projeto novo que bolei tem pouco tempo. Não quero falar muito sobre este projeto ainda, mas com certeza vou divulgar aqui assim que terminar, ou quando ele estiver mais estruturado.

5) Permissão para escrever mal

Tem sido ótimo poder escrever rascunhos bem soltos, sem me preocupar se o texto está bom ou não. Principalmente nesse projeto novo que estou trabalhando. Eu costumo ser bem crítica dos meus textos (de tudo que faço, pra falar a verdade). Sempre ouvia outros escritores dizendo que é necessário desligar o editor interno quando estamos apenas escrevendo o rascunho bruto, mas nunca tinha conseguido fazer isso. Agora, estou bem mais tranquila e a escrita flui bem mais facilmente. Coloco na cabeça que são só 15 minutos. Despejo todas minhas ideias da forma mais coerente que eu posso, mas não fico voltando pra corrigir estrutura, nem a linha de raciocínio do parágrafo. Sai tudo bem natural mesmo. Quando eu terminar o rascunho bruto, aí sim vou voltar pro texto todo e editar, corrigir e alinhar o que estiver fora do lugar.

6) Não importa o meio

Na maioria das vezes eu escrevia no computador, mas em alguns dias – principalmente quando eu não escrevia pela manhã – eu pegava o caderno mesmo e escrevia à mão. (Engraçado, percebo que já estou desacostumada a escrever muito à mão. Depois de um certo tempo, meu pulso começa a doer). Em algumas ocasiões, eu escrevi até mesmo no celular, dentro do carro, quando estava na rua e sabia que não ia ter tempo de escrever em casa.

(Atualização no dia 12 de agosto)

Foi só eu terminar o prazo dos 30 dias consecutivos de escrita, que eu abandonei o hábito. Na verdade, ainda tenho escrito nos últimos dias, mas sem cronômetro, sem alarme, e não todos os dias. Talvez eu devesse retomar o compromisso dos 15 minutos diários. Senão o tal projeto novo não fica pronto nunca.

Imagem sob licença Creative Commons.

Leituras de julho

As leituras aqui continuam a todo vapor! A última leva que eu comentei aqui foi a de abril. Vou pular maio e junho dessa vez. Percebi que quanto mais tempo eu demoro pra escrever sobre os livros, menos eu lembro deles (essa minha memória está cada vez mais senil!). Assim que eu conseguir escrever direito sobre os livros de maio e junho, eu publico aqui, ok?

never-let-me-go-movie-poster-1Nunca me abandones, de Kazuo Ishiguro

Audiolivro. Kathy está prestes a fazer sua primeira doação, quando começa a relatar os eventos de sua infância e juventude a outra pessoa. Quando criança, ela viveu em Hailsham, um internato britânico, isolado do mundo. Enquanto lemos sobre suas amizades e aventuras, nos perguntamos quem são essas crianças que vivem nesse internato, que não têm pai nem mãe. E por que quando eles crescerem, nunca poderão ter filhos, ou visitar a América, ou serem artistas de cinema. Esses alunos só ficam sabendo da sua missão de vida muitos anos depois, e o leitor se choca ao descobrir junto com eles que esta absurda realidade poderia estar acontecendo agora mesmo, em 2014.

Difícil comentar sobre este livro sem deixar muitos spoilers. Vou apenas dizer que é uma história que desperta muitas perguntas, sobre o sentido da vida, sobre o que é ser humano, sobre preconceito e resignação. É uma leitura desconcertante.

71I5WAPvdTL._SL1500_Para sempre é muito tempo, de Ana Rosa Vieira

E-book. Parece que a autora juntou um monte de suas tuitadas, posts de blog e textos de diário, numa compilação meio sem pé nem cabeça nesta obra. Ela escreve bem, não me levem a mal, e até curti alguns dos textos separadamente. Mas não senti coesão no livro como um todo. O prólogo diz que é sobre a efemeridade da vida, mas não consegui traçar uma linha única que unisse todos os fragmentos desse livro.

pds2Pedra de sol, de Octavio Paz

Livro. Octavio Paz é um escritor mexicano premiado com o Nobel de Literatura. Este livro é um único poema, de 584 linhas, que é inspirado no calendário Asteca. Poesia não é minha praia, não consigo enxergar o todo do texto, mas admiro demais as belas descrições sobre a vida, o tempo, o amor e a morte.

GrahamCrackerPlotThe Graham Cracker plot, de Shelley Tougas

E-book. Daisy acredita que seu pai tenha sido preso por engano e quer tirá-lo da prisão. Para isso, conta com a ajuda do seu conveniente amigo Graham. A menina de 11 anos se mete numa aventura pra lá de Hollywoodiana, com direito a invasão de propriedade alheia e infrações de trânsito. O texto é escrito em primeira pessoa, com cartas de Daisy ao juiz Henry.

A menina mora num parque de trailers, na periferia da cidade. A mãe é separada do pai e arranja um namorado mais velho. O amigo, Graham, é um menino que sofre perseguição na escola. A prima mais velha dele tem doenças mentais e é acompanhada por assistentes sociais. Apesar do cenário de exclusão social, a autora faz com que o leitor se empatize com a protagonista, e passamos a enxergar o mundo de Daisy com outros olhos. Ainda mais quando ela descobre a verdade sobre seu pai. Achei incrível a autora expor fragmentos da vida de famílias menos privilegiadas sem ser condescendente.

Este livro está em pré-venda. Eu li através do NetGalley.

54130_917Vidas secas, de Graciliano Ramos

Livro. Os capítulos podem ser lidos como contos independentes, tendo em comum apenas os personagens e o cenário sofrido da seca nordestina. O livro conta a história da família de Fabiano: sua mulher sinhá Vitória, os dois filhos (que não são nomeados), e a cachorra Baleia. O linguajar do autor é seco, cru, e por isso mesmo, muito vivo. Eu me engasguei com a falta de palavras de Fabiano, com sua simplicidade, ignorância e resignação. E me indignei com a falta de esperança, com a certeza de que a miséria deles seria perpétua, cíclica, infinita. Um livro rápido curto, bem rápido de se ler. Me deu vontade de ler mais de Graciliano.

E você? O que tem lido de bom recentemente? Compartilhe nos comentários!

Se você está no Goodreads, me adicione.

Nota: Os links dos livro vão pro Book Depository. Se você comprar pelo link, eu ganho uma pequena comissão. O Book Depository envia para o mundo inteiro com frete grátis.

Retalhos do cotidiano #6

Hora de retomar a rotina do blog, com posts mais frequentes novamente! :) A pausa aconteceu devido à visita da minha irmã, que ficou aqui com a gente por três semanas. Ela voltou pro Rio ontem.

Julho foi o primeiro mês das férias escolares. Antes da minha irmã chegar, ficamos ocupadas com atividades das crianças: as duas fizeram natação e a mais velha fez mais um período de patinação artística. Ela simplesmente ama patinar e está evoluindo super bem. Em setembro ela vai começar num nível acima. Esse período foi num rinque diferente porque nessa época do ano a maioria dos rinques de patinação ficam secos para os esportes de verão. Como o clube teve que alugar esse outro rinque pra fazer as aulas, eles misturavam vários níveis no mesmo horário. É um barato ver as meninas e moças fazendo piruetas, e patinando tão facilmente como se estivessem dançando. Eu babo muito!

No Canada Day (1 de julho), passamos o dia em Harrison Hot Springs, uma cidade que fica a uma hora e meia de Vancouver. Fizemos churrasco no parque, curtindo a natureza e o calor.

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Em julho, visitamos amigos numa cidade da ilha de Vancouver. Pena que o tempo não estava tão favorável. Mas deu pra gente passear um pouco.

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Os passeios começaram de verdade depois que a Cris chegou. Na primeira semana não estava muito quente, mas depois o sol deu as caras e pudemos bater perna por aí.

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Fomos colher blueberries na fazenda, uma das nossas tradições de verão.

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Fomos em Granville Island e encontramos com a Mirella (do blog Casal Mikix) e sua família. Eu acompanho o blog da Mirella há muitos anos, antes de vir morar no Canadá. Foi muito bacana encontrá-la pessoalmente, e o dia estava lindo! Granville Island é um dos meus lugares preferidos em Vancouver.

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Fomos numa praia de lago. A água é gelada, mas tem feito tanto calor que a gente nem repara a água fria. Pior é que minha irmã não sentia o calorão que a gente sentia. Também pudera, o inverno no Rio tem praticamente a mesma temperatura do verão de Vancouver.

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Fomos no parque aquático do Cultus Lake, outro programa de verão. Nesse dia então, nem tiramos fotos. Curtir o verão é bom assim: quando a gente nem lembra do mundo lá fora, e simplesmente curtimos o momento. As memórias guardamos na mente.

Fomos no parque de diversões da cidade, que só abre de maio a setembro. Esse é outro passeio que sempre fazemos no verão. As meninas já tinham pedido faz tempo. Eu disse que iríamos com a tia, quando ela chegasse. O Playland não é muito grande e as atrações são bem simples e básicas. Mas criança não precisa de muita pompa e circunstância pra ser feliz, né?

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Subimos novamente a trilha da Grouse Mountain. Da vez que eu fiz com ela, em 2011, estava chovendo. Dessa vez foi bem melhor. Eu consegui subir em duas horas e meia, vinte minutos depois do marido. Ela levou mais 25 minutos pra me alcançar.

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Elas também foram no Aquário no meu primeiro dia de trabalho.

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Foi um período bem agitado, quando quase não paramos em casa. Verão pelas bandas de cá é assim: a gente tenta aproveitar cada minuto. A faxina da casa fica suspensa. A cozinha tira férias. Porque quando o sol está brilhando lá fora, não dá pra ficar em casa. Em pouco mais de um mês começa o outono e a temporada de chuva.

Aproveitamos a visita da minha irmã o máximo que pudemos. É muito bom estar perto da nossa família! :)

Nunca é tarde para mudar de carreira

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Nesta semana eu começo um novo capítulo na minha vida: vou começar a trabalhar como bibliotecária numa biblioteca pública da grande Vancouver. Estou animada com a mudança e agradecida pela chance de fazer algo novo e diferente.

Não tenho uma vida profissional muito longa. Aproximadamente uns 15 anos. Tive apenas três profissões durante este período: coordenadora de projetos de internet, assistente de informação e professora de inglês. Isso sem contar os estágios, numa empresa de internet e na revista Seleções (o mais próximo que cheguei da atividade de jornalista, que é minha formação original). Nesse período comecei a fazer trabalhos freelancer como jornalista, escrevendo para revistas.

Nunca passou pela minha cabeça ser bibliotecária, até descobrir que amo a biblioteca como lugar. Durante minha licença maternidade, em 2008 e 2009, eu frequentava a biblioteca semanalmente com minhas filhas. Era um dos destaques da nossa semana, o passeio à biblioteca para assistir a contação de histórias. Eu era tão maravilhada com o espaço, que me perguntei se não seria bacana trabalhar ali. E foi assim que começou minha pesquisa sobre a profissão de bibliotecário e o caminho ao mestrado em consequência.

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Sabe todas aquelas coisas que você sempre quis fazer? Você deveria ir adiante e fazê-las! (daqui)

O mais engraçado é que, até eu vir morar no Canadá, mudanças sempre me assustaram. Eu evitava a qualquer custo. Mas depois da Grande Mudança, eu passei a abraçar toda novidade que se apresentasse na minha frente. O fato é que eu já estava cansada da minha antiga atividade: criar sites. Queria algo diferente. O mais legal foi descobrir que é possível mudar de carreira, de vida. Que a gente não precisa ficar amarrado a escolhas que fizemos no passado.

Eu acredito que mudar de profissão não é algo que era bem encarado há alguns anos. Ou de repente as pessoas não pensavam que pudesse ser possível. Na geração anterior, na do meus pais, os trabalhadores seguiam a mesma profissão a vida inteira. Se formavam na faculdade, arranjavam um emprego numa empresa e subiam os degraus daquela empresa até se aposentarem. Até certo ponto, eu cresci com essa mentalidade, de que deveria seguir um curso único, linear, uma só carreira até o fim.

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Fazer uma grande mudança de vida é bem assustador. Mas sabe o que é mais assustador? O arrependimento. (daqui)

Felizmente, percebo que essa mentalidade já não é a norma hoje em dia. Cada vez mais, topo com relatos de pessoas que resolveram chutar o balde e ir atrás do que queriam. Largam posições e salários altos, em busca de uma aventura, de uma atividade que faça acelerar o coração, que sacie a vontade de viver uma vida com propósito, fora da caixa, fora dos padrões ditados pela sociedade de consumo. Pessoas que se redescobrem, se reinventam, se permitem tentar o novo, arriscar.

A minha mudança não está nesse patamar aventureiro. O meu novo emprego vai ser bem tradicional até. Mas pra mim é uma grande mudança. Pra mim, significa que eu desafiei o pensamento que a gente tem que escolher a nossa profissão ao entrar na faculdade e seguir pelo mesmo caminho até parar de trabalhar. A gente não precisa fazer isso.

Mas acredito que essa serenidade diante da mudança vem com a idade (#papodevelho). Quando somos mais jovens, temos a pretensão de achar que sabemos o que queremos da vida, que somos donos do nosso nariz. Eu acho que já desisti da ideia de descobrir o que quero ser quando crescer. Podemos ser qualquer coisa, várias coisas. É muito limitador ter que escolher apenas um caminho. Talvez um dia até estacionemos numa atividade única, porém é importante dar espaço para experimentar coisas novas. Principalmente quando o que fazemos já não nos satisfaz.

Já sinto o frio na barriga. Sensação boa essa de recomeço, de ser novata novamente. É bom dar uma sacudida na vida de vez em quando. E continuar aprendendo, sempre. Sobre novos caminhos e sobre nós mesmos.

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Como flores do campo, você deve se permitir crescer em todos os lugares que as pessoas pensavam que você nunca cresceria. (daqui)

Imagem de laura redburn sob licença Creative Commons.

 

Como ler lançamentos de livros gratuitamente: NetGalley

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Eu acompanho alguns blogs e canais no You Tube sobre livros. Sempre fiquei curiosa sobre as tais parcerias que esses leitores faziam com editoras, recebendo os livros em suas casas em troca de uma resenha. Tirando toda a questão do marketing de lado, eu sempre achei que era um bom negócio para o leitor que topava a parceria. Eu até fiquei com vontade de tentar as tais parcerias, confesso. Mas no meu caso a logística é complicada para trabalhar com as editoras brasileiras, porque eu não moro no Brasil. Também não rolaria parceria com as editoras que publicam livros em inglês, porque meu blog é em português. Mas a principal desvantagem que eu encontrei foi que você passa a ler somente o que a editora te manda e fica com aquela obrigação de ler e divulgar no blog ou por vídeo. E eu quero distância de obrigação com o meu blog.

Mas aí eu encontrei o NetGalley.

Eu adotei o Goodreads como rede social para gerenciar minhas leituras. Até tenho conta no Skoob, mas prefiro a interface e as funcionalidades do Goodreads, e meio que abandonei o meu Skoob. E eu leio muito em inglês mesmo. Lá no GR, eu achei várias resenhas com notas sobre o NetGalley e fiquei super curiosa.

O NetGalley é um site onde diversas editoras disponibilizam cópias digitais avançadas de livros em troca de divulgação pelos leitores. Em vez do leitor fazer parceria diretamente com a editora, ele pode simplesmente pegar os livros pelo NetGalley. E tem lançamento das editoras grandes, como a Random House ou Harper Collins. Resolvi testar o serviço.

O cadastro não é aprovado automaticamente. Depende muito do perfil do leitor. Bibliotecários e professores parecem ter prioridade, pelo que percebi. Além daqueles leitores que têm blogs/canais literários, que não é o meu caso. Eu me cadastrei como bibliotecária. Fiquei super feliz quando meu cadastro foi aprovado!

Depois que você é aprovado, você pode pesquisar o acervo de livros e solicitar a leitura. O seu pedido pode ou não ser aprovado. Tem certos livros que eles já indicam o local do público alvo, por exemplo. Livros que serão publicados na Inglaterra, por exemplo, raramente serão concedidos a leitores nos Estados Unidos. Nunca vi nada de publicação no Brasil, até porque todos os livros ali são escritos em inglês.

Eu resolvi solicitar livros infantis ilustrados, desses que não têm muito texto, porque eu poderia ler mais rapidamente, e não ficaria com aquela sensação de obrigação de terminar a leitura logo para escrever e divulgar. Alguns pedidos foram aprovados, não todos.

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As cópias dos livros são todas digitais. Algumas podem ser lidas em e-readers, como o Kindle. E outras devem ser lidas pelo Adobe Digital Editions, que você instala gratuitamente no seu computador. Para livros ilustrados, a leitura no ADE é mais recomendada, porque a diagramação é mantida. Eu nunca tinha usado o ADE pra ler livros e achei a ideia interessante. Mas não ia conseguir ler livros muito longos nesse programa, porque não gosto de ler no computador. Dei preferência para os livros que eu poderia ler pelo Kindle. Além do e-reader, eu tenho o aplicativo instalado no meu iPad, então para livros ilustrados funciona bem.

Solicitei vários livros e quando foram sendo aprovados, comecei a sentir o pânico da obrigação. Felizmente muitos deles eram bem curtinhos, então eu lia rápido. O negócio foi sentar pra escrever sobre eles, porque tecnicamente, você é obrigado a divulgar a leitura, né? Esse é o propósito do serviço! Decidi que eu ia escrever meus textos no Goodreads, que é uma boa plataforma de divulgação de livros. Dentro do sistema, você tem como inserir o link de onde você publicou a opinião sobre o livro, e pode também avaliar com estrelinhas e dar um retorno para a editora que te cedeu a cópia avançada.

Por ser cópia avançada, nem todos os livros estão diagramados perfeitamente ainda. Vamos dizer que muitos ainda são praticamente um rascunho do texto final. Alguns dos livros que eu li não tinham as páginas e as ilustrações casando direitinho, ou até as frases estavam emboladas na página, dificultando muito a leitura. Outros estavam editados perfeitamente. E foi difícil avaliar somente o conteúdo do livro no caso daqueles livros ainda bagunçados, mas eu tentei deixar de lado qualquer aspecto de produção da cópia avançada em si, e foquei apenas no conteúdo do livro.

Percebi que fui aprovada mais rapidamente quando pedi livros que serão publicados no Canadá, ou cujos autores/ilustradores eram canadenses. Achei isso super bacana! E conheci alguns artistas super legais nesse processo, como a Ashley Spires (ela até mora aqui em Vancouver!).

Em abril eu consegui ler bastante do NetGalley, mas aí empaquei num livro um pouco mais longo e resolvi dar uma pausa para ler outras coisas. Ainda tenho cinco livros por ler. Já concluí a leitura de nove livros.

Pra quem consegue ler rapidamente, em inglês, é uma forma bacana de conhecer os lançamentos sem precisar gastar com isso.

Imagem de f_lavins, sob licença Creative Commons.

Mittenwald: A pequena cidade dos violinos, e Innsbruck, no pé dos Alpes austríacos

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No terceiro dia o nosso destino era Innsbruck, uma cidade austríaca que fica logo depois da fronteira com a Alemanha. Meu pai tinha vontade de visitar a cidade que fica no pé dos Alpes austríacos e foi sede dos jogos olímpicos de inverno de 1964 e 1976.

No caminho para a cidade, escolhemos passar por um outro vilarejo do sul da Alemanha: Mittenwald. A gente nunca teria parado ali se não fosse a dica no blog do Marcelo. Quando ele disse que a cidadezinha era conhecida pelos seus luthiers (fabricantes de violinos), incluí no nosso roteiro na hora. Meu marido toca violino e é apaixonado por música clássica. A gente estava ali tão perto, tínhamos que ver a cidade dos violinos.

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Mittenwald é como Oberammergau: um vilarejo super pequeno, com duas ou três ruas principais. A arquitetura é super charmosa, com aqueles telhadinhos triangulares, a fachada das casas pintadas, ruas de ladrilho. Conseguimos chegar relativamente cedo na cidade e nem tinha muita coisa aberta ainda. Alguns poucos turistas já rodeavam as ruas, como nós.

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Encontramos o museu do violino, o Geigenbaumuseum, mas só abria às 11 da manhã. Então demos uma volta pelas outras ruas até o museu abrir.

Retornamos ao museu um pouco depois da hora da abertura. Não era um museu muito grande, tinha apenas dois andares, como se fosse uma casa comprida. Lá dentro, havia violinos de todos os jeitos, instrumentos super antigos. Não só violinos, mas toda família das cordas, incluindo violoncelos e contrabaixos. Os olhos do meu marido brilhavam. Eles mostravam como o instrumento era construído, parte por parte. Perto da entrada/saída, tinha uma espécie de oficina com diversas ferramentas para esculpir, lixar e modelar madeira. Pra quem curte música clássica, é uma experiência bacana ver como nascem os violinos.

mittenwald14 mittenwald10 mittenwald09 mittenwald13 mittenwald11 mittenwald07 mittenwald03 [Leia mais...]

Garimpando a rede #10

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Bacana o gráfico acima, né? Você pode criar um também, gratuitamente, no Canva. (via Loma)

Aliás, o blog da Loma, o Sernaiotto, é um blog super bacana! Ela tem uma série de posts com dicas de como melhorar o seu blog.

Se só o pensamento de viajar de avião com crianças te deixa arrepiado, não deixe de ler as dicas da Sut-Mie.

Você quer vir mesmo morar no Canadá? Tem certeza? Então é bom saber que nem tudo são flores.

Tem algo que você nunca fez? Duas amigas registraram uma coisa inédita de suas vidas por 365 dias.

Adoro ler, sempre: dicas para escritores.

Vamos simplificar a vida e nos cobrar de menos, vamos? (via Deleite da vida)

Mais um blog de decoração cheio de lindezas.

Animais de estimação: ter ou não ter?

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Eu nunca tive bicho de estimação.

Não se você não contar aqueles peixes ou pintinhos de feira de animais. Daquelas feiras que se instalam em estacionamento de shoppings, cheia de cercadinhos de grade com tudo quanto é espécie de cachorro, cada um mais fofo que o outro, principalmente os filhotes. Daqueles que dá vontade de você trazer pra casa. Mas não os gatos. Gato é bicho independente, sempre achei que tinham personalidade meio traiçoeira, aqueles olhos dissimulados, um dengo falso no miado meloso. Mas os cães eu amava.

Eu sempre pedia pra minha mãe me levar na feira de animais quando eles anunciavam na televisão. Devo ter ido em umas quatro ou cinco. E era sempre a mesma coisa: eu enchia o saco da mãe pra comprar o bicho. “Claro que não, menina, onde é que vamos botar cachorro morando em apartamento?” era sempre a resposta ao meu pedido. Mas eu conhecia vários que moravam em apartamento. Eu queria um pra mim. Sempre quis.

Meu consolo depois do passeio na feira de animais era o saquinho plástico amarrado na boca, cheio de água e um peixinho lá dentro. A “lembrancinha” do evento, totalmente grátis. Matei todos. Duravam coisa de quatro, cinco dias. Uma semana, talvez. E eu nem tinha aquário. Colocava o peixe dentro de uma jarra de vidro que minha mãe usava para servir suco na mesa. Nunca devo ter trocado a água dos peixes, coitados. Tampouco lembro de ter colocado comida na água. Simplesmente ficavam ali, naquela água parada, nadando pra lá e pra cá, enquanto eu ficava vidrada do lado de fora da jarra, observando as pequenas escamas e o abrir e fechar de suas boquinhas fazendo um “O”. Dias depois, amanheciam deitados, boiando na superfície da água suja. Como é que eu poderia cuidar de cachorro se não sabia tratar do peixe?

Da outra vez foi o pinto. Trouxemos dois pra casa, um pra mim, outro pra minha irmã. Tão pequenos e frágeis, aquelas bolinhas de pena amarelinha, com piado baixo e agudo. Os pintinhos duraram mais que os peixes, se a memória não me falha. A mãe arranjou uma caixa de papelão, maior que uma caixa de sapato, e deixou lá na área de serviço, forrada de jornal. Deixamos os pintos lá. Alimentamos os pintos e passávamos um tempão ali, acariciando suas cabeças usando só o indicador, bem de leve. (Não podia fazer muito carinho senão o bicho sufocava, dizia a mãe). Até que eles foram crescendo e passaram a pular pra fora da caixa. Trocamos a caixa, eu acho. E logo depois morreram. Não lembro quanto duraram. Mais que os peixes, certamente.

Mas eu queria mesmo era o cachorro. Lá pelos 8 ou 9 anos, eu colecionei um álbum de figurinhas, Cães. Não lembro se cheguei a completá-lo, se não foi tudo, foi quase tudo. Eu sabia o nome de todas as raças. Tinha selecionado aqueles que eu mais gostava. Os filhotes eram os mais adoráveis, claro. Achava lindo o Husky Siberiano, com aqueles olhos azuis, a maior cara de gringo (eu tinha certa fascinação por tudo que fosse gringo, era tudo muito exótico pra mim, na época). Mas o meu preferido mesmo era o Cocker Spaniel, daqueles com pelo liso, caramelo e as orelhas grandonas, caídas no lado da cabeça. Nunca gostei de Poodle, tinha cara de cachorro metido a rico, sei lá. E buldogues eram muito feios, antipáticos pro meu gosto.

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Eu cresci e a vontade de ter bicho sumiu. Ou adormeceu, sei lá. Acho que criança que tem mais isso de querer ter animal de estimação. Minha filha me pede sempre. Lá no fundo eu acho que também gostaria de ter um cachorro. Mas o lado racional da cabeça de adulto fala mais alto: bicho dá muito trabalho. Quem é que vai sair pra passear com ele? Nesse lugar frio e chuvoso? Ele vai entrar em casa todo molhado e vai emporcalhar a casa inteira. A casa vai ficar com cheiro ruim. Os móveis serão destruídos. Imagina só estragar o meu sofá novinho? De jeito nenhum! E quando a gente viajar? Onde deixa? E quando não tiver ninguém em casa durante o dia? Ele fica sozinho como? Os empecilhos são inumeráveis a meu ver. Não vale a pena.

Já perguntei pra amigos que têm cachorro como é. Alguns confirmam minha suspeita de que é trabalho demais. Outro disse que nunca vai ter outro depois que o dele morreu. Se apegou tanto ao cão que foi muito sofrida a sua partida. E muitos outros amam de paixão, como eu imaginava que seria.

Eu continuo achando lindo. Deve sim ser muito bacana ter cachorro em casa. Se ao menos eu me convencesse de que pra tudo tem jeito, de que as coisas devem acabar se ajeitando, e as soluções aparecem. Talvez eu me animasse. Criasse coragem. Mas sinto que ainda não é tempo. Talvez o tempo nunca chegue pra minha filha, como não chegou na minha infância, apesar da minha vontade. Por hora, os contras ainda pesam mais que as vantagens. Minha mãe tinha alguma razão pra me negar um animal de estimação, hoje eu entendo.

Porém, continuo com a dúvida. E tomo a liberdade para adaptar o poema de Vinícius:

Cães… Cães?
Melhor não tê-los!
Mas se não os temos
Como sabê-lo?

Imagens: daqui e daqui, sob licença Creative Commons.

Mais itens riscados da minha lista de 101 coisas

A minha lista de 101 coisas continua firme e forte, mas acho que ainda não vai ser dessa vez que vou realizar tudo. Falta pouco mais de 1 ano para terminar o prazo, e só risquei 26 metas até agora, 1/4 da lista em mais de 2/3 do tempo. Ainda tenho tempo e estou sempre revisando a lista para tentar cumprir o máximo de itens.

De fevereiro pra cá, já consegui riscar mais algumas metas da lista:

7. Enviar os mimos para a brincadeira do pay-it-forward para cinco pessoas

Alguém colocou essa brincadeira no Facebook e eu achei tão bacana. A ideia era enviar alguma coisa por correio para as 5 primeiras pessoas que comentassem que queriam participar. Só poderia participar quem oferecesse a mesma coisa para seus amigos, criando uma corrente para distribuir sorrisos pelo mundo. O prazo da brincadeira era um ano. Eu furei o prazo, mas cumpri o que prometi finalmente, um ano e meio depois. Fiz presentes artesanais para as cinco pessoas da minha lista. Como duas delas ainda não receberam, não vou colocar aqui.

12. Plantar uma árvore

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Sou super orgulhosa do meu abacate! Esse eu plantei desde o caroço. E ele já tem um ano e meio. Recentemente o transferi de vaso, e parece que ele não gostou muito da mudança não, está meio estacionado. Mas espero que seja temporário. É muito bacana acompanhar o crescimento de uma planta! Eu virei aquelas donas malucas que conversam com as plantas, sabe? :)

37. Escrever um haiku por dia por uma semana, refletindo sobre o dia

45. Ler 5 livros da minha estante (comprados e não lidos ainda)

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  • O pequeno príncipe (graphic novel), de Joan Sfarr
  • Feed, de M. T. Anderson (não entrou na foto porque já passei pra frente)
  • Inside out and back again, de Thanhha Lai
  • O jardim secreto, de Frances Hodgson Burnett
  • Razão e sensibilidade, de Jane Austen

Ainda tenho tantos outros livros comprados e não lidos! Mania minha de continuar comprando e pegando na biblioteca sem terminar os livros que já tenho na minha estante!

69. Imprimir 80 layouts de scrapbooking pro meu álbum

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Quem me conhece há mais tempo, sabe que eu fazia scrapbooking digital. Foram uns 3 ou 4 anos que eu me dediquei a esse hobby, e as páginas estavam somente guardadas no computador. Até que me propus a ir imprimindo aos poucos tudo que fiz. Ainda faltam alguns para completar o álbum, mas já estou satisfeita de ter tantos layouts impressos no álbum. Adoro folhear o álbum e rever os registros que fiz das meninas.

75. Visitar a biblioteca pública de Seattle

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Realizado em maio. Ainda quero fazer um post só sobre essa biblioteca linda!

80. Completar um diário de viagem

Catei tudo quanto era papelzinho na viagem da Alemanha e comprei um Moleskine para escrever sobre os dias. Já colei tudo no caderno, mas não coloquei fotos, porque ainda não revelei nada. Queria também fazer uma capa caprichada, com colagem, mas ainda não rolou. Pelo menos escrevi sobre as cidades por onde passamos e colei tudo que trouxe (mapas, bilhetes de passeios, etc).

Algumas metas que estão em andamento e quase completas:

34. Escrever todos os dias por 15 minutos pelo menos por um mês

Comecei no mês passado e fui super bem por 10 dias até furar no domingo passado. :( Recomecei novamente na segunda.

41. Ler 3 clássicos da literatura mundial

Li Razão e sensibilidade, da Jane Austen, e O jardim secreto, de Frances Hodgson Burnett. Falta só um.

44. Pegar sugestão de um livro com 10 pessoas e ler todos os 10 livros

Já li 8 de 10.

  • Anna e o beijo francês, de Stephanie Perkins (indicado pela Giu Fernandes)
  • Feed, de M. T. Anderson (indicado pela professora de literatura infantil)
  • Diário da queda, de Michel Laub (indicado pela Socorro Acioli)
  • Um dia, de David Nicholls (indicado pela Tati)
  • Slammed, de Colleen Hoover (indicado pela Janine)
  • A felicidade, desesperadamente, de André Comte-Sponville (indicado pela Ju)
  • Koko be good, de Jen Wang (indicado pela Nafiza)
  • Tenho o teu número, de Sophie Kinsella (indicado pela Ana Amorim)

46. Costurar uma bolsa de pano pra mim

Já está cortada, só falta montar e costurar.

55. Fazer cinco itens do meu mural de crafts, costura ou DIY no Pinterest

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63. Fazer 10 receitas que marquei no Pinterest

As últimas que eu fiz foram o muffin de blueberry, o bolo de banana com nozes, e a sopa de lentilha com arroz.

76. Três cidades que ainda não conheço, em viagens diferentes

Só na viagem de março já teria completado este item. Eu acabei acrescentando “em viagens diferentes” justamente pra não matar o item todo de uma vez só.

E vocês? Também têm lista de metas para cumprir?