Como funciona o sistema eleitoral no Canadá

eleicoes-canada

Esta semana eu votei pela primeira vez como cidadã canadense.

Na terça tivemos eleições provinciais em British Columbia, pra escolher o governador da província. Na verdade, não escolhemos o governador diretamente, mas sim o Membro da Assembleia Legistativa (algo semelhante com o Deputado Estadual no Brasil). O líder do partido que obtiver maioria na Assembleia Legistativa é eleito governador.

O sistema político do Canadá é de democraria parlamentar. Não temos presidente, mas sim Primeiro-Ministro, que também é eleito da mesma forma que o governador: pela maioria de Membros do Parlamento. A eleição federal acontece a cada 4 anos, na terceira segunda-feira de outubro.

As eleições provinciais não acontecem todas no mesmo dia. Cada província tem autonomia para legislar, inclusive sobre questões de eleição. Em British Columbia, as eleições provinciais acontecem a cada 4 anos na segunda terça-feira de maio.

Aqui não tem título de eleitor. Quando nos tornamos cidadãos, preenchemos um formulário autorizando o cadastro como eleitores. Votar é facultativo aqui no Canadá, ninguém é obrigado a votar. Há umas 2 semanas, recebemos um cartão amarelo pelo correio indicando o local, data e horário da eleição. Você só precisa levar identidade que comprove sua residência (a carteira de motorista serve pra isso). Os eleitores podiam votar antecipadamente (durante a semana anterior ao dia oficial das eleições) em locais específicos, e na terça-feira, as zonas eleitorais ficaram abertas o dia todo até 8 da noite. Achei legal isso porque dá a chance pra quem trabalha votar quando chegar em casa ainda.

Aqui também não tem propaganda política na televisão. A campanha eleitoral é até bem curta, o mínimo obrigatório são 30 dias. Os candidatos espalham cartazes pela cidade e panfletos nas caixas de correio. E só. Uma candidata aqui da minha região bateu na minha porta tem uns 2 meses. Pra pedir voto, claro! Isso nunca tinha me acontecido no Brasil!

eleicoes-canada3

Como disse, só votamos no Membro da Assembleia Legislativa. E cada região/bairro tem apenas um candidato por partido. Aqui em BC, eram basicamente 4 partidos que estavam na disputa. Em algumas regiões havia somente 3 candidatos. Na minha cédula de votação, tinha apenas o nome dos 4 candidatos da minha região (que era basicamente a cidade toda, que é pequena).

Ah, sim, a votação aqui é manual. Eu nunca tinha votado manualmente na vida! :) A minha primeira votação aos 18 ou 19 anos (não lembro mais!) já foi eletrônica.

eleicoes-canada2cédula eleitoral

Voltando ao processo eleitoral. Se você quiser que determinado candidato seja governador, tem que votar no “deputado estadual” do mesmo partido, para que o candidato a governador (o líder do partido) tenha mais chances de vencer.

Quem venceu foi a atual governadora, do partido Liberal, Christy Clark. O mais interessante foi que ela perdeu a eleição no seu bairro/região. Ela também era candidata à Assembleia Legislativa, mas um candidato de outros partido (NDP) ganhou na sua região. Ainda assim, como o partido Liberal elegeu a maioria dos deputados, ela continua como governadora da província pelo  s próximos 4 anos.

Eu não curto muito política pra falar a verdade. Não acompanho como talvez devesse. Mas fui lá cumprir meu dever como cidadã canadense.

Imagens: Vote in BC!, por Dennis Hurd; Voting again, por Jeff Werner; Campaign signs, por Zhu; no Flickr sob licença Creative Commons.

Eu li: Anna e o beijo francês, de Stephanie Perkins

anna_and_the_french_kiss_moviegoers_by_leabharlann
(fonte)

Eu peguei a indicação desse livro no vídeo da Giu Fernandes sobre dez livros para ler em um dia (não ler dez livros num dia, mas dez livros que, segundo a Giu, dá pra ler num dia. O que eu acho praticamente impossível, diga-se de passagem). Numa das minhas visitas à biblioteca, dei de cara com Anna e o beijo francês e, seguindo minha impulsividade compulsiva, peguei o livro pra ler. Foi a leitura perfeita pra ler depois do soco no estômago que levei com A pianista. Anna e o beijo francês é como sentar num banco de praça e tomar picolé de fruta num fim de tarde de verão. Um simples prazer, ou um prazer simples. Como queira.

anna-french-kissAnna Oliphant é uma americana de 17 anos que vai pra Paris terminar o último ano da escola num internato para americanos contra a sua vontade. Anna não queria deixar sua vidinha pacata em Atlanta, sua melhor amiga Bridgette, seu caso amoroso em vias de se tornar algo mais e seu irmão mais novo. Ao chegar na cidade das luzes, Anna conhece Etienne St. Claire, um inglês lindo e simpático (ela tem quedinhas por britânicos), amigo de todo mundo. St. Claire tem namorada, óbvio. Mas quem disse que Anna tá a fim dele mesmo?

Stephanie Perkins soube descrever direitinho o que se passa na cabeça de uma adolescente apaixonada. Todas as dúvidas (será que ele gosta de mim? Ele estava me olhando agora? Por que ele iria gostar de alguém como eu?) e anseios tão naturais nessa fase da vida são explorados através da voz de Anna, em primeira pessoa. Eu me pegava sorrindo durante a leitura, relembrando das minhas paixonites de adolescente. As descrições das angústias e sentimentos são per-fei-tas de tão reais. O que não foi muito real, pra mim, foi o garoto estar a fim dela também (opa, spoiler!). Na vida real, isso nunca acontece, né meninas? É sempre aquela coisa de amor platônico que nunca se realiza. ;)

A relação de Anna e St. Claire se desenvolve ao longo do ano escolar. Eles estão na mesma turma e têm outros amigos que compõem a turminha de Anna. St. Claire fica naquela de chove e não molha o ano inteiro, tipo amizade colorida. O que deixa Anna doidinha. Ela tenta se convencer o tempo todo de que só é amiga dele, que vai voltar pro seu quase-namorado no final do ano escolar, e que não vai quebrar o coração da sua nova amiga Meredith (todas as meninas têm uma queda por St. Claire).

materpiece
(fonte)

Em muitos momentos, a narrativa em primeira pessoa me pareceu limitada. Eu queria muito saber o que se passava na cabeça do St. Claire. Tudo é revelado no final, claro, mas eu fiquei curiosíssima durante o resto da leitura pra saber como ele se sentia e saber a sua versão sobre seus sentimentos. Mas o carinha é o amigo perfeito, sabe? Super compreensivo, apaziguador, popular, lindo. Aquele que é pra casar.

Logo que Anna chega na cidade, ele a leva pra conhecer Paris e a leva para catedral de Notre Dame, onde tem um marco zero. “É o início de tudo,” disse ele pra Anna, logo nas primeiras páginas do livro. Ali mesmo a leitora já se derrete toda (leitor homem não vai se derreter, né?). No feriado de Ação de Graças, quando todos alunos voltam pra casa pra comemorar com suas famílias, Anna e St. Claire ficam no alojamento da escola e dormem juntos, como amigos, claro. Palpitações fortes e suor frio definem.

O final é previsível, claro. Final feliz pra todo mundo, não sem muitos desentendimentos e brigas com diversos outros personagens, inclusive os protagonistas. O livro não é nada apimentado, pra quem tá curioso pra saber. A autora só alude aos sentimentos e à sexualidade dos personagens, sem chegar às vias de fato. O amor em Anna é bem inocente, juvenil. Anna e o beijo francês também explora o tema das amizades, ciúme, inveja, rixas de escola, maturidade e independência.

Outro aspecto com o qual eu me identifiquei demais foi a experiência de Anna vivendo num país estrangeiro, a dificuldade de adaptação à uma nova cultura e um novo idioma, que ela não dominava. O estranhamento da sua própria cultura depois que ela se acostuma com o jeito de viver francês e volta para a Georgia no Natal. Sentimentos tão intensos e contraditórios, tão comuns a quem vive fora do seu país.

paris
(fonte)

Fiz uma pesquisinha básica sobre a autora, que é bibliotecária também, vejam só! Adorei vasculhar o blog dela, onde ela comentou sobre como fez a pesquisa para escrever o livro (ela nunca foi a Paris!). Fiquei ainda mais inspirada pra continuar o meu livro, porque o dela também foi um processo longo. Ela já publicou outros dois livros da “série”. Não é como uma continuação do primeiro livros, mas são livros com tema semelhante, que explora as descobertas amorosas de adolescentes. Não sei se vou ler os outros. Talvez. Eu gosto de alternar livros mais complexos com livros mais leves.

Eu recomendo a leitura de Anna e o beijo francês. Pra todas vocês que sentem nostalgia daquele tempo gostoso, das confissões escritas em caderninhos, dos cochichos e risinhos com amigas, de sentir frio na barriga quando o gatinho da escola passava por perto. Esse livro vai te fazer sorrir ao reviver todos esses sentimentos.

PERKINS, S. Anna and the French kiss. New York: Dutton, 2010.
Goodreads | Stephanie Perkins

52 objetos, número 8

52-objetos-imagemO quê: Kindle Paperwhite
Onde: Na mesa de centro da sala ou na minha bolsa
Origem: Presente de dia das mães, comprado na Best Buy

kindle

Meu brinquedinho novo! :)

Tem mais ou menos um ano que eu comecei a me acostumar com a leitura digital. Eu ainda prefiro o bom e velho livro de papel, sentir o seu peso, folhear suas páginas. Acho que o tato acrescenta muito à experiência da leitura. Mas o fato é que os e-readers chegaram pra ficar e realmente é bem mais conveniente em viagens, por exemplo. O Kindle é super leve! Eu já lia no iPad, mas o brilho da tela me incomodava, e o iPad é bem mais pesado também.

Depois escrevo mais sobre minha experiência com o Kindle e sobre a minha escolha entre tantos tipos diferentes de e-readers no mercado. Foi meu presente de dia das mães, ainda não deu tempo de usá-lo muito, até porque estou terminando um outro livro de papel: Memórias póstumas de Brás Cubas, do Machado de Assis. Mas O Retrato de Dorian Gray já está me esperando no Kindle, tá na fila. :)

kindle2

Audiolog no. 6: Gatineau, Québec

gatineau-quebec

Antes tarde do que nunca. Este é o meu lema.

Com uma demora de quase 3 meses, aqui está finalmente o audiolog com a entrevista da Andrea e da Patricia sobre a cidade de Gatineau, na província do Québec. Na época a Patricia ainda estava grávida, a Gabi nasceu dia 1o. de abril. Meninas, desculpem pela demora em publicar o podcast!

A nossa conversa ficou tão longa, que eu resolvi dividir o audiolog em duas partes. Hoje tem a primeira metade, onde elas falam um pouco sobre a cidade, sobre a proximidade de Ottawa (capital do Canadá), custo de vida, multiculturalismo e linguagem, e um pouco sobre o mercado de trabalho em Gatineau.

Espero que vocês curtam!

Play

Faça o download do áudio

Imagem: Bridge, de Sleepy Polar Bear, no Flickr sob licença Creative Commons

 

Do virtual para o real

picnic01

A internet já me trouxe muitas coisas boas nessa vida: trabalho, hobbies, lazer e, principalmente, amizades. Grande parte dos amigos que fizemos em Vancouver chegaram na nossa vida através da internet: grupos de discussão e blogs. Na semana passada encontrei mais três amigas, que de virtuais não têm nada. A Lu e a Carol eu já tinha conhecido pessoalmente em outras ocasiões, mas não a Rita. Foi a primeira vez que nos encontramos pessoalmente. Um dia de sol lindo, comilança solta e um aniversário a celebrar nos uniram nesse piquenique que juntou duas cariocas, uma mineira e uma gaúcha. Além da nossa raíz brasileira compartilhada, outra coisa que nós quatro temos em comum é que todas somos blogueiras. Aparentemente, famosíssimas. ;)

picnic02

picnic03

A Lu é uma ilustradora talentosíssima. Largou a geologia pra se dedicar à paixão de desenhar. Nos conhecemos numa lista de discussão ainda grávidas. Ela, do Nicolas, e eu, da Alice. Os dois nasceram bem próximos um do outro, ela ainda morava na Austrália na época. Quando veio morar no Canadá, marcamos de nos encontrarmos na biblioteca de Vancouver (Lu, olha isso! Já era um sinal, não?). Uma das coisas que temos em comum é o amor por livros infantis. Além de desenhar, a Lu é super criativa e inventa histórias super bacanas. Não só no seu blog (gente, ela é divertidíssima!), mas também em seus projetos pessoais. Já batemos altos papos sobre livros infantis e fomos as duas ver o Oliver Jeffers ao vivo.

A Carol é conterrânea minha, carioca da gema e fotógrafa de animais de estimação. Chegou em Vancouver no fim do ano passado. Duas amigas minhas, também fotógrafas e também “virtuais”, me apresentaram à Carol quando ela veio pra cá. Super gente boa, daquelas que a gente não vê o tempo passar quando estamos conversando com ela (eu quase perdi a minha aula quando a gente se encontrou pra um café numa manhã chuvosa do inverno passado). Tinha sido aniversário da Carol no fim de abril, e usamos a data como pretexto pro nosso encontro. Delícia fazer festa no parque! :)

picnic05

picnic06

Quando eu estava procurando por professores brasileiros aqui no Canadá, a Fernanda me falou da Rita, e foi assim que conheci o Botõezinhos, o blog da Rita, que é super fofo, lindo e caprichado, onde ela conta sobre seu dia-a-dia aqui no Canadá. Pra mim, a Rita é um exemplo de perseverança e fé. A história da sua filha é linda! A Bella nasceu prematura e já passou por tanta coisa nos seus quase 4 anos de vida. A Rita traz todo esse otimismo pro seu blog, super alto-atral mesmo. Além de ser um exemplo de mãe. Adoro quando ela escreve sobre a alimentação da sua família, porque é algo que eu sei que tenho que melhorar em casa.

Além das três, reencontrei também a Joana, que conheci na UBC. Jô, fico te devendo a foto, hein? A Joana também é gaúcha como a Rita e está aqui fazendo parte do seu doutorado. Chique, viu?

picnic04

Quando a gente encontra pessoas que só conhecíamos virtualmente antes é uma sensação bacana e estranha ao mesmo tempo. Porque a gente já conhece a vida dessas pessoas de certa forma, e por isso não rola aquela timidez de quando a gente conhece alguém pela primeira vez. A gente se vê e já é próximo um do outro. Eu tive muita sorte de ter encontrado tanta gente boa através da internet.

Carol, Lu, Rita, adorei o encontro! Elas também escreveram suas versões do encontro nos seus blogs. Passem lá pra conferir!

Imagens: Com exceção do autorretrato, todas vieram da câmera da Carol.